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3 de nov. de 2008

O domingo de Hamilton






No ano em que se comemora 20 anos do primeiro título de Ayrton Senna, conquistado na histórica corrida do Japão, em 1988, Lewis Hamilton sai de Interlagos como o campeão mais jovem da Fórmula-1.

O que os dois têm em comum? Ayrton é o grande ídolo do inglês, que um dia pediu a Ron Dennis, da McLaren: "Deixa eu correr pela equipe do Senna?" Na Fórmula 1 de hoje, Hamilton é o fã número 1 do brasileiro que deixou as pistas em 1994.
Por essa razão, a comemoração aqui em casa (do lado direito da cama, o esquerdo torcia pelo Massa e sua Ferrari trapalhona) é dupla.

p.s.: Para aqueles que tentaram azarar o campeão com a camisa do Vasco, valeu o ditado do feitiço contra o feiticeiro. Caidíssimo no Brasileirão, o time da Colina derrotou o Fluminense ontem no Maracanã. Da próxima vez, sei não, é melhor arranjarem outro amuleto pro Massinha.

25 de out. de 2008

Lembranças de Glauber

Em 2001, quando comecei a pesquisar sobre a trajetória de Glauber Rocha como jornalista na Bahia, nos anos 50 e início dos 60, procurei o Tempo Glauber. Já tinha ido à Biblioteca Nacional e aos arquivos da Cinemateca do MAM, mas, nesses lugares, não achei os textos raros do cineasta, dos quais sabia da existência por meio da biografia escrita pelo jornalista João Carlos Teixeira Gomes. No templo, que já tinha visitado para entrevistar Lúcia Rocha (para o Caroço!!!), estava quase indo embora, certa de que não teria acesso a nada, quando a mãe de Glauber, de repente, me deu um voto de confiança - não sem antes perguntar se eu não tinha "interesses comerciais" na obra dele. Não, eu só queria fazer uma monografia bem feita para a faculdade.

Na verdade, ela passou a confiar em mim depois que eu citei vários textos de Glauber que tinha encontrado na Biblioteca Nacional, mostrando que havia copiado tudo à mão e que seria um trabalho descomunal continuar utilizando esse método braçal de pesquisa. Também contei a ela que tinha uma cópia de um livro raríssimo de Glauber, que nem mesmo ela tinha mais, dado que não era editado há anos e anos. (A minha cópia era da biblioteca da UFF e ela me agradeceu muito quando levei uma para ela. Hoje, o livro "Revisão crítica do cinema brasileiro" já tem uma edição digna de sua importância)

Aí, Lúcia Rocha me levou numa espécie de subsolo do casarão, abriu uma porta e, em seguida, vários armários. "Está tudo aí", me disse com o olhar ainda desconfiado. O "tudo" eram os textos que Glauber tinha escrito na imprensa baiana, inclusive em jornais alternativos da capital, incluindo aquele que ela considera seu segundo texto, publicado quando ele ainda era um menino de calças curtas - mas com idéias já em ebulição.

Abri os armários e o que encontrei foi um arquivo minuciosamente organizado ("eu trabalhei como arquivista no MIS"), com o carinho da mãe que catava desenhos e manuscritos no lixo, antevendo a importância de guardar a memória daquele que se tornaria um dos mais influentes cineastas do país nos anos seguintes. Fiquei horas lá (naquele tempo, tinha saído do estágio e me dedicava à pesquisa, tempo bom), impressionada e até com um tico de medo de não dar conta de ler tudo. Mas, tia Lúcia foi generosa: me confiou os textos originais e me indicou uma papelaria na Voluntários da Pátria que tirava cópias. Atravessei a Sorocaba com o tesouro nas mãos, morrendo de medo de, sei lá, bater um vento e ver ir embora pelo ar.

Voltei no Tempo Glauber muitas outras vezes. Numa delas, tia Lúcia me vendeu um exemplar do livro "Riverão Sussuarana" com dedicatória do próprio Glauber para ela. Liguei para dizer do engano e ela respondeu: "Está em boas mãos".

Naquela época, o casarão vivia a duras penas, apenas com a força da mãe, já octogenária, que administrava tudo a mão de ferro. Mas, desde então, livros e filmes de Glauber foram reeditados. O acervo do cineasta, digitalizado. O Tempo Glauber tem pesquisadores, cursos, produtos à venda. Não vou lá há muito tempo, não sei se as dificuldades financeiras se mantêm. Mas, uma boa notícia chegou essa semana: o site está atualizadíssimo, com fotos, documentos históricos e vídeos (tem trechos do famoso programa "Abertura").

É uma felicidade testemunhar esse avanço. Fica a dica para uma visita.

P.S.: Outro dia, estava na portaria do meu prédio e vejo sair uma moça com o rosto muito conhecido. Olhei tanto que ela deve até ter se assustado. Quando passou, fui até o porteiro e perguntei: "Essa moça que saiu agora mora aqui no prédio"? "Mora", confirmou. "O nome dela, por acaso, é Paloma?". "É, sim". Nesse dia, descobri que era vizinha da filha de Glauber, Paloma Rocha. E saí cantarolando: "Se entrega Corisco, eu não me entrego não!"

14 de out. de 2008

Brincando com Machado


Um trecho do livro que estou relendo, em edição nova, do grande Machado de Assis, para entrar no clima da homenagem ao centenário do escritor. A propósito, acho que há livros escritos e para serem lidos na maturidade. É o caso desse "Memórias póstumas de Brás Cubas".


Isto dizendo, arrebatou-me ao alto de uma montanha. Inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, ao longe, através de um nevoeiro, uma coisa única. Imagina tu, leitor, uma redução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças todas, todas as paixões, o tumulto dos impérios, a guerra dos apetites e dos ódios, a destruição recíproca dos seres e das coisas. Tal era o espetáculo, acerto e curioso espetáculo. A história do homem e da Terra tinha assim uma intensidade que lhe não podiam dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim - flagelos e delícias -, desde essa coisa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura - nada menos que a quimera da felicidade -, ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão.

8 de out. de 2008

Diálogos de campanha (ainda no 1º turno) - e uma pergunta

No sacolão volante, estacionado na Pacheco Leão, Horto.

_ Esse Crivella não pode ganhar.
_ Ah, não mesmo. Não voto nele de jeito nenhum, aquele povo evangélico...
_ Você vai votar em quem, então?
_ Ah, eu voto naquele menino, ele é muito bom, honesto.
_ Quem, o Eduardo Paes?
_ Não, no Gabeira, ué.


Numa janela da São Clemente. Uma carreata do Molon passava na rua, com quase ninguém atrás. E a menina Sofia, de 2 anos e 10 meses, pergunta:

_ Mamãe, o que aquele moço tá fazendo em pé no carro, dando tchau?

*****

A pergunta: vocês acham que as fotos do "menino" Gabeira de sunga podem tirar votos do candidato verde?

3 de out. de 2008

Que mistérios tem Clarice?

“E um dos indiretos modos de entender é achar bonito.”

Tinha acabado de entrar na exposição sobre Clarice Lispector no Centro Cultural Banco do Brasil e pensava justamente na dificuldade que sempre tive de “entender” a escritora. Tenho vários livros, tentei ler alguns deles, mas sempre fui abandonando a leitura pelo caminho, um a um. No entanto, ao entrar na primeira sala e me deparar com as fotos e algumas de suas frases era como se aquilo que estava lendo e admirando fizesse todo o sentido para mim, desde sempre.

Foi quando me deparei com a frase lá em cima.

Estive lá no domingo, mais um dia chuvoso no Rio e, pelo que eu tinha lido, o último para se conferir a exposição, que já tinha feito o maior sucesso em São Paulo. Foi uma surpresa atrás da outra. Além de achar as soluções cenográficas perfeitas para se ler Clarice, gostei muito de entrar em contato com o universo mulher da escritora. Numa entrevista, que assisti sentada no sofá, ao lado da máquina de escrever usada por Clarice, ela explica que “é muito maternal” e que, portanto, tem muito mais facilidade e gosto para lidar com crianças que com adultos.

Nessa linha feminina, um dos documentos expostos que mais me chamou a atenção foi uma listinha de afazeres domésticos de Clarice:
1) Viver melhor as 24 horas do dia (ter mais tempo)
2) Tinturaria cabelo
3) Luvas
4) Café turco
5) Ginástica

1) ...
2) Morangos pessoas de idade
3) ... o menu
4) Vestido preto
5) Dar paz ao rosto (telefonar Wilma)

Desde que casei, as listas com afazeres tornaram-se um hábito indispensável. A gente vai andando pela casa e vê que a pasta de dente está acabando, que o leite só dá para hoje, que o pão está vencido, etc. Se não anotamos nada, corremos o risco de voltar do supermercado sem os itens básicos para a casa funcionar. Clarice, mãe de dois filhos, mulher de diplomata, escritora famosa, não era diferente.

Em outro trecho da tal entrevista, ela fala também de seus livros e do rótulo de “hermética”. E conta, deliciosamente, que um professor de literatura de um colégio famoso no Rio disse que não conseguiu entender um de seus livros. Emenda revelando que o mesmo era o livro de cabeceira de uma moça de 17 anos, que a abordou para contar a história.

Saí da sala de exposição, depois de me deliciar com as cartas enviadas por e para Clarice, de gente como Rubem Braga, Lúcio Cardoso, Paulo Mendes Campos, Érico Veríssimo, direto para a livraria da Travessa do CCBB. Se a menina de 17 anos compreendia, já era a minha hora de comprar e tentar ler “A paixão segundo G.H. Para minha surpresa, o livro citado por Clarice no vídeo estava esgotado ali. Sinal de que muitos leitores, como eu, já estavam tentando penetrar ainda mais no reino das palavras da autora de “A hora da estrela”.

OBS: Esse texto também foi publicado no meu novo blog. Tentei escrever algo que valesse para os dois lugares, com o objetivo mesmo de linkar aqui no Caroço o meu novo endereço no mundo blogueiro. O Lameblogadas II ainda está em fase de arrumação e faxina geral, mas acho que já posso fazer o open house.

25 de set. de 2008

Ary e o Maracanã


O Gustavo escreveu sobre a Cidade da Música e a Monique lembrou, em comentário, a polêmica sobre a construção do Maracanã, no Rio. Então, aproveito a oportunidade para publicar um texto que tinha escrito para o jornal, mas que não foi publicado, numa série sobre os vereadores do país. Nele, está citada a briga sobre o Mário Filho, defendido na Câmara por ninguém menos que o nosso ilustre Ary Barroso, e atacada pelo controverso Carlos Lacerda. No livro do Sérgio Cabral, há mais detalhes sobre o debate. Aliás, o capítulo que trata de Ary como vereador é o mais saboroso da biografia escrita pelo primeiro-pai do estado sobre o compositor. Segue o texto:



Em tempos de mensaleiros, sanguessugas e fichas-sujas, é curioso lembrar que, no passado, os políticos ofendiam uns aos outros com xingamentos mais, digamos, ideológicos, do tipo “integralista”, “comunista” e até “sambista”. Esse último é o caso do compositor Ary Barroso, que, na legislatura de 1947/1951 na Câmara de Vereadores do Rio, foi “acusado” por um colega de não ter experiência como funcionário público, mas viver de tocar e cantar — como conta o jornalista Sérgio Cabral na biografia “No tempo de Ari Barroso”.


“Sr. Presidente, qual o defeito, qual a culpa, qual o erro, qual o castigo que mereço pelo simples fato de ser sambista? (...) Ser sambista, sr. Presidente, é muito difícil. Nunca pertenci ao quadro de funcionários (da prefeitura) e, se pertencesse e conseguisse chegar ao mais alto grau da carreira, nunca viria à tribuna do Legislativo com a pretensão de atirar contra um colega a pecha ‘infamante’ de sambista. Conclamo os sambistas a prestarem atenção nestas palavras: fui apontado, em tom pejorativo, nesta Casa, como sambista.”


Na época em que Ary ocupou uma das cadeiras da Câmara Municipal do Rio, a ideologia ainda definia posições e projetos. Polêmico, o compositor de “Aquarela do Brasil” foi um vereador atuante, se envolveu em várias discussões e dividiu a tribuna com nomes como Carlos Lacerda, seu colega de UDN. O estilo irreverente e irônico que trouxe de seus programas de rádio, entre eles o “Calouros em desfile”, e da narração de jogos de futebol foi uma de suas marcas na Casa.


Na briga pela aprovação da construção do Maracanã, Ary Barroso defendia que grande parte das despesas seria paga com a venda de cadeiras cativas. Lacerda era contra o estádio, preferia que ele fosse construído num terreno em Jacarepaguá. Tito Lívio, outro udenista, defendia que a prioridade do Rio era a saúde pública. Numa resposta ao colega Tito, Ary usou do deboche:


“Vossa Excelência, que combate com tanta veemência a aquisição de ‘cadeiras cativas’ nos estádios de futebol e que defende com tanto ardor os hospitais, deveria propor a compra de ‘leitos cativos’ para os doentes, já que eles se acham tão necessitados de morar dentro dos hospitais” (“Risos”, registrou a taquigrafia).


Ainda na polêmica sobre o estádio, Lacerda, um dos grandes oradores da casa, respondeu à altura. Uma de suas justificativas era de que o Brasil não tinha cimento suficiente para a construção.


“O Brasil vai importar cimento da Inglaterra para que o nosso colega, o sr. vereador Ary Bar-roso, possa irradiar jogos de futebol”, acusou o futuro go-vernador da Guanabara.


Na Câmara, Ary defendeu os interesses de seu bairro, apresentando projetos para melhorar a ladeira do Leme, onde morava, e os dos compositores brasileiros. Democrata, discursou contra a cassação do mandato dos vereadores do Partido Comunista. Conservador, reclamou da autorização para que banhistas circulassem nos bondes da Light:


“O Rio de Janeiro está se transformando numa cidade de homens seminus, uma vez que os banhistas se intrometem nas ruas distantes da praia, em trajes, positivamente, atentatórios à moral. (...) Assistimos ao desfile crítico e inédito de bondes, em plena Capital da República, carregados de banhistas em trajes menores e atitudes imorais, num desrespeito integral à família carioca, em gestos e esgares que depõem sensivelmente contra os nossos foros de civilização”.


Ao mesmo tempo, ao criticar um projeto que isentava o Clube Militar de impostos, Ary usou argumentos nada conservadores para defender que o teatro é que merecia tal benefício. Num aparte no plenário, defendeu o Teatro Recreio, acusado de imoralidade:


“V. Excia. acha que exibir ao público mulher de corpo bonito é deseducar o povo? V. Excia. desejaria talvez que, pela platéia do Teatro Recreio, desfilassem aleijões e monstruosidades físicas? (...) A pornografia bem disfarçada deixa de ser pornografia. (...) A malícia transforma-se em pornografia desde que o espectador seja pornográfico”.


Em tempos de gastos escandalosos nas câmaras e no Congresso Nacional, Ary Barroso, que já tinha o seu carro importado, foi contra um movimento para que a Câmara importasse automóveis para servir aos vereadores.

“Não vejo, sr. presidente, que, pelo simples fato de me transformar em representante do povo, valha-me dessa prerrogativa para superar o próprio povo, que está enfileirado, esperando a vez de comprar o seu carro. Seria preferível, sr. presidente, abandonar tais questiúnculas de privilégio, de prioridades e defendermos, exclusivamente, os reais interesses do povo.”

15 de set. de 2008

Ouvido por aí, em época de campanha

_ Tenho vontade de dar uma coça em quem inventou o horário de verão.
_ ...
_ É mesmo. Se eu fosse autoridade, mas dessas autoridades que podem fazer qualquer coisa, e descobrisse quem inventou, mandava dar uma coça. Meu filho acorda às 4h pra trabalhar. No horário de verão, é 3h. Não pode.

Segue o papo, mas agora sobre política.
_ Ah, eu não anulo meu voto não. Não vou votar no Crivella, vou de Eduardo Paes, esse aí apoiado pelo governador. Porque eu sou democrata! _ diz a senhora que falava há cinco minutos em bater em quem inventou o horário de verão.
_ Eu vou votar em branco. Não acredito em ninguém.
_ Ah, não pode fazer isso não. O povo tem que ser inteligente: votar no candidato de quem já está no governo. Porque aí, eles não vão poder brigar e depois dar desculpa de que não fizeram nada por causa disso. Aliás, eu não votei nesse Sérgio Cabral não.
_ Esse Sérgio Cabral só tá na política por causa do pai dele, né? O pai dele é político.
_ Nada, o pai dele é jornalista. Nunca soube que ele se candidatou antes. Ele é jornalista político, escreve muito bem. Eu gosto de política, sabe? Gosto muito. Minha antiga patroa era casada com o prefeito da cidade, lá no interior. Essa de agora, não é dona Maria, me deu um livro sobre o Juscelino. Sei tudo sobre o Juscelino. Só não virei professora porque não tenho paciência com marmanjo. Mas sou muito inteligente. "Catuco" muito a vida deles. Já votei muito naquele Nelson Carneiro, o que inventou o divórcio.

4 de set. de 2008

O Caroço

Dizem por aí que o CAROÇO brotou do nada, que antes dele havia apenas o Coisa Nenhuma. Mas é difícil, já que ele surgiu já metido, cheio de idéias, botando as manguinhas de fora, todo saliente, irreverente, inconseqüente. Havia algo antes do CAROÇO, mesmo no fundo das entranhas das quais ele adveio. Havia vontade? Havia. Havia necessidade? Havia. Havia mais, havia, como dizem as fofoletes de Icaraí, uma daquelas coisas loucas assim, sabe, que vão tipo assim subindo pela garganta e te deixam com uma vontade muito louca de gritar.

O CAROÇO veio de uma vontade, de uma súbita ânsia de fazer alguma coisa. De sacudir a poeira. De meter dedo no olho e morder nariz. Algo inexplicável, um transe coletivo surgido numa noite de poesia com cachaça e que não foi levado pelas ondas da ressaca. Mesmo às vezes meio frígido, o CAROÇO virou uma tara coletiva, que brotou, esfriou e vem maturando. O CAROÇO, sim. Ele é. Ele não precisa de. O CAROÇO, simplesmente. O CAROÇO e ponto.

O CAROÇO, até agora, apresenta poucas realizações. Mas projetar é o que importa, como diria Le Corbusier.

O Caroço - É a menina dos olhos da Caroço Produções. Enfrenta enormes problemas desde seu nascimento (quando era apenas o "Jornalão"), como má-vontade na gráfica, críticas generalizadas, crises de preguiça e um mau agouro constante. Mas assim mesmo, embora aos trancos e barrancos, já emplacou algumas edições.

Quando o texto acima foi escrito, se não me engano, pelo Leo, o CAROÇO eram quatro edições toscas de um jornal impresso na gráfica da UFF. A apresentação estava num endereço que se pretendia a nossa casa na internet (coisa muito feia, mas possível naquela época com poucos recursos e pré-blogs). Desde então, amigos se foram e voltaram, filho nasceu (outro está por vir), amigos novos surgiram, até que a correspondente em Londres decidiu parar de ouvir as idéias e lamentações por falta de um novo lugar para escrever e criou este blog coletivo, onde CAROÇOS voltaram a dividir textos no mesmo espaço. Cônjuges viraram colaboradores, CAROÇOS perdidos voltaram e eis que a equipe se completa novamente, com a chegada do nosso querido Leo Cosendey, da equipe original que um dia, no anfiteatro que virou praia, decidiu que teria um nome só: CAROÇO. Um ciclo se fecha para surgir, quem sabe, outro.

27 de ago. de 2008

"O samba está esperando/esperando pra te ver"

A música me uniu ao meu marido. Nos vimos a primeira vez durante uma roda de samba no Bip, em Copacabana. Fomos apresentados duas semanas depois, no Centro Cultural Carioca, depois de um show da Teresa Cristina. Voltamos ao Bip para dar o primeiro beijo e, ao longo desses cinco anos, foram inúmeros os momentos de comunhão ao som de Chico Buarque (ele jura que não escolheu dar ao filho o nome de Francisco em homenagem ao nosso ídolo), Dorival Caymmi, Noel Rosa, Clara Nunes, Paulinho da Viola e tantos outros. Não à toa, eu (que não tive uma formação musical, digamos, adequada) e ele temos a expectativa de compartilhar com o nosso filho essa grande paixão.

Há duas semanas, ao ouvir pela milésima vez o CD dos Saltimbancos Trapalhões, as músicas adquiriram outra dimensão para mim. Chorei, segurando a barriga, e conversando com o neném: "Francisco, eu sonhei muito com o dia em que ia poder dividir a alegria de ouvir essas músicas com um filho e poder ensiná-las a ele".

Em alguns momentos, eu fico pensando se, quando crescer, Francisco vai achar tudo muito chato o que a gente ouve e o que tentou ensiná-lo a gostar também. Imagino às vezes ele gostando de música eletrônica (nada contra, mas não é nossa praia), e achando esse tal de Chico Buarque um ultrapassado. Claro que, se depender de nós, ele vai adorar ir ao Choro na Feira, às rodas no Bip, na Portela, na Folha Seca, ao Bandão da Escola Portátil, aos blocos de carnaval com marchinhas e frevos...

No domingo passado, fomos ao Teatro Municipal ouvir, pela primeira vez ao vivo, aquele que também foi a trilha sonora de muitos de nossos encontros: João Gilberto. A noite é o momento em que nosso filho mais gosta de dar as caras. É chute daqui, mexe-mexe dali. Mas, talvez já conectado com os sentimentos dos pais, ele se comportou como a platéia apaixonada do mestre do samba e da bossa nova: ficou quietinho o tempo inteiro. Acho que gostou. Foi uma boa estréia!

P.S.: O texto acima foi publicado hoje em http://oglobo.globo.com/blogs/mae/

19 de ago. de 2008

Impressões de viagem - ou o privilégio de morar na Zona Sul

Desde que dois arrastões atingiram moradores do Jardim Botânico, em menos de um mês, todos os dias passo, no caminho de volta para casa, no Horto, por uns quatro carros da polícia. Desde a saída do Rebouças até a Lopes Quintas, é quase um a cada esquina da Rua Jardim Botânico.
Fico imaginando como deve estar o policiamento na rua da Tijuca onde o menino João Roberto foi assassinado. Ou naquela de Oswaldo Cruz, que ficou famosa por outro crime bárbaro da cidade, a morte de João Hélio.

16 de ago. de 2008



Nos últimos cinco anos, boa parte dos melhores momentos da minha vida tiveram Dorival Caymmi como trilha sonora. É dele a música tema do meu primeiro encontro num certo bar de Copacabana. São deles as canções que embalaram muitas rodas memoráveis, na voz daquele que nasceu com a voz pronta para cantá-las (sou suspeita, mas sincera): Pedro Paulo Malta.

Ai, que saudade das rodas no Bip Bip, em Friburgo, Búzios e tantos lugares especiais onde estivemos, ao lado dos melhores amigos, cantando e louvando esse grande artista brasileiro, que hoje se despede. Façamos uma roda em homenagem!


Viva Caymmi e suas canções praieiras, seus sambas-canções, seus sambas e suas gravuras, que agora enfeitam as paredes da minha casa nova.

7 de ago. de 2008

"Ô, que samba bom
Ô, que coisa louca (na Glória)
Eu também tô aí
Tô aí, que é que há
Também tô nessa boca"

Depois dos sucessos "O samba é minha nobreza", "Lembranças cariocas", "Dois bicudos", "Cachaça dá samba" e o espetacular "Sassaricando", o cantor Pedro Paulo Malta estréia hoje em novo grupo, o Samba Bom, inspirado no samba homônimo de Geraldo Pereira, cujos versos abrem esse post de divulgação.

A roda de samba inaugural é hoje no Trapiche Gamboa, onde eles vão se apresentar todas as quintas. O Samba Bom nasce sob a batuta do mestre Luís Filipe de Lima (que está no estaleiro, mas em breve, estará recuperado e de volta à labuta. Em seu lugar hoje, o 7 cordas Nando Duarte), e será acompanhado pelos feras João Callado (cavaquinho), Alexandre Maionese (flauta, tamborim e voz), Beto Cazes e Fábio Cazes (percussões).

O furdunço começa sempre às 21h, com três sets de uma hora e intervalo de 30 minutos. O Trapiche fica na Sacadura Cabral, 155, Praça Mauá. O telefone é 21 2516-0868.

30 de jul. de 2008

O meu Francisco

Para quem ainda não sabe, está na hora de divulgar: além do Caroço, escrevo também para o blog "Mães em rede", do Globo on line. Hoje, ainda sob o efeito da ultrasonografia que fiz na semana passada, publiquei um post sobre a surpresa de descobrir que serei mãe de um menino (o texto está reproduzido aí embaixo). Francisco vem aí!

O desafio de ter um menino

Primeiro, veio a emoção. Depois, confesso, o susto: eu vou ser mãe de um menino. Francisco se impôs a todas as certezas: a minha, de toda uma vida, de que seria mãe de menina (já tinha escolhido vários nomes ao longo dos anos: Marina, Sofia, Maria, Clara, Maria Clara...); a de amigas, da avó materna, da Carminha (a minha sobrinha de quase 3 anos que é minha inspiração diária), de conhecidos e até de quem nunca tinha me visto, mas me garantia que a barriga era de mulher. Há uma semana, não penso em outra coisa, a não ser em como devo fazer para aprender a criar um filho homem.
Quem me conhece sabe o quanto tenho, digamos, talento para faixinhas de cabelo, meias coloridas, roupas rosas, bonecas, brincadeiras de casinha e de princesa. Com três sobrinhos homens, até arrisco uns chutes, converso sobre Fórmula-1, sei o que é impedimento no futebol, mas... me bateu um medo danado de não saber brincar com meu filho. Ontem, levei o assunto à psicóloga, que, com uma frase, me ajudou bastante: nós temos é que aprender a ser mãe. A partir daí, chegamos juntas à conclusão que não importa se é homem ou mulher, precisamos entender quais as suas necessidades, conhecer seu temperamento, identificar suas peculiaridades e fazer tudo para tocar conforme a música. Enfim, a batalha é árdua, porém gratificante, independentemente do sexo.
Sobre ter menino, já ouvi muita coisa: "Os meninos te seduzem a vida inteira". "O menino sempre vai te achar a mãe mais bonita do mundo". "Você vai ser o maior amor da vida dele". É claro que estou feliz (chorei quando vi o piruzinho na ultra), ainda mais compartilhando a alegria com meu marido, que, desde o início, fazia cara de desconfiado quando, depois de medirem meu bumbum e meus quadris e avaliarem o formato da barriga, vaticinavam: "É mulher". Já até andei sonhando com batmans, super-homens e powers rangers (em algum momento da vida, os meninos ficam fascinados por esses personagens) e estou ansiosíssima para encarar o desafio.
Francisco já ganhou a primeira bola (do Botafogo), já tem lembrancinhas (do Botafogo) para serem entregues às visitas, já tem uniforme baby (do Botafogo), mamadeiras, chupetas e outros apetrechos (do Botafogo), já tem candidato a melhor amigo (o filho da amiga Débora, que será 3 meses mais velho e deverá ser flamenguista - eles que se entendam depois) e uma mãe (vascaína) que já está começando a se acostumar com a idéia de freqüentar o Engenhão (para as meninas que não acompanham o futebol, é o estádio do Botafogo).

25 de jul. de 2008

Dia do escritor - Brincadeira com João Cabral

Aproveitando as citações literárias por aqui, deixo a minha contribuição lembrando que hoje é o Dia do Escritor. Quem deu a dica foi o amigo Henrique Rodrigues, cujo livro de poesia "A musa diluída" recomendo com louvor. Segue seu email:

Hoje é comemorado o dia do escritor, desde um decreto governamental de 1960. O crítico francês Roland Barthes distinguia écrivant (escrivão, aquele que transmite uma mensgagem sem muito gueriguéri) de écrivain (escritor, o que se detém na forma e vai além das palavras, tentando costurar os vazios que existem por trás delas). Uma diferença pequena e imensa entre os dois termos. Vai em homenagem aos camaradas um dos metapoemas mais relevantes da nossa língua: "Catar feijão", do João Cabral.

Catar feijão
João Cabral de Melo Neto

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo;
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e o oco; palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com o risco.

7 de jul. de 2008

Odeio muito tudo isso

Diálogos

O rapaz entra nos supermercados Campeão, ex-Rede Economia, em Botafogo, e pergunta à atendente onde ele pode encontrar gergelim.

_ Gergelim? Desculpa, moço, mas não sei o que é isso.
_ Não? Mas, você conhece aquela musiquinha do Mc Donald's? Do hambúrguer?
_ Conheço. "Dois hamburgues (sic), alface, queijo, molho especial, cebola, picles e um pão com gergelim..."
_ Pois é, gergelim. Viu como você conhece?
_ Ué, mas pensei que fosse só no pão. Vende separado esse negócio?

Na dúvida, o rapaz foi até o hortifruti e fez o resto das compras.

1 de jul. de 2008

Aprendendo a escrever


No terceiro período da faculdade de Jornalismo, deu-se a experiência que considero fundamental para a nossa formação e para a aproximação do grupo que mais tarde formaria este Caroço, em sua forma impressa, nos idos de 2000, no Iacs. Era a aula de oficina de textos, do professor Dênis de Moraes, na qual discutíamos literatura e éramos estimulados a escrever (dava frio na barriga) textos em vários formatos (contos, poesias, artigos jornalísticos, etc).

Mas, a melhor experiência era poder compartilhar o texto um do outro, por meio da leitura que o professor fazia daqueles que ele considerava os melhores. A Lili era a campeã em leitura, e ali soubemos que ela era poeta (uns já sabiam, mas eu descobri durante essas aulas). Assim como tivemos contato com o talento de vários amigos, inclusive do querido (e sumido) Leonardo Cosendey (Leo, se você estiver me lendo, entre em contato, volte a escrever conosco). Minha intuição é de que ali surgiu a primeira semente do nosso projeto, que se tornaria realidade dois períodos mais tarde.

Todo esse preâmbulo é para contar que o amigo Marcelo Moutinho, autor do indispensável Pentimento, vai ministrar uma oficina de contos na Estação das Letras, em aulas às quintas-feiras, das 19h30 às 21h30, a partir de agosto (mais informações aqui). Quando ele me contou do projeto, me lembrei imediatamente daquelas aulas e do quanto aquela convivência literária em sala de aula foi importante para nossas vidas.

Por falar nisso, aí vai um pedido: se alguém ainda tiver um daqueles textos, eu gostaria muito de relê-los aqui no blog.

9 de jun. de 2008

Para os interessados na história da televisão no país e pesquisadores, uma boa nova chegou à internet no fim de semana. A Rede Globo colocou no ar um site com informações, vídeos, fotos e depoimentos sobre seus programas jornalísticos e de entretenimento. A página ainda está incompleta. Mas, para quem já tentou fazer pesquisa neste país sobre arquivos audiovisuais de TV, sabe o quanto é importante uma iniciativa como essa, mesmo que ainda incompleta.

Navegando no site, temos acesso às aberturas de todas as novelas da emissora, além de uma sinopse detalhada das histórias, depoimentos de atores, curiosidades e fotos. É pouco, se pensarmos que no youtube encontramos a cena da famosa briga entre Joana Fomm e Sônia Braga no último capítulo de Dancin' Days (coisa que o site da Globo ainda não pôs à disposição), mas muito se tentarmos procurar por aí mais detalhes sobre a dramaturgia da TV.

Para os fãs novatos de Big Brother Brasil, que viram só o último e se lamentam por ter perdido os primeiros (estou entre eles, faço a confissão pública), estão lá imagens e informações sobre todas as edições do programa.

Outra curiosidade são as reportagens do Jornal Nacional veiculadas na íntegra. Quem quiser rever o JN do dia do impeachment do presidente Fernando Collor, ele está lá. Revendo o programa, lembramos que o Renato Machado, hoje apresentador do Bom Dia Brasil e especialista em vinhos do programa culinário do Claude Troisgros, era setorista do Palácio do Planalto. Podemos perceber também que já naquela época, o Pedro Bial arriscava seus versos em cadeia nacional, cobrindo as manifestações em Brasília. Délis Ortiz e Heraldo Pereira, hoje comentarista político, já estavam na cobertura política, mas a repórter ainda não podia usufruir dos poderes do formol e da escova progressiva.

Tentei ver o JN da posse do Lula (outro dia, a amiga Helena Aragão me perguntou se no Globo haveria alguma cópia do programa. Será que ela conseguiu achar algum petista por aí que tenha gravado?), mas as imagens ainda não estão disponíveis, embora haja um resumo escrito da cobertura naquele dia. Nem todos os links funcionam, mas é de se esperar que o projeto tenha andamento e que, aos poucos, comecemos a ter acesso a mais e mais imagens (isso é verso de música, não?).

Outra coisa interessante é que o site pôs um link para os lances polêmicos da emissora, aqueles que estudamos nas faculdades de jornalismo. O caso Proconsult, a edição do debate Lula-Collor, o caso Time-Life, a cobertura das Diretas-Já. Estão todos lá, com imagens e uma tentativa de argumentação de defesa da emissora. Vale muito a pena ver, e criticar de novo.

Cinema-mulherzinha


Chame suas melhores amigas, vista uma roupa estilosa, dispense o namorado (se ele estiver viajando, melhor ainda) e entre na sala de cinema com uma pipoca bem grande e um copo de coca-cola. "Sex and the city" é para ser visto assim. Não é preciso conhecer nem ser fã da série para se identificar, imediatamente, com a história das quatro quarentonas (elas deixaram a idade de Balzac há tempos) em busca de sexo, amor e paixão na glamourosa Nova Iorque.

O filme tem figurinos lindos. Os sapatos da Carrie fazem qualquer balzaquiana com problema nos joelhos esquecer a dor e subir no salto. Suas roupas deixam as gordinhas mortas de inveja! Os vestidos da Charlote inspiram as românticas e as mamães em primeira barriga. As cores extravagantes da Samantha e até as roupinhas menos inspiradas da Miranda também são destaque num filme em que a moda é um dos principais personagens.

Mas, o que chama a atenção mesmo é a força da amizade. Esse é o mote, mais que as paixões, o sexo, os problemas com filhos e maridos. Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, lá estão as quatro a se consolar ou a festejar alguma coisa. Todos os outros temas são o tempero dessa união, que não é abalada por nada neste mundo. Por isso, "Sex and the city" me emocionou (tudo bem, no meu estado, ando chorando à toa). Eu estava com uma grande amiga do lado. Mas todas as outras estavam ali comigo, em pensamento.

Meninas, corram para o cinema.

5 de jun. de 2008


"Voltei pro Crato/E fui fazer artesanato/De barro bom e barato/Pra mó de economizar", cantarolava, quando saí de casa ontem, olhei para o lado, vi a menina Sílvia e sorri. Podia ser o pai, pensei. "Eu era um broto/E também fiz muito garoto/Um mais bem feito que o outro/Eles só faltam falar", continuava os versos da canção quando, descendo a ladeira da Rua Faro, do outro lado da rua, observo o maestro Luiz Cláudio Ramos. Ah, não, não podia ser o cantor?
À noite, vendo o jogo do Fluminense na TV, ele finalmente aparece. Com o sorriso largo característico, comemora ao lado da filha Sílvia e do genro Chico Diaz, nas cadeiras do Maraca, o segundo gol do seu time.
O dia era dele, do tricolor das Laranjeiras, time do nosso Cartola, do mestre maior Nelson Rodrigues, dos amigos nas arquibancadas, de toda a nação que obrigatoriamente ontem se tingiu de verde, branco e grená e torceu contra os hermanos do Boca Juniors.
Não, não virei a casaca. Sou Vasco, tenho dois botafoguenses em casa e nem ligo para futebol. Mas, não posso negar que a campanha do Fluminense na reta final da Taça Libertadores me fez novamente sentar em frente à TV para torcer e voltar a ver partidas inteiras (o que, nos últimos anos, só tem acontecido em jogos de Copa do Mundo). Tá bom, confesso, eu sou também é muito fã do Renato Gaúcho.

3 de jun. de 2008

Dicas culturais


No ano em que se completam 20 anos da morte da cantora, a agenda do samba e choro divulga o convite para a exposição que o CPC Aracy de Almeida inaugurou ontem na Sala Carlos Couto, espaço anexo ao Teatro Municipal de Niterói, em homenagem à Dama do Encantado. "Aracy de Almeida – 1914/1988: A Realidade do Samba" terá fotos da carreira, capas de álbuns e discos e frases da cantora que foi uma das maiores intérpretes do meu querido Noel Rosa.


A exposição terá ainda um libreto com trechos de entrevistas de Araca, além de depoimentos de Cristina Buarque, Olívia Byngton, Ana de Hollanda, Eliane Faria, Maria Bethânia, Caetano Veloso, entre outros.

Serviço: A Sala Carlos Couto fica na Rua XV de Novembro, 35 – Centro/Niterói, em frente ao Plaza Shopping. A exposição fica em cartaz de 03 de junho a 31 de julho de 2008 e pode ser conferida de terça a sexta-feira, das 10h às 18h; e aos sábados, domingos e feriados das 15h às 18h. A entrada é franca.

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Também em Niterói, a nossa Olívia Bandeira de Mello convida para a exposição fotográfica do grupo Olho Vivo, assessorado pela ONG Bem TV.

Para o serviço, é só clicar na imagem ao lado (linda, por sinal).




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A amiga Elis Galvão divulga o terceiro número da Revista Moviola:

"Nesta edição, a Revista Moviola trata de Cinema e Teatro. Começando com uma entrevista dada por Domingos de Oliveira e Priscilla Rozembaum; um texto de Rafael de Luna sobre o Cinema Brasileiro na primeira metade do século XX; a montagem como separação do Cinema e do Teatro; Renata Mizrahi falando de sua vida como atriz; a difícil relação entre Ópera e Cinema; um podcast Roberto D'Ugo Júnior e sua Música Discreta; as imagens desconcertantes de Rita Melo; e uma entrevista exclusiva com Tião, que venceu a Regard Neuf no último festival de Cannes com seu curta Muro. E ainda: João Paulo Cuenca; Hunter S. Thompson; Contos; Versos; Odylo Costa Filho; e a continuação da campanha da Moviola Fotografe o seu Cinema antes que ele vire Igreja."
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Por último, gostaria de recomendar uma série de textos sobre a Tijuca do nosso colaborador Fernando Miragaya, para onde talvez se mude nossa Caroça Luciana Gondim (existe essa possibilidade, não?), publicados no blog do tijucano Eduardo Goldemberg. Nos textos, ele propõe roteiros interessantíssimos desse bairro da Zona Norte que tem aparecido nos jornais apenas pelo lado negativo (favelas, tiroteios, violência). Tive muitos amigos moradores de lá (em todo lugar há um tijucano, não?) e fiquei emocionada ao conhecer, ainda que virtualmente, um lugar tão querido dos cariocas. Vale a visita.