26 de out de 2008

Vida que segue



Terá cura a ressaca eleitoral?

Pois, além de termos que digerir Eduardo Paes até 2012, ainda tem a constatação de que venceram os panfletos apócrifos, a imundice nas ruas, as pegadinhas nos debates, os “militantes” contratados.

Fica uma sensação de Copa de 82. Do futebol de Sócrates, Zico, Falcão e cia. que não foi páreo para a Itália de Paolo Rossi. Depois daquilo, a eficiência da defesa ganhou importância, ditando o padrão do futebol que passou a ser praticado em todo o mundo. Jogar feio deixou de ser pecado, afinal, poderia render um troféu.

“Que nem nossa seleção de 94”, sublinhou a mãe do Francisco (agora tomando parte das discussões futebolísticas!), ontem à noite, durante minha torcida para que o "modelo Paes" de campanha não vingasse.

Para não dizer que só falei de flores, a campanha de Gabeira também teve seus Chulapas, a começar pela canelada na vereadora Lucinha (que marcou o início da campanha no 2º turno). Aind'assim, é um tanto precipitado atribuir a derrota à frase infeliz do candidato verde, até porque frases infelizes não faltaram ao prefeito eleito...

Alguém aí tem um Engov?

PS: A foto do pôste, de Reginaldo Manente, ilustrou a primeira página da Folha da Tarde em 6 de julho de 1982 - dia seguinte ao Itália 3 x 2 Brasil da Copa de 82. Mais sobre a foto
aqui.

10 comentários:

Marcelo Moutinho disse...

Perfeita a analogia com as copas. Uma tristeza.

Gardênia Vargas disse...

É, tá difícil de engolir...

Andressa Camargo disse...

Pois é... muito triste. Difícil lidar com a idéia de que talvez tenhamos jogado no ralo qualquer possibilidade de renovação.

Acho impressionante o eleitorado cair nessa conversa dos benefícios da parceria entre governo federal, estadual e municipal. Afinal de contas, se nosso presidente e nosso governador estão tão afundados nessa lama toda, qual é a vantagem de dar a eles mais um aliado?????

E o pior de tudo é o seguinte: a gente não pode nem dizer que o Rio não está aberto a esse discurso novo. Afinal de contas, metade da cidade estava esperançosa.

Ô dó!!!

Miragaya disse...

Sensacional Pepê. O gosto da ressaca por conta de metade de um Maracanã está muito mais amargo que aquele dia seguinte de Sarriá.

Mas acho que a derrota vai além do episódio Lucinha. A tucanada inoperante demorou a dar apoio de fato à aliança (não sei se vcs lembram mas no início da campanha, ainda no primeiro turno, vários caciques do PSDB estavam apoiando justamente o rapazinho da Barra).

Além disso, o sujeito das UPAs usou e abusou da máquina pública, foi o que mais gastou na campanha e a mídia, como sempre, ficou do lado dele. Lamentável.

Agora é aturar mais um demagogo populista da laia do Cesar Maia, pois não se enganem: Eduardo Paes vai seguir direitinho a cartilha do atual prefeito (?), só que agora de mãos dadas com Sergio Cabral, Lula e cia.

Ah, mas pelo menos vivemos numa democracia... que venha a próxima epidemia de dengue...

Olívia Bandeira de Melo disse...

Não sei a mídia como um todo, Fernando, mas O Globo apoiou o Gabeira, né?

Miragaya disse...

Vc acha Lili? A repercussão da declaração doGabeira sobre o subúrbio ganhou proporções em série no Globo e no Dia. Com um enfoque que ressaltava o teor preconceituoso das declarações. Acho que a mídia só ressaltou a tal da onda verde com destaque porque não tinha outro jeito, já que a subida do Gabeira foi quase meteórica.

Olívia Bandeira de Melo disse...

Sei não, Mira. O Gabeira com apoio do PSDB e de 70% da Zona Sul não me parece representar grandes ameaças aos "poderes constituídos". Algumas esperanças, mas não grandes revoluções, infelizmente.

Andressa Camargo disse...

Lembro que o Globo deu quase meia página para a indignação da Lucinha. Deixava ela falar, falar, falar e fazer um baita papel de vítima. A coisa cresceu muito ali. Não sei se o jornal estava tão do lado do Gabeira assim! Afinal, foi um repórter do Globo que ouviu a tal conversa no telefone e publicou a frase do Gabeira com ares de grande notícia. enfim...

Cláudia Lamego disse...

Uma dúvida: a declaração de Gabeira não era notícia? Se vocês fossem editores, e soubessem de uma notícia não publicariam se ela fosse desfavorável a um político de sua preferência? Sei não, vocês estão enxergando coisa onde não tem. Não vou entrar no mérito se o Globo é anti-Gabeira ou não, porque isso é um exercício muito vazio, na minha opinião. Quem definiu a vitória de Eduardo Paes no Rio não foi exatamente o eleitorado que lê jornal. Assim como quem deu a vitória a Lula em 2006. O Gabeira foi Gabeira o tempo inteiro. Isso o prejudicou, mas o manteve como figura ética e contra o que há de mais podre na política.

Ah, não foi só o repórter do Globo que ouviu e publicou a história. Tinha mais dois com ele.

Olívia Bandeira de Melo disse...

Concordo com a Clau. O jornal dar uma notícia dessa não é fazer campanha contra o Gabeira. Continuo achando que, ao contrário, o jornal fez campanha a favor.