31 de ago de 2008

Leitores, espectadores e internautas

Acabei de postar o texto anterior e me dirigi a uma livraria, para comprar mais um livro para o mestrado. Enquanto aguardava o vendedor trazer o exemplar, chamou-me a atenção, entre as centenas de livros das prateleiras, uma lombada fina, num tom de azul que já está sendo chamado, na gíria dos mais jovens, de "azul Orkut". (Aliás, fica a dica para as editoras. Deve ser uma boa estratégia de visibilidade imprimir títulos com as capas azul Orkut, verde MSN ou na estética clean do Google.)

Trouxe para casa, além do que fora comprar, Leitores, espectadores e internautas, recém-lançado livro de Néstor García Canclini que, a meu ver, continua o assunto do post anterior, que se pretendia mais focado nas formas de ler do que na questão do tempo, como preferiram os leitores que deixaram comentários.

O livro é composto de pequenos fragmentos ensaísticos, organizados em ordem alfabética, que nos remetem a noção de hipertexto. Podemos ler os textos em qualquer ordem, ir e voltar. Não há, também, uma pretensão em oferecer respostas, mas um incentivo a que façamos perguntas, como sugerido pelo autor no fragmento "Dicionário": "Não seria mais útil um dicionário dedicado a focalizar pequenas partes e dizer algo que se pudesse saber de cada coisa? Poderia acompanhar cada palavra só com perguntas. Cada artigo seria uma breve entrada na penumbra ou na claridade de um momento ou, ainda, a expressão de estranheza produzida ao ver-se iluminado esse fragmento. A melhor definição não buscaria somar-se a outras para ir ampliando o panorama do saber, mas, sim, tornar visível o que brilha por uns minutos. Também o que fica interrompido ou oculto entre uma definição e outra. Trabalhar com noções embora ainda não sejam conceitos, essas que usamos apesar de não estarem no dicionário".

São várias as perguntas que somos incentivados a fazer, pensando a globalização no que tem de dominação e de resistência, mas quero me deter só na questão que dá título ao livro. Que novos hábitos culturais, que novos tipos de experiências acontecem agora que somos, ao mesmo tempo, leitores, espectadores e internautas? Ou a partir de que critérios devemos pensar esses novos hábitos culturais agora que somos leitores de livros, revistas, quadrinhos, legendas de filmes, cartazes publicitários, bulas de remédios, blogs, e-mails e mensagens de celular?

Canclini, questionando teóricos críticos da comunicação, elogia as formas de resistência que se desdobram em "ações espetaculares"; pergunta a quem não serve ser internauta, já que convivem no espaço virtual novas formas de sociabilidade e de se fazer política, junto a novas formas de transtorno e destruição; apresenta pesquisas feitas em vários países do mundo que mostram que as formas tradicionais de leitura e a leitura na internet, ao invés de se excluírem, se complementam (os dados apresentados batem com resultado da pesquisa "Retratos da leitura no Brasil", lançada recentemente pelo Instituto Pró-Livro).

Se somos, ao mesmo tempo, espectadores, leitores e internautas, "por que as campanhas de incentivo à leitura são feitas só com livros e tantas bibliotecas incluem somente impressos em papel?"



O volume foi editado pela Iluminuras, dentro da coleção "Os livros do observatório", parte do projeto Observatório Itaú Cultural, beneficiado pela Lei de Incentivo à Cultura do MinC. Esses dados são relevantes se pensarmos que uma das críticas presentes no livro é exatamente a mercantilização cada vez maior da cultura. Chamam a atenção, a meu ver, para algumas das contradições de nosso tempo. A crítica à globalização econômica ganha voz através de um dos maiores símbolos e beneficiários deste processo, um banco privado. Além disso, chama atenção uma fato já questionado por mim algumas vezes neste blog: o dinheiro público subsidiando as ações sociais e culturais (diretamente ligadas às ações de marketing) das empresas privadas.

28 de ago de 2008

Pedido aos leitores

Oi. Como vão? Eu ando bem, obrigada, embora com algumas preocupações, nada demais, típicas dos dias que correm. Também estou com um pouco de dor nas costas, nada que a yôga não cure.
Leitores, preciso explicar porque comecei este texto cumprimentando vocês. Absolutamente, não me sinto muito sozinha, mas tenho um pedido a fazer, lá no último parágrafo.
Pra início de conversa, proponho que conversemos sobre LER. Não, não quero falar sobre Lesões por Esforço Repetitivo, tão em voga, mas sobre um hábito gostoso de juntar letras, sílabas, frases em textos que recriam o mundo no papel, nos muros e nas inúmeras telas digitais. Por onde começar?
Será que devo iniciar com clichês, dizendo que ler é uma aventura, que a leitura desperta emoções inimagináveis e que nos apresenta lugares e personagens fascinantes, além de servir como distração e acumulação de saber? Ou devo procurar uma maneira mais original pra iniciar esse debate?
Não importa. Essa não é a questão a que quero chegar. Se, até o final do texto, for atingida por uma inspiração súbita e conseguir dizer o que é a leitura em uma frase espetacular, digna de orelhas de livros e espaço em citações, retorno a esse ponto. Caso contrário, fico por aqui mesmo, na simplicidade de um post.
Bem, me aflige, ultimamente, a falta de tempo para ler ficções. Entre panfletos com propaganda, e-mails e recados na geladeira, sobra algum tempo para a leitura do jornal, de uma ou outra revista, de três ou quatro blogs conhecidos e dos textos teóricos, obrigatórios na nossa eterna formação. Os romances, contos, poesias, que desejava estivessem religiosamente ao meu lado, só encontro nos fins de semana, férias e feriados alternados. A sorte é que ando recebendo, por e-mail, doses semanais de poesia, vindas de um escritor chamado Henrique Rodrigues.
Às vezes, penso que a culpa deste incômodo seja da minha curiosidade mórbida por ler o desnecessário em detrimento das delícias que gostaria de estar devorando. Mas as dicas da Madame Natasha para agarrar um homem em 24 horas e as piadas virtuais me divertem enormemente. Por favor, se alguém tiver a brilhante idéia de escrever um livro com o título “Como organizar seu tempo – dicas para conciliar obrigações e divertimentos dormindo 8 horas por noite”, mande-me um exemplar e eu prometo que largarei tudo para lê-lo e divulgá-lo.
Já que ainda não há (ou há?) um livro com o tema proposto, a ciência poderia apresentar a mágica solução. Inventa tanta coisa para facilitar a vida, em ritmo cada vez mais acelerado, poderia inventar a ginástica instantânea, a máquina para limpar a casa em dez minutos, o robô que trabalha no lugar do dono, o chip para aprendizado automático. E onde estão os sindicatos para conter a corrida desenfreada de quem trabalha cada vez mais, não importa a hora e o lugar? Só assim poderíamos desempoeirar os livros esquecidos nas estantes, comer poemas ao meio-dia e, claro, devorar as bulas de remédio.
Outra explicação para essa minha angústia pode ser o vício de tempo que adquirimos. Como cigarro, férias, chocolate, álcool e beijo na boca. Quanto mais a gente tem, mais a gente quer. Pensei até em fundar o T.A. – Tempomaníacos Anônimos, para aqueles que gostariam de viver várias vidas em uma só e reclamam sem parar. O paciente estaria curado quando percebesse que é um só e, portanto, precisa fazer escolhas.
Acabei desistindo, achei que meu esforço poderia ser empregado em outras tarefas.
Mas chega de lamentações. Vou terminar com um pedido. Quem estiver com tempo sobrando, abatido e cansado de tédio profundo, por favor, mande este tempo para mim, por telefone, MSN, fax, e-mail, celular, correio ou Bluetooth. Estarei ligada 24 horas por dia, esperando. Obrigada.

27 de ago de 2008

"O samba está esperando/esperando pra te ver"

A música me uniu ao meu marido. Nos vimos a primeira vez durante uma roda de samba no Bip, em Copacabana. Fomos apresentados duas semanas depois, no Centro Cultural Carioca, depois de um show da Teresa Cristina. Voltamos ao Bip para dar o primeiro beijo e, ao longo desses cinco anos, foram inúmeros os momentos de comunhão ao som de Chico Buarque (ele jura que não escolheu dar ao filho o nome de Francisco em homenagem ao nosso ídolo), Dorival Caymmi, Noel Rosa, Clara Nunes, Paulinho da Viola e tantos outros. Não à toa, eu (que não tive uma formação musical, digamos, adequada) e ele temos a expectativa de compartilhar com o nosso filho essa grande paixão.

Há duas semanas, ao ouvir pela milésima vez o CD dos Saltimbancos Trapalhões, as músicas adquiriram outra dimensão para mim. Chorei, segurando a barriga, e conversando com o neném: "Francisco, eu sonhei muito com o dia em que ia poder dividir a alegria de ouvir essas músicas com um filho e poder ensiná-las a ele".

Em alguns momentos, eu fico pensando se, quando crescer, Francisco vai achar tudo muito chato o que a gente ouve e o que tentou ensiná-lo a gostar também. Imagino às vezes ele gostando de música eletrônica (nada contra, mas não é nossa praia), e achando esse tal de Chico Buarque um ultrapassado. Claro que, se depender de nós, ele vai adorar ir ao Choro na Feira, às rodas no Bip, na Portela, na Folha Seca, ao Bandão da Escola Portátil, aos blocos de carnaval com marchinhas e frevos...

No domingo passado, fomos ao Teatro Municipal ouvir, pela primeira vez ao vivo, aquele que também foi a trilha sonora de muitos de nossos encontros: João Gilberto. A noite é o momento em que nosso filho mais gosta de dar as caras. É chute daqui, mexe-mexe dali. Mas, talvez já conectado com os sentimentos dos pais, ele se comportou como a platéia apaixonada do mestre do samba e da bossa nova: ficou quietinho o tempo inteiro. Acho que gostou. Foi uma boa estréia!

P.S.: O texto acima foi publicado hoje em http://oglobo.globo.com/blogs/mae/

Como nao pensaram nisso antes?

Doeu so de olhar.

24 de ago de 2008

Alguma coisa acontece no meu coração...


A música de Caetano Veloso, que data da época em que o cantor descobriu o mundo enorme que é a capital paulista, precisa ser atualizada. Alguma coisa acontece no meu coração quando vou a São Paulo. Taquicardia. Palpitações. Tudo por que falta ar. Não tenho ido à cidade com a mesma freqüência de outros anos, mas é impossível não perceber como a qualidade do ar e da vida urbana caiu. Sempre vejo no noticiário, ou ouço no rádio, sobre os recordes no engarrafamento paulistano, cento e tantos quilômetros de lentidão, mas comprovar in loco que um trecho de 20, 25 quilômetros demora pelo menos uma hora e meia para ser percorrido foi demais para mim.

Passei dois dias em Sampa a trabalho e fiquei muito mais cansada do que ficaria executando as mesmas tarefas no Rio. A qualidade do ar estava péssima, a umidade relativa do ar baixíssima e todo e qualquer deslocamento demorava o dobro ou o triplo do tempo que usualmente seria necessário em outro lugar, levando em conta o trajeto percorrido. Não sei como as pessoas vivem diariamente expostas a estas condições. O mal estar é inevitável. Há corredores exclusivos para ônibus mas não há coletivos suficientes para tanta gente. Em muitos bairros andar nas calçadas é disputar espaço a tapas com outros pedrestres. A população de rua é muito numerosa, o medo de assaltos está estampado na cara das pessoas.

Aproveitei para conversar com uma amiga que mudou para lá há dois meses. Está muito desanimada em ter de tomar quatro ônibus por dia e gastar três horas para ir e voltar do trabalho. Ela diz: "e olha que não moro longe!". Já estive na capital paulista não me lembro quantas vezes. Não estou falando de violência urbana, mas devo dizer que nunca me senti tão ameaçada por aquela cidade, que parece, a cada esquina, que vai nos engolir.

23 de ago de 2008

DO COMENTÁRIO


COMING TO LIGHT – EDWARD CURTIS AND THE NORTH AMERICAN INDIANS

DIR: Anne Makepeace, EUA, 85 min, 16 mm, 1999

Sinopse: (retirado do catálogo da Sétima Mostra Internacional do Filme Etnográfico)

O filme retrata a vida de Edward S Curtis, brilhante fotógrafo de Seattle que, entre 1900 e 1930, fotografou e filmou os índios da América do Norte. Os descendentes dos “modelos” de Curtis utilizam as fotos para fazer renascer suas culturas e explicar o que elas representam para os índios de hoje.

DO comentário:

Três fatores fundamentais marcam a História específica dos EUA no século XIX, a Guerra Civil, a “Conquista” do Oeste e a Guerra Hispano Americana (que estigmatiza o início do domínio norte americano sobre a América Latina). Um desses fatores, a Conquista, é de suma importância para o entendimento do trabalho de Curtis, que vivenciou parte de um períodos dos maiores massacres da América (1865-1890), o genocídio dos índios norte americanos que, apoiado pelo governo, se torna institucionalizado. Curtis inicia seu projeto de registro nos fins do século XIX, logo após o período dos grandes massacres. Ele talvez tivesse a consciência de que seu trabalho fosse o único registro desses povos. Quando inicia, muitos povos já haviam se extinguido, sido dispersos e divididos em reservas fora de suas áreas originais. A idéia inicial era de registrar fotograficamente todos os grupos indígenas norte americanos e fazer uma enciclopédia, mas ele acaba também se utilizando de câmeras de cinema tentando filmar antigos rituais até então nunca registrados. Não conseguindo, recria esses rituais em estúdio e lança vários filmes no mercado. Suas fotos, grande parte delas são influenciadas pelo Retratismo e Pictorialismo do século XIX. Hoje muitos antropólogos questionam o trabalho de Curtis embora reconheçam seu valor. Muitas vezes, principalmente quando ele parte para o cinema, seu trabalho parece ficar no limite entre a realidade e a ficção, conseguindo de uma forma diferente, diria até mesmo perigosa de atrair a atenção para um tema até então abominado na sociedade americana: a questão indígena.

Navajos, Tupinambás, Cheyennes, Guaranis, Siouxs, Apinajés, Kiowas, Pataxós, Aparahos, Bororos, Cherokees, Timbiras, Creeks, Aymorés, Mohawks, Goitacazes...

São uma pequena parte dos muitos Povos da América do Norte e do Brasil que guardam entre si muito mais do que origem, tradições e histórias, talvez compartilhem do mesmo fim, o fim assistido algumas vezes por Curtis. Uma história que se repete em toda parte... (será?)

O documentário segue uma narrativa linear mostrando que o trabalho e a vida de Curtis se fundem, induzindo durante algum tempo o espectador a ter um pensamento que se confunde com o do próprio Curtis, até que, em determinado momento, começa a trabalhar com elementos que geram um conflito interno. Um desses elementos é o questionamento da veracidade e da validade de seu trabalho, aquilo que era verdade torna-se verossímil. Abrindo espaço para a discussão tanto da fotografia quanto do cinema documental e sua suposta objetividade. Curtis parecia estar absolutamente envolvido por seu trabalho ao ponto de tentar reconstruir realidades que até então já não mais existiam, essa reconstrução é o limite com a ficção.

Conheçam a obra de Curtis!

Marcelo Valle

22 de ago de 2008

Obituário de um sobrevivente

Outro dia, em uma conversa com uma amiga minha da mesma faixa etária (quando começamos a usar faixa etária em vez de idade é claro sinal que estamos ficando velhos), começamos a relembrar coisas da infância e da adolescência. E chegamos a uma conclusão: o pessoal da minha geração sobreviveu, literalmente.

Tudo bem gente, confesso que nasci no então Estado da Guanabara, nos Anos de Chumbo e na meia-vida do AI-5. Assisti a Máquina Tricolor em ação e me tornei Fluminense ao ver o Rivelino entortar a zaga do Vasco. No Maraca, a gente bebia Coca-Cola de máquina e Mate Leão naqueles latões, e ainda comia cachorro quente do Genial, cuja salsicha ficava exposta ao calor de 40 graus. Tudo sem qualquer fiscalização da Vigilância Sanitária. Lembro-me de quando Elvis morreu (mas será que ele morreu mesmo?). Lembro-me quando Cartola, Carmem Miranda, Vinícius de Moraes, Elis Regina, Cecília Meirelles e Garrincha morreram...
Vi pela televisão o Brasil ser campeão moral da Copa da Argentina e o ursinho Micha chorar nas Olimpíadas de Moscou. Joguei Telejogo (o primeiro videogame vendido no Brasil, da Telefunken!) e tomei Ki-Suco, um suco em pó mais artificial que Tang. E chupava balas Banda e Soft, que tinha um formato condenado e amaldiçoado por médicos, pois grudava no meio da garganta e fechava a glote. Mesmo assim, era vendida em qualquer cantina de escola ou barraquinha. Acompanhei o noticiário sobre as bombas na OAB e do RioCentro e comecei a achar que o SNI me vigiava e tinha minha ficha completa.

Pulei de alegria ao ganhar meu primeiro Autorama usado e adorava brincar de bolinha de gude no canteiro do Metrô perto de casa, repleto de ratos e sem qualquer fiscalização. Aliás, os brinquedos da nossa época não tinham qualquer selo do Inmetro e a gente se amarrava em beber a água do Aquaplay, que não tinha qualquer vedação. Cantei o hino nacional todos os dias no colégio. Fui advertido e suspenso algumas vezes na escola por desenhar uma foice e um martelo no quadro-negro. Usei Kichute para jogar bola, com aquelas travas de borracha que eram um verdadeiro crime contra os ligamentos do tornozelo. Peguei fila no cinema Carioca para ver ET (duas vezes!). Joguei Atari e entrava em rios já imundos para pegar pipa. Aliás, para fazer cerol, moía vidro na linha do trem, já que os muros eram mal conservados e qualquer um podia entrar na via férrea...

Comia sem medo os quitutes que a gente ganhava de desconhecidos no Dia de Cosme e Damião. Vivi a expectativa de uma Terceira Guerra Mundial e me assustei com o filme “The Day After”. Lembro da inauguração do Sambódromo... Freqüentei o Circo Voador quando ainda era no Arpoador e me amarrava nos shows “fumaçentos” do Celso Blues Boy. Era rato do “original” Noites Cariocas, no Morro da Urca, onde assisti um monte de bandas de BRock começarem e por onde me entranhei na mata para tentar chegar ao morro sem ter de pagar. Assisti ao Bernard dar o saque Jornada nas Estrelas, no Maracanã. Voltei várias vezes a pé para casa sozinho, às três da matina, na maior inocência e tranqüilidade.

Fui aos comícios das Diretas Já! e fiz panelaço na janela da minha casa. Fui escondido ao primeiro Rock in Rio, ao lado do RioCentro. Vi o Tancredo ser eleito pelo Congresso e morrer (ou ser morto) depois. Testemunhei a inflação diária, quando ia ao supermercado e o preço do macarrão estava Cr$ 1,50 (para quem não sabe, isso é cruzeiro) mais caro que no dia anterior e Cr$ 4,00 mais caro que há dois dias. Vi o Sarney baixar o Plano Cruzado e um monte de gente virar “Fiscal” nos supermercados. Vivi a falta de leite e de carne. Aliás, comi carne estragada da Europa e bebi aos montes um leite em pó holandês Vremilk, especialmente importado (as importações não eram liberadas) para suprir a falta de leite, para depois descobrirmos que a região das vaquinhas fornecedoras havia sido contaminada pelo acidente nuclear de Chernobyl.

Passei e levei cristal japonês no olho, que fazia a gente chorar e, por um milagre, ninguém ficou cego. Usei calça amarelo ovo com camisa de manga comprida vinho da OP e dancei new wave peitando os outros na Mamão com Açúcar, Robin Hood Pub, Mistura Fina e Help (antes de virar um puteiro). Vi pessoas dançarem com as paredes no Crepúsculo de Cubatão. Saí na porrada um sem número de vezes no Maracanã, levei bomba de gás lacrimogênio e cacetete da PM. Brinquei com mercúrio puro (que os dentistas davam para a gente brincar!) e essa porra deve estar no meu sangue até hoje. Dei calote em ônibus. Fumei Salem, um cigarro de menta 300 vezes mais cancerígeno que qualquer outro normal, enquanto meus amigos que não tinham dinheiro nem culhão para comprar loló ou maconha, cheiravam benzina e vomitavam depois.

Joguei pedras em ônibus na manifestação popular na Central do Brasil, em 1988. Bebi vodka Natasha, cerveja Malt 90, uísque Passport e caninha Pitu (sim, menor conseguia comprar bebida e cigarros sem problemas). Fui a todos os comícios do Lula no Rio de Janeiro e votei pela primeira vez para presidente, em 1989, sem medo de ser feliz. Chorei com a vitória do déspota de Maceió, com a queda do Muro de Berlim e com a Coca-Cola na China.




Ufa! Sobrevivi...

21 de ago de 2008

Odeio muito tudo isso

Aos profissionais de marketing (ou aos sociólogos, quem sabe), faço uma pergunta que me deixou muito intrigada. O McDonald's não estaria fazendo propaganda contra si mesmo ao lançar um "Guia Nutricional" com o slogan: "Pratique algo em comum com o mundo inteiro: uma alimentação saudável"?

20 de ago de 2008

Estatistica

O Brasil ocupa a 40a posicao nas Olimpiadas de Beijing. Mas, se considerada a populacao do pais, a posicao cai para 69a. A Eslovenia acaba liderando o ranking, com apenas 1 medalha de ouro, 2 de prata e 2 de bronze. O Brasil consegue a melhor colocacao (33o) se considerarmos "direitos humanos" como uma das variaveis...desconfiei dessa tabela quando vi o lider do ranking.

19 de ago de 2008

Impressões de viagem - ou o privilégio de morar na Zona Sul

Desde que dois arrastões atingiram moradores do Jardim Botânico, em menos de um mês, todos os dias passo, no caminho de volta para casa, no Horto, por uns quatro carros da polícia. Desde a saída do Rebouças até a Lopes Quintas, é quase um a cada esquina da Rua Jardim Botânico.
Fico imaginando como deve estar o policiamento na rua da Tijuca onde o menino João Roberto foi assassinado. Ou naquela de Oswaldo Cruz, que ficou famosa por outro crime bárbaro da cidade, a morte de João Hélio.

Presente de aniversário


Pra quem esqueceu de me dar presente esse ano, ainda está em tempo:


Clica clica clica!
Nao, nao! Pega um copo de água gelada na sua linda geladeira e depois clica ;)

Zíbia Gaspareto e o direito autoral

Amigos

Nós, que somos muito ligados aos assuntos culturais do país, temos de entrar em um certo debate: No caso dos livros psicografados, que vendem milhões de exemplares, quem recebe os direitos autorais?
Zíbia Gaspareto e outras pessoas de sua família, assim como dúzias de pseudo-autores, ganham rios de dinheiro vendendo livros, escritos, como divulgam, não por eles, mas por espíritos de pessoas que já morreram. Ou seja, são apenas a pena, ou o teclado. Não são autores.

O que acham?

Alguém tem alguma informação sobre?

E mais, seria o livro psicografado pirataria?

Vaidade precoce

No ultimo ano, adolescentes e criancas americanas gastaram cerca de 20 bilhoes de dolares em produtos de beleza. Assustador? Nao tanto quanto a nova "moda" estetica infanto-juvenil: a depilacao.

Segundo a MSNBC, um salao de Nova Iorque que oferece "cerca de 6 sessoes para eliminicao de pelos definitiva" para criancas a partir de 8 anos tem como slogan "Save your child a lifetime of waxing... and put the money in the bank for her education instead."

18 de ago de 2008

Comparando...

- Nas redações tem sempre um repórter que fica na escuta do rádio da polícia.

- Ah, professora, então é que nem o fogueteiro do morro.

16 de ago de 2008



Nos últimos cinco anos, boa parte dos melhores momentos da minha vida tiveram Dorival Caymmi como trilha sonora. É dele a música tema do meu primeiro encontro num certo bar de Copacabana. São deles as canções que embalaram muitas rodas memoráveis, na voz daquele que nasceu com a voz pronta para cantá-las (sou suspeita, mas sincera): Pedro Paulo Malta.

Ai, que saudade das rodas no Bip Bip, em Friburgo, Búzios e tantos lugares especiais onde estivemos, ao lado dos melhores amigos, cantando e louvando esse grande artista brasileiro, que hoje se despede. Façamos uma roda em homenagem!


Viva Caymmi e suas canções praieiras, seus sambas-canções, seus sambas e suas gravuras, que agora enfeitam as paredes da minha casa nova.

De novo, João Gilberto

Certa vez, um amigo dos tempos de Lance! resmungou comigo: “Não entendo esses fãs de bossa nova. Com um Pelé e um Garrincha do nível de Tom e Vinicius, ficam louvando o João Gilberto.” E me entregou o caderno especial do JB (em homenagem aos 70 anos de JG, em 2001) que tinha guardado pra mim.

João é mesmo difícil de entender. Não tem voz exuberante, veste terno marrom, é careteiro, protagoniza histórias bizarras, volta e meia falta aos shows, reclama do som, reclama do público e não “criou” a bossa nova.

Até porque, convenhamos, gênero musical não se “cria”. Não tem data e local de nascimento, como às vezes tentam nos ensinar historiadores, escritores e jornalistas. “O samba nasceu em 1917, quando Donga blá blá blá...”, “Forró vem de for all, blá blá blá...”, “No fim dos anos 50, os jovens começaram a cantar baixinho para não incomodar os vizinhos, blá blá blá...” Tudo cascata da grossa, pra facilitar a prosa, repetida em filmes, biografias e matérias.

A “voz pequena” existe desde que inventaram o microfone. Antes mesmo de Mario Reis, tantos outros cantores aproveitaram o novo recurso para trocar as notas de peito pela possibilidade de cantar com nuances. Só para ficar nos “professores” de Chet Baker, os EUA já aplaudiam o canto coloquial de Matt Dennis e Jack Smith, este último conhecido como The Whispering Baritone (o Barítono Sussurrante). Ou seja, nada de cantar baixinho por causa de vizinho.

A “batida diferente” também não nasceu com o violão de João. Esteve nas teclas de “pianeiros” como Sinhô e Romualdo Peixoto (Nonô). Ou em violões como os de Laurindo de Almeida e Garoto, que, como o pianista Johnny Alf, já faziam também harmonias “diferentes” antes da bossa nova.

Mas foi João quem juntou tudo. A voz colocada por opção (e não por limitação vocal, como se diz), a divisão à Cyro Monteiro, o violão-tamborim, as harmonias novas. Tudo a serviço de um repertório espetacular: fosse nas composições de Tom e Vinicius, fosse nos boogie-sambas de Janet de Almeida, Haroldo Barbosa e Dênis Brean, fosse na bossa-velha dos geniais Wilson Batista e Geraldo Pereira (os quais ele conheceu na noite do Rio, bem antes de Chega de saudade).

Foi pelas gravações de João, aliás, que ouvi pela primeira vez alguns dos meus compositores preferidos, como Caymmi, Ary, Bide e Marçal – além de todos os citados no parágrafo aí de cima. Ou seja: no meu HD, são dele os primeiros registros de Falsa baiana, Morena boca de ouro ou Rosa morena.

Por essas e outras, não titubeei quando uma repórter me perguntou, já de manhã, por que eu estava naquela fila abissal desde a madruga: “É o maior cantor de samba vivo.” Está certo que ainda estão por aí Paulinho da Viola, Monarco, Roberto Silva e Dorival Caymmi (outros dos meus 10+), mas esses eu já tive a honra de aplaudir.

Pois é por isso que no próximo dia 24 tratarei de vestir boa roupa, apurar os ouvidos e me cercar das melhores companhias para ir feliz da vida ao Theatro Municipal.

Só espero que João também vá.

15 de ago de 2008

Pela Conferência Nacional de Comunicação


Uma comissão criada em 2007 e formada por mais de 30 entidades da sociedade civil, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDMH) e pelo Ministério Público Federal está colhendo assinaturas para pressionar o governo federal a convocar a I Conferência Nacional de Comunicação. O abaixo-assinado está circulando de mão em mão e também online. (Para assinar, clique aqui ou na imagem acima.)

O objetivo da conferência, como acontece em outros setores, é fazer um balanço das ações do poder público na área, propor diretrizes para as políticas públicas de comunicação e
apontar prioridades de ações governamentais dentro destas diretrizes.

A realização dessa conferência é de extrema importância para subsidiar a criação de um novo marco regulatório do setor de comunicações no Brasil, essencial no momento em que estamos vivendo, com a chegada da TV e do rádio digitais, a discussão sobre convergência de mídias e a iminente aprovação de leis que criminalizam e limitam o uso da Internet, como a lei do senador Eduardo Azeredo (PL 84/1999), que já foi aprovada no senado e agora caminha, em regime de urgência, na Câmara dos Deputados.

Espero que o abaixo-assinado em favor da Conferência Nacional de Comunicação repita o sucesso da petição online contra a Lei Azeredo, que já conta com mais de 106 mil assinaturas. Apesar do projeto ter sido aprovado no senado, há esperanças de que não passe na Câmara ou não seja sanciondado pelo presidente Lula. De acordo com o blog do sociólogo Sérgio Amadeu, os deputados Jorge Bittar (PT-RJ) e Paulo Teixeira (PT-SP) apresentaram, no último dia 7 de agosto, um requerimento de audiência pública para discutir o projeto na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. A justificativa dos deputados é a polêmica que a matéria vem causando.

Ao invés de aguardar as próximas notícias de braços cruzados, vamos divulgar as petições online!

Notícias Latinas - 13/8/2008

O ex-bispo católico Fernando Lugo, 57, assume hoje a presidência do Paraguai. Calejados por duas guerras internacionais e 62 anos de Partido Colorado no poder, os paraguaios aguardam, esperançosos, pela revolução. A conferir.

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Censo americano revela que, em 2042, negros, latinos, asiáticos e outras minorias vão suplantar a população branca nos Estados Unidos. Em 2050, de acordo com a pesquisa estadunidense, serão 46% brancos não-hispânicos, 30% hispânicos, 13% negros, 8% asiáticos e 5% de outras origens residentes no país.

***

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) argumenta que a ampliação da licença-maternidade para seis meses "sacrificará" a competitividade da indústria brasileira. "Não é dureza de coração, mas quatro meses de licença-maternidade estão de bom tamanho", afirmou o presidente do Conselho de Relações do Trabalho da entidade empresarial, Francisco Gadelha.

14 de ago de 2008

Chega de saudade

"João Gilberto: show esgotado em 1h", ô manchete infeliz.


A fila para comprar entradas para o único show que João Gilberto faz no Rio, dia 24, começou a se formar de madrugada, por volta das 4h de hoje, quinta-feira, na bilheteria do Teatro Municipal. A aglomeração dava a volta pela Avenida 13 de Maio quando o dia finalmente amanheceu. É, meus caros, o fim de noite foi longo...

A bilheteria abriu às 10h e os primeiros da fila ficaram decepcionados: apesar de caros, quase não havia mais ingressos para platéia, balcão nobre e camarotes, os melhores da casa. Apenas cerca de 60% dos 2.350 lugares foram postos à disposição dos fãs. O restante, 40%, está sendo distribuído a convidados do patrocinador, do artista, da produção, da assessoria de imprensa...enfim.

No guichê, as vendas foram encerradas às 13h15. Quem optou por comprar pela internet e pelo telefone teve menos tempo ainda: apenas uma hora. Às 11h, o endereço eletrônico que dava acesso à página relativa ao show no site de venda de ingressos Ticketronics foi retirado do ar.

Acho tudo isso uma falta de respeito, mas o João é assim, um cara difícil, e a entourage se escora nisso. Mesmo assim, motivada pela oportunidade histórica de ver o mito da Bossa-Nova, o cara que eternizou uma das músicas que mais me tocaram, Chega de saudade, resolvi desembolsar uma grana que eu não tenho e me preparar para comprar as tais entradas.

Acordei, depois de quase não dormir, às 4h. Enrolei um pouco e fui pro chuveiro 4h20. Bem, sem detalhes. Cheguei às 5h na fila e uma galera tava se organizando pra evitar cambistas e furadores de fila, amigos dos amigos que vão chegar daqui a pouco, etc etc. Eu era a 47ª. Deus.

Aos poucos conhecidos, amigos e figurinhas repetidas iam chegando e aumentando o tamanho da fila. Acompanhada de um amigo, Rodrigo de Almeida - ilustre cearense com quem eu, alías, deveria beber mais vezes - abri a primeira cerveja às 6h30. Ok, parece cedo, mas era muito programa de índio ficar ali, sentado no chão, em umas folhas de jornal cedidas por uma menina simpática.

Quando dia finalmente raiou, trouxe consigo a confusão. Era gente saindo da fila, sendo substituído por outrem, e esse trazia mais um e garantia que ele não ia comprar. O povo chiou, queria manter a ordem e o direito de quem madrugou e de quem não madrugou mas nutria esperanças de conseguir uma entrada.

A maior parte das pessoas tinha entre 20 e 35 anos. Imaginava-se que uma parcela mais grisalha ocuparia boa parte da linha de gente enfileirada na porta do Municipal, mas não. João ainda desperta um grande fascínio nos mais jovens, gente que, como eu, sabe que esta será a única oportunidade de vê-lo, no banquinho, tocar seu violão.

Apesar do perrengue grau 8, me diverti horrores na fila, coloquei o papo em dia, comi pão de queijo. Tinha levado um livro para ler mas sequer o abri. Meu amigo me convenceu que miséria pouca é bobagem. Então, em vez de pagar 120 pratas pelo ingresso de balcão simples, estava decidida a pagar, sem pena, 350 por um de platéia.

Aí veio a aflição. A decepção. A frustração e a raiva de estar ali havia 5h e saber, pelos primeiros que saíram da bilheteria, fagueiros com seus pares de ingressos na mão, que não havia entradas para platéia. Nem camarotes. Nem balcão nobre. Ou seja. teria de me contentar com balcão simples. Looonge a beça pra ouvir os sussurros de João. Mais tarde acabei sabendo que apenas 1400 ingressos dos 2.350 lugares foram colocados à venda. Fiquei com vontade de enviar um email esculhambando os organizadores e o patrocinador. Mas desisti. Melhor evitar o estresse pois tenho de aproveitar esse show desde agora.
O amigo que me acompanhava na fila disse que sou mesmo sortuda. Na hora em que estava começando a pagar pelo par de ingressos balcão simples láááá atráás, a mocinha inmformou: "senhora, apareceu um par na platéia. vai querer? 700 reais?" eu confirmei automaticamente. E saí feliz, por fim. Ao chegar no trabalho, muita gente criticou, dizendo que não valia todo o esforço nem o dinheiro. Mas sabem, não tô nem aí. Chega de saudade.

13 de ago de 2008

Anuncios polemicos




Na minha ronda diaria de periodicos tenho o habito de ir direto para o box de "mais lidos nas ultimas 24 horas". Nao eh sequer uma forma de ter um sumario das noticias do dia, mas curiosidade de saber o que os leitores mais querem saber.

Pois nessa quarta-feira, a noticia mais acessada pelos leitores do guardian.co.uk me chamou a atencao: "Olympics: Spain's eye-catching faux pas"

Para minha surpresa se tratava apenas de mais um "anuncio polemico". Em suma, o Guardian diz que o time de basquete espanhol "corre o risco de ofender os chineses atraves do anuncio que fizeram para o seu patrocinador oficial numa pose simulando "olhos de chines"". O Guardian vai alem e menciona outros exemplos de preconceito racial por parte da Espanha (se fosse um jornal brasileiro ate dava pra entender, ne?). Vale lembrar que a Espanha eh candidata a sediar os jogos em 2016. Londres sera a capital das Olimpiadas em 2012 e o governo local recebe criticas constantes. Apesar das melhorias na parte leste da cidade, a populacao acha que em nada se benefiara com isso por um simples motivo: desde o inicio das obras, os precos de moradia na parte da cidade que abriga trabalhadores de baixa renda, imigrantes e refugiados estao proximos ao da parte oeste, morada dos banqueiros e rock stars. Mas isso eh papo pra outro post...

O jornal El Pais nega a polemica e diz que a Embaixada chinesa na Espanha nao viu nada de ofensivo no anuncio. Alias, alguem viu algo de ofensivo? Quem nunca brincou de "fazer olhinhos de chines"? Olhos puxados eh icone da China, "por dios", como diriam os blasfemicos espanhois.

Segundo fontes carocais recentemente teve uma polemica sobre um comercial de TV da Boticario no Brasil. Alguem lembra de outros exemplos?

Eu tenho uma certa desconfianca que os assessores de imprensa / relacoes publicas sao os responsaveis pelo "buzz" de suas proprias campanhas.

*PS. O teclado nao tem acento :(

8 de ago de 2008

G8 - MAIS QUE UMA BOA IDÉIA!



Cabe aqui a indicação de um blog bem humorado e inteligente formado por um Grupo de 8 (G8) ex-estudantes de Geografia da UFRJ, hoje militantes e meliantes:
http://g8glog.blogspot.com/

Sexo florestal

7 de ago de 2008

Maldita


maldita mania essa de trabalhar com as letras
no início achava que brincava
mas me perdi entre gretas
e hoje sou sua escrava

no início maldita escrava
me perdi com as letras
essa mania de trabalhar entre gretas
achava hoje que brincava

e me achava entre gretas
mas hoje perdi sua escrava
mania de trabalhar e brincava
no início sou maldita entre letras

"Ô, que samba bom
Ô, que coisa louca (na Glória)
Eu também tô aí
Tô aí, que é que há
Também tô nessa boca"

Depois dos sucessos "O samba é minha nobreza", "Lembranças cariocas", "Dois bicudos", "Cachaça dá samba" e o espetacular "Sassaricando", o cantor Pedro Paulo Malta estréia hoje em novo grupo, o Samba Bom, inspirado no samba homônimo de Geraldo Pereira, cujos versos abrem esse post de divulgação.

A roda de samba inaugural é hoje no Trapiche Gamboa, onde eles vão se apresentar todas as quintas. O Samba Bom nasce sob a batuta do mestre Luís Filipe de Lima (que está no estaleiro, mas em breve, estará recuperado e de volta à labuta. Em seu lugar hoje, o 7 cordas Nando Duarte), e será acompanhado pelos feras João Callado (cavaquinho), Alexandre Maionese (flauta, tamborim e voz), Beto Cazes e Fábio Cazes (percussões).

O furdunço começa sempre às 21h, com três sets de uma hora e intervalo de 30 minutos. O Trapiche fica na Sacadura Cabral, 155, Praça Mauá. O telefone é 21 2516-0868.

MEU GAMBÁ- Parte 1 – O encontro




Não , não era nenhuma dessas raposas que a gente cativa, embora fosse também um profundo apreciador de galinhas. Na calada da noite vivia a visitá-las, criando alvoroço nos galinheiros vizinhos. Penas, sangue e casca de ovos espalhados pelo chão,além disso, nenhuma pista, rastro ou pegada. Chegou a ser confundido com o tal chupa- cabras, coitado.
Os vizinhos, assustados, não sabiam o que fazer. Montaram guarda, colocaram armadilhas e... nada! Chegaram até a consultar um ufólogo (os ETs estavam na moda).
Numa dessas madrugadas de lua cheia,depois de ter tomado muita Samanaú (cachaça de Caicó), voltei para casa escorando nos muros e tentando, a todo esforço, andar em linha reta, me deparei com “ele” pela primeira vez. Vi sobre o portão da dona Marieta, num contraluz ao luar, apenas uma silhueta. Longas e arredondas orelhas, corpo delgado, rabo comprido e fino. Era estranho e ao mesmo tempo familiar, meio gato, meio rato.

Gritei:_ MICKEY!!!

Assustado ele desapareceu nas trevas.

Dona Marieta, velha portuguesa, acendeu as luzes, foi até a janela e disse: _Ora, pois! Isso são horas?!!! Já estás meio grande para “ brincare” de Disneylândia rapaz!!!




Foto:Marcelo Valle

OBS: Nada contra florzinhas, bichinhos e livrinhos, conforme o publicado em comentário afetado, passarei a escrever sobre os temas citados!!!

5 de ago de 2008

Segredos



Vou até o barranco
e arranco
um pouco de argila.
Tento fazer um gorila, mas não consigo.
Faço um pescador que lança suas redes ao céu.
Ele pega algumas nuvens que logo se dissipam.
Espera a noite chegar.
Lança sua rede.
Pega algumas estrelas.
O céu ficou triste. Logo chove.
O argila amolece, o pescador se desfaz.
As estrelas brilham livres.
Aparece a lua.
Conversamos.
Ela me conta alguns segredos.
Segredos são segredos,disse a lua.

ETNO...LÓGICAS: UM VELHO MERCADO





O atual mercado São Pedro, localizado na Ponta da Areia,Niterói, foi inaugurado em 29 de junho de 1971, vindo a substituir o antigo mercado de peixes, um conjunto de barracas e palafitas que avançava sobre o mar na Praia Grande (orla da Baía de Guanabara que costeava o centro de Niterói).

Ficava próximo onde hoje se situa o terminal rodoviário João Goulart, na avenida Visconde de Rio Branco, centro . Funcionou ali até o início dos anos 70, quando foram feitas obras para o aterramento da praia. Na época, o governo estadual decidiu transferir o mercado para um galpão do Ceasa, no bairro Barreto, gerando uma polêmica entre os barraqueiros que não aceitaram a transferência, pois ficariam muito longe do mar.





Organizados, os barraqueiros criaram uma cooperativa chamada "Comercial São Pedro", com aproximadamente 48 integrantes, que comprou um terreno nas proximidades do antigo mercado e custeou as obras do novo.
O antigo mercado era também conhecido como “mercado da palafita”, umas construções precárias e pobres, que atendiam a uma freguesia de baixa renda, “do povo”.
A classes mais abastadas compravam seus peixes nas peixarias de Icaraí. Os peixeiros, alguns deles estrangeiros (principalmente italianos e portugueses), eram então conhecidos como barraqueiros, estes eram considerados grosseiros, de linguajar rude, muitas vezes acusados de enganar a freguesia, vendendo peixe passado e trapaceando na balança. De acordo com alguns depoimentos, era comum, quando se comprava um peixe inteiro e mandava-se fatiar em postas, virem faltando alguns pedaços que depois eram revendidos.



Apesar da concorrência entre as barracas, havia companheirismo, eram solidários na mulher e na cachaça. Próximo ao velho mercado, havia uma colônia de pescadores, que era responsável por boa parte de seu abastecimento. Na época toda pesca era artesanal e muitos barcos entregavam o peixe direto nas barracas.
Quase todos eram católicos e até o final dos anos 60 era realizada uma grande festa para São Pedro, padroeiro dos pescadores no mês de junho. O santo deu nome ao mercado: Mercado de Peixes São Pedro!

3 de ago de 2008

The Muse Amusement



Quem me conhece sabe o quanto sou relutante ao Rock. Cada dia mais. Cada vez mais. Mas, sobre recomendações de amigos e da minha morena, fomos ao Porão do Rock ontem. Atrações: não lembrr todas mas, Pity (não sei escrever), o Mundo Livre, outro grupo relutante ao Rock, e a coqueluche do moment0: Muse.

Foi legal. Meu ouvido combalido de otites infantis nem reclamou tanto. Ébom ver instrumentos bem tocados. Apesar da afetação no vocal e o excesso de grave do bumbo da bateria e o show pirotécnico de luzes e de telão - quase clichês mais que manjados para empolgar - a banda de três pessoas é boa. Muito boa. É boa porque tem bons músicos, e boas composições. Bem boas mesmo. Boas harmonias, boas melodias, bons solos e um baixão honesto e seguro.

Rock never dies.... Valeu o show... e depois.. preciso ser menos velhoe aberto ao que surge de novo. sei lá .. Good Amusement!!