12 de nov. de 2008

Times are a-changing...



Amigos leitores do CAROÇO,

Estamos transferindo este blog para um novo endereço: http://ocaroco.wordpress.com. Tudo que está lá, no http://ocaroco.wordpress.com, já esteve aqui. Tudo continua igual, à exceção do layout, de algumas comodidades oferecidas pelo servidor novo e, é claro, o endereço, que passa a ser http://ocaroco.wordpress.com. Inclusive, se você tiver um link para nós, troque-o para http://ocaroco.wordpress.com, já que agora http://ocaroco.wordpress.com será nosso endereço.

Caso ainda não tenha ficado claro, o novo endereço deste blog é http://ocaroco.wordpress.com. Queremos todos lá!

9 de nov. de 2008

Ó paí, ó (a série)

Na faculdade, um professor – que indicou à turma pela primeira vez a leitura de Mitologias, do Barthes – disse que era o humor que salvava Chaplin de ser apenas mito (quem fez faculdade de jornalismo lembra que “mito”, para os estruturalistas, grossíssimo modo, significava estereótipo). Acho que é uma visão equivocada: o que faz de Chaplin um autor ímpar e complexo é como seu humor é capaz de combinar tantos elementos clássicos e estereotipados para criar uma obra nova, repleta de detalhes, de ironias, de jogos. Ou seja, usar os estereótipos se torna uma maneira de lutar contra os estereótipos, e não que Chaplin é bom apesar dos estereótipos.

Falo nisso porque foi a primeira coisa que lembrei quando comecei a assistir ao episódio desta sexta de Ó pai, ó, na Globo. (Já adianto que não assisti ao filme, mas pretendo me redimir logo.) O filme, dirigido por Monique Goldenberg, baseado em uma peça de Márcio Meirelles, conta a vida em um cortiço em Salvador e tem no elenco, além do Bando de Teatro Olodum, Lázaro Ramos, Stênio Garcia (que também estão na série de TV) e Wagner Moura.

Na série, estão todos ótimos. Valeria a pena escrever apenas sobre os novatos, todos bons atores, para ver se a Globo desiste de tantos modelos que se acham atores/atrizes e outros canastrões consagrados. Assim como valeria a pena escrever sobre a produção musical, muito superior a quase todos os musicais ou quase musicais que o audiovisual brasileiro produz (vide, por exemplo, as cenas com música de Onde andará Dulce Veiga?). Mas para mim a grande qualidade do programa é como ele trata com humor de todos os estereótipos que encontra pelo caminho.

Jogar, ironizar clichês – é o que faz a série. Na primeira cena, um casal – a mulher grávida – discute o relacionamento em termos bastante sexuais e, nas frestas entre as tábuas das paredes, os vizinhos observam, opinam. O exagero da “situação social” dessa cena está aí para fazer rir mesmo, mas também mostra como aquela situação dramática é construída mesmo, e não um retrato objetivo da realidade. Mostra como é incrível que alguém realmente acredite que uma “pobreza feliz” como aquela que vemos na telinha pode ser real. Claro que não, aquilo tudo é ficcional.


Em outra cena, o personagem de Matheus Nachtergaele arruma um cliente para o protagonista (Roque, interpretado por Lázaro Ramos). Roque tenta se prostituir para ganhar 300 reais por dia e ter dinheiro para pagar uma prostituta por quem se apaixonou, que cobra 300 reais por dia e... é cafetinada pelo personagem de Nachtergaele... Quando entra no hotel, procurando uma mulher, o personagem de Lázaro Ramos se depara com um homem olhando para ele: “Roque?” O michê iniciante sai correndo e discute com o cafetão, que replica: “Que preconceito! Cara, você não é baiano?”

O roteiro nos faz cair na balela do baianismo – alegre, sensual, musical, pobre – para logo depois puxar nosso tapete: viu como a gente (diz a equipe) sabe que você estava caindo direitinho no mundo ficcional, no baiano de mentira.

Você já deve ter notado que essa estrutura que mistura humor, sensualidade, clichês e um universo quase mítico tem parentesco muito próximo com outro baiano. Jorge Amado era adorado e odiado justamente por essas características: fazer literatura para divertir e também para pensar, num universo narrativo em que é difícil identificar até que ponto vai a mitificação da Bahia e até que ponto ele ironiza esses próprios mitos. “O baiano já nasce artista”, diz o lugar-comum, mas, quando comparamos a série com a obra do escritor brasileiro do século XX mais conhecido em todo o mundo, parece que se trata de uma verdade: o artista baiano sabe muito bem que não existe originalidade, que a arte nunca vai chegar à verdade, e por isso mesmo está aqui para confundir, confundir com alegria e beleza.

Escrevo isso tudo após ver apenas um episódio, de meia hora, por aí, o segundo da série. Pode ser que me engane. Mas garanto que foi a única atração inteligente a que assisti – excetuando-se, claro, filmes brasileiros e alguns programas da TV BRASIL – na TV aberta nos últimos meses.


Atualização: Comentaram comigo que eu estaria certo no que escrevi acima, mas que o roteiro compromete o episódio. Sim, as situações são também óbvias, estereotipadas: era óbvio que Roque se apaixonaria pela prostituta e que haveria reciprocidade. Sim, é pastelão a situação do marido malandro que sai correndo de hospital em hospital em busca da mulher que está para parir. Essas tramas também são clichês que a estrutura desfaz, em alguns momentos com maior ou menos eficiência. Uma mostra de como é possível utilizar a tevê para brincar com clichês das telenovelas.

And I feel fine...



Eu até que tive a oportunidade de ir ao Planeta Terra com a Flavinha, que ganhou dois convites como recompensa pela atitude, mas, Offspring, Block Party e Kaiser Chiefs me perdoem, o R.E.M. ocupava um lugar maior no meu coração e na minha playlist.

Michael Stipe merece muito o meu respeito. Educado e carismático, ele é pura presença, sem afetações de roqueiro velho. Mandou ver no bailado jeitoso, desceu pra cantar no meio da galera e deu uma bitoca singela no companheiro de banda. O show não contou com pirotecnias hightech, seguiu a linha simples e o brilho ficou mesmo por conta de Stipe, Peter Buker e Mike Mills, que fizeram bonito.

O repertório perfeito combinou músicas do novo álbum "Accelerate", lançado em março de 2008 (destaque para Hollow Man), uma seleção caprichada dos antigos, com direito a Ignoreland, Imitation of Life, Orange Crush, Everybody Hurts, Man on the Moon (que fechou o show) e obviedades como The one I love, Loosing my Religion e It's the end of the world as we know it - que se confirma como o sucesso menos cantado de todos os tempos (sei de cor metade da primeira estrofe e 1/3 da segunda e já me considero quase uma lenda viva por isso). Mas o refrão estava na ponta da língua da galera, que interagiu bonito respondendo com um alto e bom "fine!" como resposta ao "And I feel..." de Stipe.



O vocalista foi aclamado quando tocou no assunto mais falado da semana e manifestou seu contentamento com a eleição de Obama, que ganhou imagens no telão com legendas tipo "Barak 'n Roll" (no show em Santiago, no dia da eleição, também rolou rasgação de seda).


Follow me, don't follow me
I've got my spine, I've got my orange crush

Orange Crush, do álbum Green

Há um tempo me questionava sobre quem seria o público brasileiro do R.E.M. em momentos "extra Rock in Rio", já que sempre tive a impressão, torta muito provavelmente, de que aqui eles não passavam de Loosing my Religion e Shiny Happy People - sem esquecer da já mencionada It's the end of the world..., um hit nos guetos indie. Foi engraçado ver a "garotada" na casa dos 40 tão emocionada quanto os fãs de vinte e poucos (e eu posso jurar que vi gente que não passava de 19). Sem tribos identificáveis, as camisetas com o nome da banda eram o máximo de label que os cariocas apresentaram. Uma gente da paz que completou o clima bom na HSBC Arena, que eu não conhecia, mas me surpreendeu como opção de local para shows.


Man on the Moon fechou o show do R.E.M.

7 de nov. de 2008

Capitalismo selvagem II

“Os bancos brasileiros estão se preparando para novas fusões depois do anúncio da união entre Itaú e Unibanco”, destaca a edição desta sexta-feira do jornal britânico Financial Times.

De acordo com o periódico, as condições são propícias pois "o Brasil tem cerca de 150 bancos, muitos deles de pequeno porte e concentrados em uma única linha de negócios como empréstimos para a compra de veículos ou ligados a folhas de pagamento, áreas que cresceram depressa seguindo a criação de empregos e aumento de salários".

O artigo ressalta que o Banco do Brasil, que até antes da fusão Itaú / Unibanco era maior do país, e o Bradesco, que já foi o maior banco do setor privado, deverão buscar aquisições muito em breve.

Foto: Marcelo Valle

Obama virtual

Barack Obama lançou nessa quinta-feira o webiste change.gov. O site tem notícias sobre a transição do governo e informações sobre a nova agenda. Vale a pena ficar de olho.

6 de nov. de 2008

História de uma cucaracha no exterior

Sentada num canto escuro, ela meditava sobre sua existência vazia. Já havia chegado à metade de sua vida e, até então, não havia feito nada de muito relevante. Não viajara, não inventara, não descobrira -- ocupava seu tempo na luta pela sobrevivência, a cada dia buscando o que comer. Lugar limitado esse, o mundo.

Tinha ouvido falar sobre o exterior, mas não sabia o que esperar dele. Diziam que era um lugar limpo, claro, arrumado -- muito diferente da podridão fétida e úmida em que vivia. Tinha sonhos de conhecê-lo, mas conforme o tempo passava, mais convencida ficava de que ele não passava de lenda: já havia andado tanto em sua busca por comida que achava impossível haver algum lugar que não conhecesse.

Pensando nisso, lembrou-se de que ainda não havia encontrado nada naquele dia. Começou a andar, percorrendo os caminhos imundos que normalmente trilhava. No entanto, absorta em seus pensamentos, não percebeu o enorme buraco que se abria no caminho e caiu por ele.

A queda foi curta, ela não se feriu. "Foi só um susto", como costumavam lhe dizer quando ainda era jovem. Pôs-se novamente sobre as pernas para sair do buraco e voltar ao caminho normal, mas desistiu quando percebeu que dele saía um túnel desconhecido. Olhou-o com atenção. Enfim uma novidade. Armada de coragem, começou a seguir pelo túnel, intrigada com a claridade difusa que se tornava mais forte conforme se aproximava.

Enfim, chegou ao fim do túnel, que terminava numa pequena abertura. Pondo a cabeça para fora, viu um lugar amplo, iluminado, limpo -- e lembrou-se de imediato das lendas sobre o exterior. Só podia ser ali! Entusiasmada, passou pela abertura e começou a passear pelo local, os olhos marejados com tanta beleza e luminosidade. Finalmente! Depois de tanta angústia na escuridão, de tanto sofrimento na sujeira, o destino lhe dava a oportunidade de conhecer aquele paraíso imaculado.

Estava feliz. Sentia-se como se tivesse a vida inteira se preparado para aquele momento. E foi então, no auge de sua absoluta alegria, que ela foi esmagada por uma força além da sua compreensão, tão forte que partiu seu corpo ao meio. Tudo escurecia depressa, não havia mais o que fazer; ela apenas permanecia caída, as pernas para cima, contemplando suas vísceras à mostra. As últimas palavras que ouviu foram "Amor, vem ver a barata que matei no banheiro".

5 de nov. de 2008

I have a dream

Martin Luther King venceu as eleições estadunidenses de 2008. Simbolismos à parte, é esse o principal motivo de celebração: a derrota da contracultura do racismo em um país que há tão pouco tempo assassinou líderes que pregavam a igualdade.

Se fosse uma cidadã estadunidense legalmente reconhecida pelo Estado, latina, também votaria em Obama. Não por ser ingênua a ponto de acreditar que o simbolismo de ter à frente da presidência um negro, descendente de imigrantes, mudará a política do Tio Sam com os países emergentes. Obama provavelmente não assinará o protocolo de Kyoto, não destruirá os muros (físicos e imaginários) que apartam os Estados Unidos do “resto” da América Latina, não deixará de pôr em prática a política imperialista na Amazônia, não vai retirar o apoio ao holocausto palestino.

Em todo caso, a eleição de Barack Obama é onde mais longe a sociedade americana conseguiu chegar.

4 de nov. de 2008

Capitalismo selvagem


Do que riem aqueles que anunciaram, ontem, a fusão do Itaú e Unibanco? O que representa, para o bolso da maioria da população, esta velha fórmula do tubarão que engole os pequenos peixes para ficar mais forte e garantir a expansão dos lucros capitalistas? Agora, cinco bancos controlam 74% de todos os depósitos no país. Alguém duvida que esta promíscua concentração vai incidir, diretamente, na prestação de serviços e juros, já elevadíssimos, cobrados do brasileiro? Como argumento de defesa, os banqueiros alegam que a fusão fortalece o setor bancário e que, em algum momento, isso será revertido em benefício para a população. Qualquer semelhança com a velha fórmula de “fazer o bolo crescer, para dividir depois”, não é mera coincidência.
Foto: Marcelo Valle

Quase ninguém percebe


Reparar erros de continuidade, seja na TV ou no cinema, é a maior diversão. Alguns elementos, como figurino, cenário e objetos de cena nos permitem descobrir as falhas com mais facilidade. Mas quase ninguém repara em dois itens importantes: maquiagem e cabelo. Não é incomum ver nas novelas, por exemplo, takes em que as personagens aparecem com maquiagens diferentes, em uma mesma cena.

Muda o tom da sombra (ou o esfumaçado) ou a cor do batom. Incluem-se (ou se excluem) rímel e gloss, muda-se a intensidade do blush. O mesmo ocorre com os penteados: ora os cabelos estão mais lisos, ora apresentam ondulações. Tudo isso na mesma cena.

Ok, talvez isso seja uma paranóia minha. Desde que me formei em maquiagem reparar essas coisas virou um vício. Mas esses descuidos, na minha modesta opinião, comprometem, de certa forma, a qualidade do produto. O problema é que as novelas costumam exagerar nas maquiagens, o que as torna ainda mais inverossímeis. E passíveis de erros.

Uma personagem adquire personalidade não só pelo figurino, mas também pelos produtos que enfeitam seu rosto. Assim, se a mocinha começou a trama com sombra marrom escura e cílios postiços lotados de rímel, essa pintura será sua marca registrada até o final, faça chuva ou faça sol, e em qualquer hora do dia ou da noite.

Acontece que, na vida real, ninguém usa as mesmas cores de cosméticos o tempo inteiro! Nesse ponto, tenho muitos elogios a fazer à direção artística de A Favorita. A novela pode não ser grande coisa, mas a maquiagem é diferenciada. A maioria das personagens femininas está de cara limpa, sem exageros, apenas com os produtos básicos: corretivo, pó compacto, rímel e blush. Coisa rara da teledramaturgia brasileira. Na mexicana então, nem se fala...

Votem nulo!

Não sei onde li que não adiantava nada votar nulo, que eleição nenhuma seria refeita por haver muitos votos nulos... Mas recebi esta matéria hoje. Alguém pode confirmar?

Vitória esmagadora dos nulos obriga TSE a convocar novas eleições em dois municípios do RJ

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)


Em Bom Jesus de Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro, os votos nulos alcançaram 89,23% da preferência do eleitorado e o candidato único à Prefeitura, João José Pimentel, do PTB, apenas 6,3%. Eram 26.863 eleitores, mas apenas 1.692 votaram em Pimentel. Em Santo Antônio de Pádua, Maria Dib, do PP, obteve 10.074, o equivalente a 37,9% dos votos, enquanto os nulos totalizaram 16.527, o equivalente a 60,35%.

De acordo com as regras eleitorais, nenhum candidato pode tomar posse quando os nulos e brancos vencem as eleições, alcançando um coeficiente maior que a soma dos votos dos candidatos. Nos dois municípios, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá que convocar novas eleições e os dois candidatos rejeitados pela população ficarão inelegíveis. As duas cidades tiveram outros concorrentes, mas suas candidaturas foram impugnadas. Agora será estabelecido um novo prazo para inscrições, propaganda eleitoral e os eleitores terão que voltar às urnas.

O Tribunal Regional Eleitoral (TER-RJ) já está com esquema todo preparado para realizar novas eleições para prefeito em Santo Antônio de Pádua e em Bom Jesus de Itabapoana. A intenção do presidente do TRE, desembargador Alberto Motta Moraes, é convocar o novo pleito ainda este ano, antes da diplomação dos prefeitos eleitos no estado. Pelo calendário eleitoral, a data-limite para os juízes diplomarem os vencedores das eleições deste ano é 18 de dezembro. Sua intenção é evitar que os presidentes de câmaras municipais sejam obrigados a tomar posse, interinamente.

Em Bom Jesus e Pádua, os eleitores deram uma lição de cidadania, demonstrando que o voto nulo é também uma forma de expressar opinião, quando os opções disponíveis não atendem às expectativas.



www.apn.org.br

É permitida (e recomendável) a reprodução desta matéria, desde que citada a fonte.

3 de nov. de 2008

Animação zero




Acabo de ler o Segundo Caderno de hoje. A matéria de capa, traduzida do New York Times, trata da corrida pelo próximo Oscar e avisa que os grandes estúdios vêm fazendo campanha pelas indicações de seus filmes mais pops, comerciais, lucrativos. Até aí, nenhuma novidade. Não há dúvidas de que o Oscar é um evento para a indústria, o espetáculo, os efeitos especiais, as estrelas e o mercado. Nunca tive nada contra as superproduções hollywoodianas. Nem poderia, afinal, sou fã do Spielberg. Mas me preocupa a falta de espaço para obras que fogem a esse padrão, para as mais questionadoras, as mais autorais ou, ainda, as independentes. Parece mesmo que o reconhecimento da academia, nos últimos anos, por títulos como "O Segredo de Brokeback Mountain", "O Jardineiro Fiel", "Crash", "Sangue Negro" ou "Pequena Miss Sunshine" foi uma exceção à regra. Poderia ter marcado o início de um processo de diversificação, mas, pelo que diz a matéria, foi só uma fase “inexplicável”. "O afastamento dos filmes populares causou uma enorme queda na audiência do show do Oscar", afirma o texto.

De tudo, entretanto, o que mais me assusta é o posicionamento dos estúdios Disney em relação ao longa de animação "Wall-E". Criado em parceria com a Pixar, o desenho fala, para crianças e adultos, do problema da ecologia, do acúmulo de lixo no planeta e da substituição dos relacionamentos pessoais pelas nocivas facilidades do mundo virtual. Poderia, facilmente, alçar a categoria “animação” ao status de “grande gênero”, colocá-la em pé de igualdade com os representantes da categoria “filmes” e estimular outros realizadores do setor. Ao invés disso, para dar a “Wall-E” o rótulo de “super”, de “excepcional”, de “único”, os estúdios abrem campanha para que ele seja indicado por “Melhor Filme”. A atitude só serve para manter como estão todas as regras do jogo. E do mercado.

O domingo de Hamilton






No ano em que se comemora 20 anos do primeiro título de Ayrton Senna, conquistado na histórica corrida do Japão, em 1988, Lewis Hamilton sai de Interlagos como o campeão mais jovem da Fórmula-1.

O que os dois têm em comum? Ayrton é o grande ídolo do inglês, que um dia pediu a Ron Dennis, da McLaren: "Deixa eu correr pela equipe do Senna?" Na Fórmula 1 de hoje, Hamilton é o fã número 1 do brasileiro que deixou as pistas em 1994.
Por essa razão, a comemoração aqui em casa (do lado direito da cama, o esquerdo torcia pelo Massa e sua Ferrari trapalhona) é dupla.

p.s.: Para aqueles que tentaram azarar o campeão com a camisa do Vasco, valeu o ditado do feitiço contra o feiticeiro. Caidíssimo no Brasileirão, o time da Colina derrotou o Fluminense ontem no Maracanã. Da próxima vez, sei não, é melhor arranjarem outro amuleto pro Massinha.

31 de out. de 2008

Tudo vai acabar em pizza?


Uma rede de restaurantes e lanchonetes do Rio de Janeiro resolveu transformar as eleições em tema de suas toalhas de mesa. A frase diz: "A Parmê homenageia a democracia e deseja sucesso ao nosso futuro prefeito. Vote consciente!"

Não sei quais foram as reais intenções do restaurante. Mas, a imagem dos nossos felizes candidatos sugerem mesmo que, não importa quem esteja no poder, vai tudo acabar em pizza.

A comida não me caiu bem...

29 de out. de 2008

A teus pés

Ontem já havia me lembrado dela, sem nem desconfiar que hoje é aniversário de sua morte. (Não consigo guardar datas.) Lembrei-me quando, num pequeno intervalo de 30 minutos, no meio da tarde e não sem motivo, fui tomada por sentimentos diferentes e contraditórios, de uma intensidade tão grande que precisei anotá-los no caderninho azul:

Hoje de manhã, no jornal fechado desde a véspera, me deparei com ela, em foto em que aparece, como tantas vezes, de óculos escuros. A reportagem (revista "Megazine", O Globo, 28/10/2008) convidava para o lançamento do livro Antigos e soltos (Instituto Moreira Salles), reunindo poemas, fragmentos de diário, anotações, relatos de viagens, bilhetes e cartas inéditos. Gêneros que Ana Cristina César, uma das poetas da chamada "geração mimeógrafo" dos anos 70, brincou, com beleza e sensibilidade, de misturar. Podem ser encontrados também em livros como A teus pés, Luvas de pelica, Cenas de abril, Correspondência completa, Inéditos e dispersos, Escritos no Rio (este de artigos, textos acadêmicos e depoimentos).

A matéria da Megazine dizia que Ana C. continua por aí, influenciando novos poetas.

Vacilo da vocação

Precisaria trabalhar - afundar -
- como você - saudades loucas -
nesta arte - ininterrupta -
de pintar -

A poesia não - telegráfica - ocasional -
me deixa sola - solta -
à mercê do impossível -
- do real.


Sexta-feira da paixão

Alguns estão dormindo de tarde,
outros subiram para Petrópolis como meninos tristes.
Vou bater à porta do meu amigo,
que tem uma pequena mulher que sorri muito e fala
pouco, como uma japonesa.
Chego meio prosa, sombras no rosto.
Não tenho muitas palavras como pensei.
"Coisa ínfima, quero ficar perto de ti".
Te levo para a avenida Atlântica beber de tarde
e digo: está lindo, mas não sei ser engraçada.
"A crueldade é seu dilema..."
O meu embaraço te deseja, quem não vê?
Consolatriz cheia de vontades.
Caixa de areia com estrelas de papel.
Balanço, muito devagar.
Olhos desencontrados: e se eu te disser, te adoro,
e te raptar não sei como dessa aflição de março,
bem que aproveitando maus bocados para sair do
esconderijo num relance?
Conheces a cabra-cega dos corações miseráveis?
Beware: esta compaixão é
é paixão.

28 de out. de 2008

O Haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

15/04/1962 - Vinícuis de Moraes

A poesia acima foi extraída do livro "Jardim Noturno - Poemas Inéditos", Companhia das Letras - São Paulo, 1993, pág. 17.

26 de out. de 2008

Vida que segue



Terá cura a ressaca eleitoral?

Pois, além de termos que digerir Eduardo Paes até 2012, ainda tem a constatação de que venceram os panfletos apócrifos, a imundice nas ruas, as pegadinhas nos debates, os “militantes” contratados.

Fica uma sensação de Copa de 82. Do futebol de Sócrates, Zico, Falcão e cia. que não foi páreo para a Itália de Paolo Rossi. Depois daquilo, a eficiência da defesa ganhou importância, ditando o padrão do futebol que passou a ser praticado em todo o mundo. Jogar feio deixou de ser pecado, afinal, poderia render um troféu.

“Que nem nossa seleção de 94”, sublinhou a mãe do Francisco (agora tomando parte das discussões futebolísticas!), ontem à noite, durante minha torcida para que o "modelo Paes" de campanha não vingasse.

Para não dizer que só falei de flores, a campanha de Gabeira também teve seus Chulapas, a começar pela canelada na vereadora Lucinha (que marcou o início da campanha no 2º turno). Aind'assim, é um tanto precipitado atribuir a derrota à frase infeliz do candidato verde, até porque frases infelizes não faltaram ao prefeito eleito...

Alguém aí tem um Engov?

PS: A foto do pôste, de Reginaldo Manente, ilustrou a primeira página da Folha da Tarde em 6 de julho de 1982 - dia seguinte ao Itália 3 x 2 Brasil da Copa de 82. Mais sobre a foto
aqui.

25 de out. de 2008

Lembranças de Glauber

Em 2001, quando comecei a pesquisar sobre a trajetória de Glauber Rocha como jornalista na Bahia, nos anos 50 e início dos 60, procurei o Tempo Glauber. Já tinha ido à Biblioteca Nacional e aos arquivos da Cinemateca do MAM, mas, nesses lugares, não achei os textos raros do cineasta, dos quais sabia da existência por meio da biografia escrita pelo jornalista João Carlos Teixeira Gomes. No templo, que já tinha visitado para entrevistar Lúcia Rocha (para o Caroço!!!), estava quase indo embora, certa de que não teria acesso a nada, quando a mãe de Glauber, de repente, me deu um voto de confiança - não sem antes perguntar se eu não tinha "interesses comerciais" na obra dele. Não, eu só queria fazer uma monografia bem feita para a faculdade.

Na verdade, ela passou a confiar em mim depois que eu citei vários textos de Glauber que tinha encontrado na Biblioteca Nacional, mostrando que havia copiado tudo à mão e que seria um trabalho descomunal continuar utilizando esse método braçal de pesquisa. Também contei a ela que tinha uma cópia de um livro raríssimo de Glauber, que nem mesmo ela tinha mais, dado que não era editado há anos e anos. (A minha cópia era da biblioteca da UFF e ela me agradeceu muito quando levei uma para ela. Hoje, o livro "Revisão crítica do cinema brasileiro" já tem uma edição digna de sua importância)

Aí, Lúcia Rocha me levou numa espécie de subsolo do casarão, abriu uma porta e, em seguida, vários armários. "Está tudo aí", me disse com o olhar ainda desconfiado. O "tudo" eram os textos que Glauber tinha escrito na imprensa baiana, inclusive em jornais alternativos da capital, incluindo aquele que ela considera seu segundo texto, publicado quando ele ainda era um menino de calças curtas - mas com idéias já em ebulição.

Abri os armários e o que encontrei foi um arquivo minuciosamente organizado ("eu trabalhei como arquivista no MIS"), com o carinho da mãe que catava desenhos e manuscritos no lixo, antevendo a importância de guardar a memória daquele que se tornaria um dos mais influentes cineastas do país nos anos seguintes. Fiquei horas lá (naquele tempo, tinha saído do estágio e me dedicava à pesquisa, tempo bom), impressionada e até com um tico de medo de não dar conta de ler tudo. Mas, tia Lúcia foi generosa: me confiou os textos originais e me indicou uma papelaria na Voluntários da Pátria que tirava cópias. Atravessei a Sorocaba com o tesouro nas mãos, morrendo de medo de, sei lá, bater um vento e ver ir embora pelo ar.

Voltei no Tempo Glauber muitas outras vezes. Numa delas, tia Lúcia me vendeu um exemplar do livro "Riverão Sussuarana" com dedicatória do próprio Glauber para ela. Liguei para dizer do engano e ela respondeu: "Está em boas mãos".

Naquela época, o casarão vivia a duras penas, apenas com a força da mãe, já octogenária, que administrava tudo a mão de ferro. Mas, desde então, livros e filmes de Glauber foram reeditados. O acervo do cineasta, digitalizado. O Tempo Glauber tem pesquisadores, cursos, produtos à venda. Não vou lá há muito tempo, não sei se as dificuldades financeiras se mantêm. Mas, uma boa notícia chegou essa semana: o site está atualizadíssimo, com fotos, documentos históricos e vídeos (tem trechos do famoso programa "Abertura").

É uma felicidade testemunhar esse avanço. Fica a dica para uma visita.

P.S.: Outro dia, estava na portaria do meu prédio e vejo sair uma moça com o rosto muito conhecido. Olhei tanto que ela deve até ter se assustado. Quando passou, fui até o porteiro e perguntei: "Essa moça que saiu agora mora aqui no prédio"? "Mora", confirmou. "O nome dela, por acaso, é Paloma?". "É, sim". Nesse dia, descobri que era vizinha da filha de Glauber, Paloma Rocha. E saí cantarolando: "Se entrega Corisco, eu não me entrego não!"

22 de out. de 2008

20 de out. de 2008

CAROÇO entrevista: Lynn Lund

Semanas atrás, comentei aqui sobre o filme interativo online The Outbreak, meio que numa piada sobre ele ser um guia de sobrevivência visual no caso de um ataque de zumbis real. No entanto, achei a idéia muito interessante: agora que se discutem as possibilidades de interatividade pela TV digital e como a internet pode auxiliar na distribuição de produtos culturais, seria este um passo natural na evolução do entretenimento?

Fiz, por e-mail, uma entrevista com Lynn Lund, produtora do filme (na foto ao lado, com Chris Lund, diretor do filme e seu marido). Ambos trabalham na agência de publicidade Silk Tricky, em Portland, Oregon, EUA, especializada em comerciais online interativos. Segundo ela, o mercado para filmes interativos é bastante promissor.


Quando o filme foi feito?
Ele foi rodado em abril de 2008 e a versão final e o site lançados em 20 de setembro.

Quem participou da realização?
Contratamos equipe e elenco locais de Portland, Oregon. A lista completa de créditos pode ser acessada pelo link "credits" em www.survivetheoutbreak.com.

Existem outros projetos semelhantes em desenvolvimento?
Temos algumas idéias sobre como levar este conceito a um nível adiante de interatividade, mas nada está sendo desenvolvido no momento. Estamos de volta a nossos "trabalhos oficiais" como designers de web e interatividade até terminar de planejar o próximo filme. Tomara que desta vez consigamos alguma espécie de financiamento e não tenhamos que fazê-lo do nosso bolso.

Qual seria esse "outro nível de interatividade"?
É segredo! Não podemos deixar ninguém nos passar a perna. :) Você vai ter que ficar de olho.

De onde vocês tiraram a idéia de fazer um filme interativo?
Já havíamos feito diversos projetos interativos para nossos clientes envolvendo vídeo e web mas nunca neste nível. Então pensamos, por que não fazer um projeto para nós mesmos que casasse nossas duas paixões, filme e web?

Por que um filme de zumbis?
Optamos pelo terror porque achamos que é um gênero que se presta perfeitamente para este tipo de filme interativo. Quando sua vida está em jogo, como num filme de terror, os riscos não poderiam ser mais altos. Queríamos que as pessoas realmente se sentissem imersas e "vivessem" um cenário com o qual nunca estiveram cara-a-cara.

Você acha que filmes assim podem ainda ser assustadores (como Renascer dos Mortos e A Noite dos Mortos-Vivos já foram) ou os espectadores de hoje os acham muito bobos?
Acho que filmes assim podem ainda ser assustadores, porque você não estaria apenas assistindo da segurança do seu sofá ou do cinema -- suas ações afetam diretamente o que acontece com os personagens na tela, então você é responsável por suas ações.

Você acha que existe um mercado para este tipo de filme?
Sem dúvida. Recebemos muito retorno de espectadores que disseram esperar por filmes assim tem tempo, e que estão ansiosos por mais. Espero que consigamos dar conta disso.

Então esta idéia poderia ser usada pela indústria do entretenimento em sua guerra contra a pirataria?
Penso que se houvesse uma forma de ganhar dinheiro com esse tipo de filmes e todos ganhassem sua quantia justa, não haveria esse tipo de problema. É necessário se pensar num novo modelo, destinado à distribuição online, para que este tipo de filme seja acessível ao grande público e que seus desenvolvedores ainda consigam retorno com seu investimento.

Você tem idéia de como isso pode ser feito? Acha que espectadores pagariam para ver um filme interativo?
Eu gostaria de ter alguma idéia brilhante sobre como as pessoas podem ganhar dinheiro com filmes na internet, mas não tenho certeza. Existem meios óbvios, como anúncios online e inserção de produtos, mas não são muito lucrativos pelo que ouvi dizer... pelo menos, não o bastante para cobrir muito além dos seus gastos. Com relação a espectadores pagarem para assistir a um vídeo interativo, acho que, conforme os valores de produção aumentam e há mais conteúdo interessante sendo criado especificamente para a web, existe um potencial para que as pessoas estejam dispostas a pagar. No momento, há por aí muito conteúdo gerado por usuários, de orçamento muito baixo (apesar de às vezes isso não importar, se a história for interessante e bem realizada) e/ou não muito bom. Há algumas jóias no meio, mas é difícil saber pelo que vale a pena pagar, ou mesmo assistir, nesse mar de vídeos disponíveis na web.

É possível que a indústria cinematográfica comece a investir nesta área?
Acho que Hollywood percebeu o fato de que a internet não é uma moda. Existem conteúdos incríveis exclusivamente online, e eles sabem o tamanho do público online. Seria estúpido ignorar o potencial desta área.

Você acha que seria capaz de sobreviver se uma "revolta" (tradução aproximada de "Outbreak") realmente acontecesse?
Não sei se conseguiria. Até certo ponto, pode-se tomar decisões racionais e seguir linhas gerais de sobrevivência. Mas penso que muito da sobrevivência em um evento apocalíptico está fora do seu controle. Situações surgem mesmo se você não estiver preparado para elas e as conseqüências são imprevisíveis.

Você acha que o filme pode ser visto como um guia de sobrevivência no caso de um ataque real de zumbis?
Nossa teoria é a de que não existe uma maneira clara e certa de sobreviver a um ataque de zumbis. Como a vida, às vezes as decisões mais racionais podem ter os resultados mais inesperados. Assim, se houvesse uma revolta, eu definitivamente começaria atirando no cérebro deles. Se não funcionasse, aí estaríamos num grande problema...

19 de out. de 2008

Enquanto isso, no País das Maravilhas...

" É necessária uma refundação global do capitalismo, baseada em valores que ponham as finanças a serviço dos negócios e dos cidadãos, e não vice-versa - disse o presidente da França, Nicolas Sarkozy, no discurso de abertura de um encontro de dois dias entres líderes dos países da zona do euro, em Bruxelas. - O sistema dever ser completamente reformado".

Fonte: O Globo, 16/10/2008


"- (...) gostaria que conhecesse a nossa gata Dinah. Acho que você terminaria tendo uma simpatia pelos gatos, só de vê-la. Ela é tão quietinha, tão boazinha - dizia Alice meio falando para si mesma, enquanto nadava preguiçosamente no lago. - Ela fica tão bonitinha ronronando perto da lareira, lambendo as patas e lavando a cara...e é tão macia de se acariciar...e é tão necessária dentro de casa pra pegar os ratos...oh, perdão, perdão - gritou Alice. Desta vez o Rato ficou todo eriçado e ela teve certeza de que estava realmente ofendido. - Não falaremos mais nada se é o que você quer."

Aventuras de Alice no Páis das Maravilhas, Lewis Carroll

Acontecimentos da semana

"Diversos movimentos e organizações sociais realizaram nessa manhã de quinta [16/10] uma atividade contra o aumento exorbitante do preço dos alimentos. O ato, denominado 'Mulheres em luta pela soberania alimentar', foi organizado centralmente pelo movimento feminista. O ponto alto da manifestação aconteceu em frente ao supermercados Sendas da Rua do Riachuelo. Os manifestantes param em frente a empresa e estenderam um longo tapete-painel lilás com frases de denúncia do sistema capitalista, estabelecendo a relação entre a alta dos preços dos alimentos e a imprescindível resistência das mulheres".


"Mais de 300 integrantes da Via Campesina realizaram manifestação, na tarde dessa quinta [16/10], em frente à sede da transnacional Bayer, em Belford Roxo. A atividade foi organizada pelas trabalhadoras do campo que denunciam o modelo de agricultura industrial controlado por grandes empresas multinacionais. Os manifestantes responsabilizaram essa política pela elevação do preço dos alimentos e pelo crescimento de famintos no mundo".

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)


"Pelo sexto ano consecutivo, movimentos sociais e entidades da sociedade civil realizam a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação em diversas cidades do país.

Os eventos, debates e atos públicos neste ano estarão voltados para o fortalecimento da luta pela convocação da 1a Conferência Nacional de Comunicação. A semana também reforçará a necessidade de revisão dos processos de outorga e renovação das concessões de rádio e TV. Nas capitais onde as outorgas das principais redes de TV do país estão vencidas há um ano – sem terem sido devidamente avaliadas pelos órgãos responsáveis –, audiências e atos de rua serão momentos para a sociedade fazer a sua avaliação sobre como as empresas vêm utilizando estas concessões públicas".

Fonte: Intervozes (www.intervozes.org.br)

15 de out. de 2008

Prendam! A palavra é "flor"!

Estamos acostumados a comemorar as maravilhas da internet. Rede aberta, colaborativa, sem censura, na qual todos podemos falar e ouvir, ver e ser vistos, etc. Pouco discutimos ou pensamos sobre as possibilidades de censura e criminalização que já acontecem e podem aumentar caso leis como a do senador Eduardo Azeredo sejam aprovadas.
Pois ontem, lendo a revista Caros Amigos (depois de meses sem comprar um exemplar), me deparei com um interessante soneto do Glauco Mattoso - poeta, em suas próprias palavras, "cego punk" -, com o qual tenho certeza que muitos se identificarão:

Soneto detectado [721]

Poeta que conheço é redator
num órgão cujo "emeio" tem censura.
Qualquer palavra insólita ou impura
será denunciada ao Superior.

Mas é o computador que a ser censor
se arvora e escolhe a esmo o que dedura.
Um vírus desse tipo não tem cura,
e o termo interditado agora é "flor"!

Coitado do poeta! Proibido
de usar seu mais cromático instrumento
verbal! Por tal critério, não duvido

que, em vez de "passarinha", esse luxento
programa um "passarinho" tenha lido
e o vete de voar livre no vento...

14 de out. de 2008

Brincando com Machado


Um trecho do livro que estou relendo, em edição nova, do grande Machado de Assis, para entrar no clima da homenagem ao centenário do escritor. A propósito, acho que há livros escritos e para serem lidos na maturidade. É o caso desse "Memórias póstumas de Brás Cubas".


Isto dizendo, arrebatou-me ao alto de uma montanha. Inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, ao longe, através de um nevoeiro, uma coisa única. Imagina tu, leitor, uma redução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças todas, todas as paixões, o tumulto dos impérios, a guerra dos apetites e dos ódios, a destruição recíproca dos seres e das coisas. Tal era o espetáculo, acerto e curioso espetáculo. A história do homem e da Terra tinha assim uma intensidade que lhe não podiam dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim - flagelos e delícias -, desde essa coisa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura - nada menos que a quimera da felicidade -, ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão.

Economia do Pânico

A edição do New York Times de hoje traz uma matéria interessante sobre a atual crise capitalista. Os tradicionais monstrinhos e bruxas do Halloween, usados amplamente para vender, vender e vender tralhas da economia do pânico, foram substituídos por frases de efeito conclamando os estadunidenses a, quem diria, continuarem comprando em plena bolha imaginária de crédito. Sentenças como “Faça uma economia monstruosa” e “Ofertas assustadoras”, de acordo com a reportagem, são as preferidas dos anunciantes.

Mantenha-se empregado!

Atento às novas tendências mundiais, o CAROÇO traz a você, amigo leitor, uma série de análises psico-econômico-financeiras da realidade que vivemos. Em (mais um) ato de utilidade pública, convidei o renomado analista mercadológico Armando Peixada a escrever neste blogue.



Em meu primeiro post, vou tratar de um assunto que afeta a todos: a inserção no mercado. Todos nós, enquanto trabalhadores a nível de profissionais, precisamos nos qualificar no mercado de forma a chamar a atenção para nossos talentos e a esconder nossos defeitos. É isso que vai garantir que você não vá fazer uma visita trágica ao RH da sua empresa. Para evitar a demissão, existem dois caminhos: fazer com que seus colegas sejam demitidos ou subir posições. Hoje, falaremos sobre esta última opção.

Você pode esperar que seu chefe reconheça seu talento. Você pode desempenhar suas funções à perfeição. Você pode ser cheio de proatividade, sinergia e todos esses termos bacanas de psicologia empresarial. Talvez você eventualmente ganhe uma promoção. No entanto, se depender só disso é provável que leve tanto tempo que você acabe sendo demitido antes.

Assim, recomendo uma tática de marketing pessoal mais agressiva, citada pelo psicociosoneurólogo corporativo americano Al Make U. Jobless em seu recente livro Blowing your Job: o Fellatio Subinte, conhecido mais popularmente como boquete.

O conceito do Fellatio Subinte é simples: basta uma chupetinha em seu chefe imediato para que ele faça uma indicação à diretoria. Em seguida, será necessário você convencer a diretoria -- usando a mesma estratégia empregada com seu chefe -- para começar a galgar posições. Não desanime se o quadro de diretores for muito extenso: pode reparar que os altos executivos em grandes corporações são todos um pouco dentuços devido ao excesso da prática.

Caso seu chefe imediato seja uma mulher, não se abale: acima dela sempre haverá um homem, pois o ambiente empresarial é profundamente machista. É a atenção dele que você quer. No entanto, não aborde o homem acima dela se ele estiver em cima dela, já que provavelmente o interesse dele em seus argumentos não será dos maiores. Evite reuniões, para evitar distrações. O ideal são almoços, jantares ou torneios de golfe.

Com o passar do tempo, a tendência no Fellatio Subinte é a reversão: conforme você sobe na empresa, a quantidade de boquetes recebidos tende a subir, chegando a se igualar e, eventualmente, superar a de pagos. Este é o chamado ponto ótimo (mesmo), normalmente acompanhado de um poder absoluto de acumulação de riquezas e delegação de tarefas -- ou seja, enquanto os outros trabalham, você lucra.


Armando Peixada é consultor empresarial e não cospe, engole.

13 de out. de 2008

Parem as rotativas! A crise chegou

Cento e oitenta jornalistas acabam de ser demitidos do jornal mexicano El Centro. Notícia fúnebre fresquinha, que chegou há cinco minutos via tecnologia yankee, direto da redação latina que vai fechar as portas. Do aquário veio a sentença: como resultado da crise estadunidense, o jornal já não tem recursos para comprar papel – artigo de luxo para bolsos latinos pilhados, cujo preço disparou nas últimas semanas.

Um jogo divino


Para todos aqueles que, como eu, acham essencial para a sanidade um pouquinho de guerra contra toda e qualquer religião, um joguinho de computador bíblico. Genial.

Audiência pública pró-conferência de comunicação (Alerj)

No próximo dia 17 de outubro, sexta-feira, às 10h, na Alerj, acontecerá uma audiência pública Pró-Conferência Nacional de Comunicação. Os temas debatidos serão: a renovação das concessões de rádio e tv no Estado, a necessidade de um novo marco regulatório para as comunicações e a importância da realização da conferência. No mesmo dia será realizada uma manifestação pública na Praça XV. Outras capitais também realizam atos públicos, debates e seminários neste dia. Serão colhidas assinaturas para o abaixo-assinado que pede a realização da Conferência. A organização do evento é das mais de 30 entidades da sociedade civil que formaram no Rio de Janeiro a Comissão Pró-Conferência de Comunicação.

Segundo o blog da Comissão, "a audiência acontece em um período em que as concessões de importantes emissoras de televisão (TV Globo, Bandeirantes e Record, entre elas) ainda não foram renovadas. Fruto de uma articulação de diversas entidades nacionais, a renovação automática dessas concessões foi suspensa na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, o que representa uma oportunidade para se debater novos critérios e procedimentos para a exploração comercial dos canais de televisão, concessões públicas fornecidas pelo Estado em nome do povo brasileiro. As renovações só poderão acontecer após a realização de audiência pública no Congresso Nacional, prevista para novembro".

Segue a programação completa das manifestações, no Rio e em Niterói:

17 de outubro
10h às 13h, na ALERJ (Sala Nelson Carneiro): Audiência Pública Pró-Conferência Nacional de Comunicação: Marco Regulatório e Renovação das Concessões.Convidados: Gilberto Palmares (vice-presidente da Alerj), Jorge Bittar (Deputado Federal), Celso Schroder (FNDC), Orlando Guilhon (ARPUB), Gustavo Gindre (Intervozes), Mauricio Azedo (ABI), representantes do Minicom, Casa Civil e Abert.

14h30 às 17h, na Praça XV: Uma vídeo-cabine da TV Comunitária Niterói vai colher depoimentos de populares e representantes de entidades sobre temas relativos à democratização da Comunicação.

16h30, na Praça XV: Teatro do Oprimido

17h, na Praça XV: Ato público

21 de outubro
16h: Ato público em Niterói colhe assinaturas para o abaixo-assinado da conferência.

18h, no DCE da UFF: exibição do filme Encontro com Milton Santos / O Mundo Global Visto do Lado de Cá, de Sílvio Tendler, seguido de debate com a professora Adriana Facina sobre a influência da globalização na comunicação e na cultura. Logo após, o Sindipetro-RJ fará a palestra de lançamento do comitê contra a Privatização do Petróleo e Gás.

24 de outubro
17h, na Câmara dos Vereadores de Niterói: Debate sobre digitalização e a comunicação pública, com o engenheiro do CPQD Takashi Tome

8 de novembro
9h às 18h, no Clube de Engenharia (Centro do Rio): Seminário Pró-Conferência Nacional de Comunicação

Mais informações: www.rioproconferencia.blogspot.com

Continuando a campanha eleitoral...

Li este post hoje no Player, um dos blogs do Globo Online, assinado por Rodrigo Pinto, parece que é editor de cultura lá. E como a temática Cultura nos é cara aqui, vai a análise do jornalista. O candidato é Eduardo Paes e o tema é, mais uma vez, mas não só, a Cidade da Música.

http://oglobo.globo.com/blogs/mpb/default.asp#132066

Do eterno embate entre escritores e leitores

"Não gostou da moça sentada ao seu lado e o ofendia ver como ela lia às pressas e desatentamente as páginas que lhe haviam custado tanto esforço. Seu impulso era arrancar o livro das mãos dela e sair correndo com o volume para o outro lado da estação."
Paul Auster, A trilogia de Nova York.

12 de out. de 2008

Dia das Crianças (homenagem a Vinícius)

Vou seguir o tema das últimas postagens e continuar na música. A homenagem, dessa vez, é pra Vinícius de Moraes, e graças ao meu filho Antônio. Ontem, depois de cantar "A casa", "O ar (O vento)" e "O pato", ele me disse:
- Mãe, quero conhecer Vinícius de Moraes e Toquinho.
Inocentemente, respondi:
- Filho, Vinícius já morreu.
Passada uma hora e meia de tristeza (parecia ter perdido um avô querido) e só depois que prometi mostrar a ele alguns vídeos em que Vinícius aparece, Antônio resolveu o problema:
- As pessoas aqui no Brasil não sabem, mas Vinícius não morreu, ele agora mora na China.

Em nossa pesquisa no Youtube, além do musical "A Arca de Noé", exibido pela Rede Globo em 1980, encontramos este curta sobre o poetinha, feito por Fernando Sabino e David Neves, e lançado recentemente em DVD (Encontro Marcado com o cinema de Fernando Sabino e David Neves) pela Biscoito Fino:

11 de out. de 2008

A beleza do samba



Ele não é meu compositor preferido, nem mesmo entre os compositores mangueirenses.

Mas um dos vários méritos de Cartola – centenário hoje – há de ser reconhecido aqui: em todas as suas composições, a beleza é o que há de mais emblemático. Seja quando fala de Deus, da dor-de-cotovelo, do tempo que passou, de sua Estação Primeira ou de uma improvável alegria (“Era o que faltava em mim...”).

Numa dessas metáforas para tentar simplicar as coisas, uma vez um amigo me disse que ele é como Michelangelo (preciso nas proporções e na clareza do que retrata), enquanto Nelson Cavaquinho seria uma espécie de Picasso – buscando outro tipo de beleza, menos clássica, mais “torta” e às vezes até chocante.

Cartola não fez sambinha. Não que este diminutivo tenha qualquer conotação pejorativa: os sambinhas buliçosos – ligeiros, maliciosos e dançantes – têm sua vez em repertórios “acima-de -qualquer-suspeita”, como os de Geraldo Pereira ou Dorival Caymmi.

Entre os sambas grandiosos de Cartola estão algumas composições eternas, como Acontece, Sim, Divina dama e este que, desprovido de meias-palavras, é para mim sua obra-prima. Salve mestre Cartola, salve a Mangueira!

O mundo é um moinho
Cartola

Ainda é cedo , amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo
O rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a sua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonho tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

PS: Como Cartola, Nelson Cavaquinho também era de outubro, mas do dia 29. Aliás, Pelé (23) e Garrincha (28) também. Mês danado...!

10 de out. de 2008

La misionera




Esta semana tive o imenso prazer de ter alguns (pouquíssimos) minutos de conversa com a cantora Mercedes Sosa, uma das mais importantes divas da América Latina. Que figura doce, cheia de amor para dar ao mundo, nos olhos uma sabedoria profunda da realidade que a contorna. Jamais esquecerei o abraço que ela me deu, seu cheirinho de avó com talco. Público abaixo matéria publicada ontem no Jornal do Brasil, para o qual trabalho. A matéria foi escrita com a ajuda precisa de amigos deste blog, com destaque para informações de Pedro Paulo Malta.


Ícone da canção de protesto, Mercedes Sosa recebe Ordem do Mérito Cultural e defende com veemência líderes controversos como o boliviano Evo Morales


Monique Cardoso


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez lobby para sua condecoração e até escolheu pessoalmente o repertório que a diva argentina Mercedes Sosa cantaria, anteontem à noite, na cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural, na qual foi uma das homenageadas. Mas não a viu cantar. Por razões meteorológicas, seu avião não pôde decolar e o presidente não compareceu à festa. Em entrevista ao Jornal do Brasil antes da cerimônia, que durou cerca de três horas no Teatro Municipal, Mercedes rasgou elogios ao líder petista, a quem conheceu durante a reunião de Cúpula do Mercosul em Tucumán, norte da Argentina, sua terra natal e de onde tirou inspiração para suas mais importantes canções. Apesar da saúde frágil, que faz com que se apresente sentada, a cantora, 73 anos, cumpre este mês longa agenda em países da Europa e em Israel. Em novembro, volta ao Brasil para show no dia 28 de novembro, no Vivo Rio.


– É um orgulho muito grande receber esse prêmio do Brasil. – exalta Mercedes, confirmando a escolha do repertório pelo fã ilustre: – Ele pediu para eu cantar Gracias a la vida e Misionera.


Elo forte do país, desde os anos 60, com a cultura dos povos indígenas e o folk argentino, aspectos culturais de sua sagrada Tucumán, Mercedes Sosa continua a levar ao palco, mescladas a músicas de amor, letras que falam das mazelas da América Latina. Resquícios do movimento Nueva Canción, cujas músicas de protesto influenciaram a MPB nos anos 70, principalmente nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, entre outros.


– Minha vida é sacrificada. Continuo viajando com freqüência, mas as pessoas querem me ouvir. O que eu sofro não é nada. Este continente é enorme, muita coisa mudou desde as ditaduras, mas onde quer que eu vá sempre vai haver aquela gente pobre, humilde, que não tem o que dar de comer aos filhos, que não tem onde tomar um banho ou fazer sua higiene, que não tem trabalho. Então eu não posso abandonar esta temática. Esta é a realidade.


Vítima da repressão durante a ditadura argentina, La Negra, como é chamada carinhosamente por causa do tom dos cabelos, tornou-se respeitada ativista de esquerda. Hoje não pode mais liderar panelaços e protestar com as Mães da Praça de Mayo. Por isso, não dispensa o noticiário.


– Acompanho tudo o que posso pela TV. Sei exatamente o que está se passando no Brasil, no Chile, no Uruguai. De todos os países, o Brasil sem dúvida é o que conseguiu estabelecer uma democracia mais forte nos últimos 20 anos e não pode deixar que crises econômicas a enfraqueça – aconselha.


Mais recentemente, seu discurso político voltou com toda a força para apoiar a presidente Cristina Kirchner. A cantora também defende as posturas adotadas pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia. – Defendo a Cristina, Michele Bachelet (presidente do Chile) e demonstrei meu apoio quando Chávez ofereceu enviar tropas para a Bolívia – conta. – É um absurdo tentarem boicotar o Evo, esse homem não merece o que estão fazendo com ele, que foi eleito democraticamente. É um menino muito bom. Em Tucumán estava lá, com toda a simplicidade, jogando bola com as crianças.


A cantora lançou seu último disco, Corazón libre, há três anos. Se, nas décadas de 70 e 80, estabeleceu parcerias com Milton Nascimento, Fagner e gravou diversos compositores brasileiros, como Chico e Caetano, hoje conta com o acordeonista gaúcho Luiz Carlos Borges (autor de Misionera), que a acompanha em turnês pela Europa. – Amo tudo o que vem do Brasil. Continuo cantando Coração vagabundo, de Caetano Veloso em meus shows, mas num portunhol que nunca termino de aprender.

9 de out. de 2008

Machado de Assis na WWW

A dica foi da minha amiga Pâmela:

A obra completa de Machado de Assis está disponível na internet, no site do Ministério da Educação. Além dos 246 arquivos de romances, contos, poesias, crônicas, etc., há informações introdutórias sobre a vida e a obra do autor, links para teses e dissertações baseadas em sua obra, um espaço para os leitores e pesquisadores postarem comentários e um vídeo produzido pela TV Escola.
O projeto é resultado de uma parceria entre o Portal Domínio Público - a biblioteca digital do MEC - e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Lingüística (NUPILL), da Universidade Federal de Santa Catarina.

A HISTÓRIA DAS COISAS



INDICAÇÃO: G8GLOG

Utilidade pública

Eles estão aí pra te PEGAR!
A invasão de zumbis deve ser uma das principais preocupações das grandes metrópoles atualmente. Não se pode dizer que estamos preparados para um acontecimento desses; a morte (e conseqüente zumbificação) de grande parte da população pode ser dada como certa. Felizmente, um pessoal aí (com quem estou fazendo uma entrevista, aguardem informações posteriores) já divulgou na internet um vídeo (em ingreis) do que fazer. Pra estimular o aprendizado, o vídeo é interativo: assim você já sabe que, se tomar a decisão errada, pode morrer -- ou ter seu célebro devorado.

8 de out. de 2008

Diálogos de campanha (ainda no 1º turno) - e uma pergunta

No sacolão volante, estacionado na Pacheco Leão, Horto.

_ Esse Crivella não pode ganhar.
_ Ah, não mesmo. Não voto nele de jeito nenhum, aquele povo evangélico...
_ Você vai votar em quem, então?
_ Ah, eu voto naquele menino, ele é muito bom, honesto.
_ Quem, o Eduardo Paes?
_ Não, no Gabeira, ué.


Numa janela da São Clemente. Uma carreata do Molon passava na rua, com quase ninguém atrás. E a menina Sofia, de 2 anos e 10 meses, pergunta:

_ Mamãe, o que aquele moço tá fazendo em pé no carro, dando tchau?

*****

A pergunta: vocês acham que as fotos do "menino" Gabeira de sunga podem tirar votos do candidato verde?

Ovelhinhas



Você se assustava com a menina pastorinha? Eu também. Até descobrir hoje o "bebê pastor". Afinal de contas, o que já é ruim sempre pode piorar:

Eduardo Paes e a milícia



via Pedro Doria.

7 de out. de 2008

Conversas de escritorio

Menina 1: Acho que voces deveriam assistir a esse video.

Menina 2: Bem-vindos ao futuro!

Menino 1: Nao eh ilegal empregar macacos?

Menino 2: Olhe entao a sua volta.

6 de out. de 2008

Alamedas

Uma vez por ano, sempre naquele dia, ela vinha visitá-lo. Fazia tempo que não estavam mais juntos, mas ambos sentiam dever tanto um ao outro que era necessário, nem que fosse por um dia apenas, que se reencontrassem.

Sentado, sem se importar com os outros passantes, ele a esperava chegar. Viu quando ela apareceu ao longe, vindo devagar pelas alamedas cobertas de folhas secas, trazendo flores nas mãos. Ela gostava de manter aquela formalidade, o que fazia com que ele se sentisse tanto lisonjeado quanto incomodado; jamais se lembrava de dar alguma coisa a ela.

Sorriu quando percebeu que ela continuava linda, tanto quanto na época em que se apaixonaram, mais de vinte anos antes. Ela também sorriu ao vê-lo, iluminando seu rosto antes tenso -- parecia não ter se acostumado a encontrar-se com ele depois de terminado o casamento. Podia sentir o incômodo que a tomava.

Afinal, encontraram-se. Ela lhe entregou as flores e o encarou por um longo tempo. Sabiam que não havia nada a ser dito. Ela havia casado novamente, tido outra filha e arranjado um emprego melhor. Já ele permanecia na mesma situação desde a separação, tantos anos antes, mas nenhum dos dois se importava com isso. Reviam-se, e isso bastava.

Ele percebeu os olhos dela ficarem úmidos e sabia que ela pensava "e se ainda estivéssemos juntos?" Lamentava. Estava tudo acabado, não havia jeito -- quantos mais anos separados seriam necessários para que ela se convencesse? Ele não conseguia entender a razão de tal apego ao passado, de pensar em como seria se tivesse sido, de entristecer-se sem motivo desejando o impossível.

Uma lufada de vento fez com que ela se lembrasse de que devia ir. Fitou-o uma última vez, enxugando os olhos com as costas das mãos, sorriu incerta e se despediu com uma tristeza resignada na voz. Ele, por sua vez, não se mexeu; apenas acompanhava-a com os olhos, vendo-a se afastar com seus passos elegantes sobre as folhas secas caídas nas estreitas alamedas. Ela voltaria, ele sabia. Estaria lá novamente no ano seguinte, no mesmo dia de Finados, trazendo-lhe suas flores. E ambos, mais uma vez, lembrariam do tempo em que haviam estado juntos -- como se, por um só momento, pudessem esquecê-lo.

NYTimes sobre "Ensaio sobre a cegueira"

Não tenho acompanhado tudo que tem sido escrito sobre o filme Ensaio sobre a cegueira. Mas achei interessante essa crítica do New York Times, que bate, principalmente, no livro do José Saramago.
Tenho restrições ao livro, mas o que mais me impressiona é que o NYTimes praticamente diz que o livro é ruim porque é alegórico, isto é: porque não é realista. Para o jornal, o que importa são os "seres humanos reais" (o que é isso, exatamente?; algum livro ou filme fala realmente de "seres humanos reais"?). Como bons apóstolos de Syd Field, os críticos costumam avaliar negativamente todo e qualquer filme (e, claro, todo livro, ora pois) que não obedeça à máxima de que "toda ação do personagem deve ser justificada pela construção psicológica desse personagem". Isso, para eles, não é um "universo mecânico"...
Por fim, nos diz o crítico, "o filme [Blindness] não nos dá muito o que pensar". A mim, dá muito o que pensar (como, p. ex., que m... afinal é o "ser humano"), ao contrário desse realismo onipresente em filmes como Menina de ouro (Clint Eastwood) e livros como Pastoral americana (Philip Roth), que todos aplaudem sem restrições, mas que para mim parecem aula de educação moral e cívica.
Conclamo algum caroço com maior sensibilidade cinematográfica a falar sobre o filme...

5 de out. de 2008

Cesar Maia acha que vai dar Gabeira

Se a campanha eleitoral foi morna, o dia de votação está quente no Rio de Janeiro. Daqui a pouco começam a sair as pesquisas de boca de urna. Apressadinho, o prefeito-internauta Cesar Maia já botou seu data-blog na rua. Previsões - baseadas em quê, Deus!!!??? - são favoráveis ao candidato Fernando Gabeira. reproduzo na íntegra o conteúdo que ele publica em forma de newsletter, conhecida como ex-blog.

DATA-BLOG VAI AS RUAS NO SÁBADO E GARANTE GABEIRA FÁCIL NO SEGUNDO TURNO!

1. Gabeira chegará aos 20% e Crivella ficará nos 14%, aliás, previstos desde o início da campanha por este Ex-Blog.

2. O Ibope -confessando os erros- fez um gigantesco ajuste em uma semana. A diferença de 14 pontos passou a ser de 2 (19% a 17%). Mas para fazer essa mágica e se justificar, o Ibope disse que fez uma pesquisa com 1.200 entrevistas durante três dias: quinta, sexta e sábado. Com isso dirá que havia uma curva ascendente de Gabeira e que os três dias mitigaram esse resultado.

3. O Data-Folha fez a pesquisa entre sexta e sábado e deu Gabeira na frente: 18% a 17%, com 2 mil entrevistas.

4. Mas os experimentados entrevistadores do Data-Blog foram para a rua no sábado e entrevistaram 1.200 pessoas por toda a cidade. Na quinta-feira haviam apontado 17% para o Gabeira e 15% para o Crivella projetando pelo menos 3 pontos de diferença no hoje.

5. Mas ontem o Data-Blog fez primeiro uma pesquisa efetivamente espontânea. Gabeira teve 17% e Crivella 10%. Paes teve 22%. Ainda tinham 36% de não-voto (brancos-nulos-indecisos).

6. Na pesquisa de ontem, de intenções de voto induzidas, Gabeira teve 20% e Crivella 14%, numa enorme vantagem muito além da margem de erro. A curva ascendente de Gabeira traduz um movimento de contaminação de voto que pode ampliar esta diferença.

3 de out. de 2008

Que mistérios tem Clarice?

“E um dos indiretos modos de entender é achar bonito.”

Tinha acabado de entrar na exposição sobre Clarice Lispector no Centro Cultural Banco do Brasil e pensava justamente na dificuldade que sempre tive de “entender” a escritora. Tenho vários livros, tentei ler alguns deles, mas sempre fui abandonando a leitura pelo caminho, um a um. No entanto, ao entrar na primeira sala e me deparar com as fotos e algumas de suas frases era como se aquilo que estava lendo e admirando fizesse todo o sentido para mim, desde sempre.

Foi quando me deparei com a frase lá em cima.

Estive lá no domingo, mais um dia chuvoso no Rio e, pelo que eu tinha lido, o último para se conferir a exposição, que já tinha feito o maior sucesso em São Paulo. Foi uma surpresa atrás da outra. Além de achar as soluções cenográficas perfeitas para se ler Clarice, gostei muito de entrar em contato com o universo mulher da escritora. Numa entrevista, que assisti sentada no sofá, ao lado da máquina de escrever usada por Clarice, ela explica que “é muito maternal” e que, portanto, tem muito mais facilidade e gosto para lidar com crianças que com adultos.

Nessa linha feminina, um dos documentos expostos que mais me chamou a atenção foi uma listinha de afazeres domésticos de Clarice:
1) Viver melhor as 24 horas do dia (ter mais tempo)
2) Tinturaria cabelo
3) Luvas
4) Café turco
5) Ginástica

1) ...
2) Morangos pessoas de idade
3) ... o menu
4) Vestido preto
5) Dar paz ao rosto (telefonar Wilma)

Desde que casei, as listas com afazeres tornaram-se um hábito indispensável. A gente vai andando pela casa e vê que a pasta de dente está acabando, que o leite só dá para hoje, que o pão está vencido, etc. Se não anotamos nada, corremos o risco de voltar do supermercado sem os itens básicos para a casa funcionar. Clarice, mãe de dois filhos, mulher de diplomata, escritora famosa, não era diferente.

Em outro trecho da tal entrevista, ela fala também de seus livros e do rótulo de “hermética”. E conta, deliciosamente, que um professor de literatura de um colégio famoso no Rio disse que não conseguiu entender um de seus livros. Emenda revelando que o mesmo era o livro de cabeceira de uma moça de 17 anos, que a abordou para contar a história.

Saí da sala de exposição, depois de me deliciar com as cartas enviadas por e para Clarice, de gente como Rubem Braga, Lúcio Cardoso, Paulo Mendes Campos, Érico Veríssimo, direto para a livraria da Travessa do CCBB. Se a menina de 17 anos compreendia, já era a minha hora de comprar e tentar ler “A paixão segundo G.H. Para minha surpresa, o livro citado por Clarice no vídeo estava esgotado ali. Sinal de que muitos leitores, como eu, já estavam tentando penetrar ainda mais no reino das palavras da autora de “A hora da estrela”.

OBS: Esse texto também foi publicado no meu novo blog. Tentei escrever algo que valesse para os dois lugares, com o objetivo mesmo de linkar aqui no Caroço o meu novo endereço no mundo blogueiro. O Lameblogadas II ainda está em fase de arrumação e faxina geral, mas acho que já posso fazer o open house.

2 de out. de 2008

Jogando pesado, mas com jeitinho


Entrei no orkut hoje e dei de cara com a seguinte mensagem, no painel principal, logo abaixo da minha sorte do dia: "Uau, você está usando o Google Chrome! Cuide dele direitinho".

O navegador da Google, lançado no início de setembro, de fato caiu no meu gosto, mas nessas horas me bate aquela nóia séria de que os caras vão dominar o mundo e eu estou batendo palma pra maluco dançar.

A linguagem despretensiosa e descontraída não passa batido, não vem de hoje e de inocente não tem nada. Todos aqui já tivemos o privilégio de, após uma tentativa fracassada de acesso ao orkut, ler as mensagens engraçadinhas do tipo "bad, bad server".

Isso me lembra uma entrevista que assisti, há mais de 10 anos, com um professor de marketing que dizia que a capacidade das empresas de conferir humanidade à frieza do computador definiria a disputa por clientes e usuários na Internet - e ele exemplificava esse pensamento com profecias estranhas, como a invenção de mecanismos para medir a sensibilidade do toque nas teclas, que por sua vez ativariam o envio de mensagens correspondentes à sutileza ou falta de na hora de teclar, do tipo "ai, porra!" ou "hum... assim que eu gosto".

O tal do professor acertou. Essa tendência de tecnologia/internet humanizada aparece não só no diálogo engraçadinho com o usuário do orkut, mas está também no azul bebê que ambienta a rede de relacionamentos, cor do aconchego, que induz a uma certa hospitalar letargia.

Teorias conspiratórias à parte, na semana em que a Google anunciou o Chrome, a Discovery Brasil exibiu um programa sobre a Internet e a guerra dos navegadores, travada entre 1995 e 1999. O documentário vale muito à pena (faço ressalvas, mas mesmo assim vale) e nos dá uma boa dimensão do que representa um navegador a mais no mercado.

PS - A imagem do post eu tirei daqui. Porque o mundo é dos nerds e dos geeks.

RELATO DE VIAGEM - SOBRE AGRICULTURA E AGRICULTORES (PARTE 1)

26 de Agosto de 2008


Depois de aproximadamente seis horas de viagem, partindo de Campina Grande, chegamos à pequena cidade de São José de Piranhas, situada no sertão da Paraíba, aos pés da Serra do Monte Horeb. São dez horas da noite, a temperatura é amena, os hotéis estão todos cheios, funcionários de uma empreiteira responsáveis pela duplicação das redes de transmissão elétrica ocuparam todos os lugares. Pego o telefone celular e tento ligar pra casa, não tem sinal. Damos uma volta pela praça, a cidade parece estar em “polvorosa”. Estamos em ano eleitoral e, em alguns dias, será instalada uma antena para celular. Não se fala em outra coisa. Cansados, fomos muito bem recebidos na casa de um amigo, Weggles.

Na manhã seguinte, depois de um farto café da manhã, conheço melhor a cidade. Uma grande praça em frente a Igreja, com direito a coreto,bares e tudo. A vida social da cidade está na praça. Um bom comércio, ruas limpas e organizadas. Mulheres bonitas em toda parte. A economia local gira em torno da agricultura, do funcionalismo público e de aposentadorias. Na produção agrícola destacam-se as culturas de arroz, fava, feijão, milho, gado. Com cerca de 20 mil habitantes a disputa eleitoral é acirrada, e como dizem por lá, “ tá quente como boca de caieira!”. Dia e noite, carros de som fazem propaganda para os três candidatos a prefeito, disputando numa “briga sonora” os ouvidos e os votos dos eleitores. Mas durante alguns dias, um carro com uma chamada diferente destacava-se dos demais, convidando os cidadãos a participarem do “Dia de Beneficiamento de Algodão Agro ecológico Colorido”, na comunidade de Lagoa de Dentro. Uma grande faixa colocada na entrada da cidade também dá destaque ao evento.

Desde 2003 foi instalada na comunidade de Lagoa de Dentro uma mini-usina para o beneficiamento do algodão que é produzido na região, tornando-se assim a "comunidade núcleo" de um pólo produtor que aglutina as comunidades de Pereiros (município de Bonito de Santa Fé), Sítio Barreiros (município de Cajazeiras), Redondo (em Cachoeira dos Índios) e Espinheiro (em Aurora - CE).

A cotonicultura vem sendo reintroduzida na região depois de anos de decadência, em decorrência do aparecimento da praga do bicudo e da abertura do mercado brasileiro à competitividade internacional na década de 90. A iniciativa partiu de um projeto do COEP (Comitê de Entidades no Combate a Fome e Pela Vida- www.coepbrasil.org.br) em parceria com a Embrapa, Chesf, UFRJ/Coppe. Um dos objetivos iniciais do projeto era geração de renda e agregação de valor ao produto na agricultura familiar.

O beneficiamento é um processo que permite que o algodão em rama seja separado em pluma e caroço, prensado em fardos e vendido diretamente para fábricas de fios, sem passar pelos atravessadores. Assim, alcança um preço melhor de mercado, deixando o lucro com os agricultores.

(Continua...)