Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens

7 de nov. de 2008

Obama virtual

Barack Obama lançou nessa quinta-feira o webiste change.gov. O site tem notícias sobre a transição do governo e informações sobre a nova agenda. Vale a pena ficar de olho.

5 de nov. de 2008

I have a dream

Martin Luther King venceu as eleições estadunidenses de 2008. Simbolismos à parte, é esse o principal motivo de celebração: a derrota da contracultura do racismo em um país que há tão pouco tempo assassinou líderes que pregavam a igualdade.

Se fosse uma cidadã estadunidense legalmente reconhecida pelo Estado, latina, também votaria em Obama. Não por ser ingênua a ponto de acreditar que o simbolismo de ter à frente da presidência um negro, descendente de imigrantes, mudará a política do Tio Sam com os países emergentes. Obama provavelmente não assinará o protocolo de Kyoto, não destruirá os muros (físicos e imaginários) que apartam os Estados Unidos do “resto” da América Latina, não deixará de pôr em prática a política imperialista na Amazônia, não vai retirar o apoio ao holocausto palestino.

Em todo caso, a eleição de Barack Obama é onde mais longe a sociedade americana conseguiu chegar.

4 de nov. de 2008

Votem nulo!

Não sei onde li que não adiantava nada votar nulo, que eleição nenhuma seria refeita por haver muitos votos nulos... Mas recebi esta matéria hoje. Alguém pode confirmar?

Vitória esmagadora dos nulos obriga TSE a convocar novas eleições em dois municípios do RJ

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)


Em Bom Jesus de Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro, os votos nulos alcançaram 89,23% da preferência do eleitorado e o candidato único à Prefeitura, João José Pimentel, do PTB, apenas 6,3%. Eram 26.863 eleitores, mas apenas 1.692 votaram em Pimentel. Em Santo Antônio de Pádua, Maria Dib, do PP, obteve 10.074, o equivalente a 37,9% dos votos, enquanto os nulos totalizaram 16.527, o equivalente a 60,35%.

De acordo com as regras eleitorais, nenhum candidato pode tomar posse quando os nulos e brancos vencem as eleições, alcançando um coeficiente maior que a soma dos votos dos candidatos. Nos dois municípios, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá que convocar novas eleições e os dois candidatos rejeitados pela população ficarão inelegíveis. As duas cidades tiveram outros concorrentes, mas suas candidaturas foram impugnadas. Agora será estabelecido um novo prazo para inscrições, propaganda eleitoral e os eleitores terão que voltar às urnas.

O Tribunal Regional Eleitoral (TER-RJ) já está com esquema todo preparado para realizar novas eleições para prefeito em Santo Antônio de Pádua e em Bom Jesus de Itabapoana. A intenção do presidente do TRE, desembargador Alberto Motta Moraes, é convocar o novo pleito ainda este ano, antes da diplomação dos prefeitos eleitos no estado. Pelo calendário eleitoral, a data-limite para os juízes diplomarem os vencedores das eleições deste ano é 18 de dezembro. Sua intenção é evitar que os presidentes de câmaras municipais sejam obrigados a tomar posse, interinamente.

Em Bom Jesus e Pádua, os eleitores deram uma lição de cidadania, demonstrando que o voto nulo é também uma forma de expressar opinião, quando os opções disponíveis não atendem às expectativas.



www.apn.org.br

É permitida (e recomendável) a reprodução desta matéria, desde que citada a fonte.

31 de out. de 2008

Tudo vai acabar em pizza?


Uma rede de restaurantes e lanchonetes do Rio de Janeiro resolveu transformar as eleições em tema de suas toalhas de mesa. A frase diz: "A Parmê homenageia a democracia e deseja sucesso ao nosso futuro prefeito. Vote consciente!"

Não sei quais foram as reais intenções do restaurante. Mas, a imagem dos nossos felizes candidatos sugerem mesmo que, não importa quem esteja no poder, vai tudo acabar em pizza.

A comida não me caiu bem...

26 de out. de 2008

Vida que segue



Terá cura a ressaca eleitoral?

Pois, além de termos que digerir Eduardo Paes até 2012, ainda tem a constatação de que venceram os panfletos apócrifos, a imundice nas ruas, as pegadinhas nos debates, os “militantes” contratados.

Fica uma sensação de Copa de 82. Do futebol de Sócrates, Zico, Falcão e cia. que não foi páreo para a Itália de Paolo Rossi. Depois daquilo, a eficiência da defesa ganhou importância, ditando o padrão do futebol que passou a ser praticado em todo o mundo. Jogar feio deixou de ser pecado, afinal, poderia render um troféu.

“Que nem nossa seleção de 94”, sublinhou a mãe do Francisco (agora tomando parte das discussões futebolísticas!), ontem à noite, durante minha torcida para que o "modelo Paes" de campanha não vingasse.

Para não dizer que só falei de flores, a campanha de Gabeira também teve seus Chulapas, a começar pela canelada na vereadora Lucinha (que marcou o início da campanha no 2º turno). Aind'assim, é um tanto precipitado atribuir a derrota à frase infeliz do candidato verde, até porque frases infelizes não faltaram ao prefeito eleito...

Alguém aí tem um Engov?

PS: A foto do pôste, de Reginaldo Manente, ilustrou a primeira página da Folha da Tarde em 6 de julho de 1982 - dia seguinte ao Itália 3 x 2 Brasil da Copa de 82. Mais sobre a foto
aqui.

19 de out. de 2008

Enquanto isso, no País das Maravilhas...

" É necessária uma refundação global do capitalismo, baseada em valores que ponham as finanças a serviço dos negócios e dos cidadãos, e não vice-versa - disse o presidente da França, Nicolas Sarkozy, no discurso de abertura de um encontro de dois dias entres líderes dos países da zona do euro, em Bruxelas. - O sistema dever ser completamente reformado".

Fonte: O Globo, 16/10/2008


"- (...) gostaria que conhecesse a nossa gata Dinah. Acho que você terminaria tendo uma simpatia pelos gatos, só de vê-la. Ela é tão quietinha, tão boazinha - dizia Alice meio falando para si mesma, enquanto nadava preguiçosamente no lago. - Ela fica tão bonitinha ronronando perto da lareira, lambendo as patas e lavando a cara...e é tão macia de se acariciar...e é tão necessária dentro de casa pra pegar os ratos...oh, perdão, perdão - gritou Alice. Desta vez o Rato ficou todo eriçado e ela teve certeza de que estava realmente ofendido. - Não falaremos mais nada se é o que você quer."

Aventuras de Alice no Páis das Maravilhas, Lewis Carroll

Acontecimentos da semana

"Diversos movimentos e organizações sociais realizaram nessa manhã de quinta [16/10] uma atividade contra o aumento exorbitante do preço dos alimentos. O ato, denominado 'Mulheres em luta pela soberania alimentar', foi organizado centralmente pelo movimento feminista. O ponto alto da manifestação aconteceu em frente ao supermercados Sendas da Rua do Riachuelo. Os manifestantes param em frente a empresa e estenderam um longo tapete-painel lilás com frases de denúncia do sistema capitalista, estabelecendo a relação entre a alta dos preços dos alimentos e a imprescindível resistência das mulheres".


"Mais de 300 integrantes da Via Campesina realizaram manifestação, na tarde dessa quinta [16/10], em frente à sede da transnacional Bayer, em Belford Roxo. A atividade foi organizada pelas trabalhadoras do campo que denunciam o modelo de agricultura industrial controlado por grandes empresas multinacionais. Os manifestantes responsabilizaram essa política pela elevação do preço dos alimentos e pelo crescimento de famintos no mundo".

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)


"Pelo sexto ano consecutivo, movimentos sociais e entidades da sociedade civil realizam a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação em diversas cidades do país.

Os eventos, debates e atos públicos neste ano estarão voltados para o fortalecimento da luta pela convocação da 1a Conferência Nacional de Comunicação. A semana também reforçará a necessidade de revisão dos processos de outorga e renovação das concessões de rádio e TV. Nas capitais onde as outorgas das principais redes de TV do país estão vencidas há um ano – sem terem sido devidamente avaliadas pelos órgãos responsáveis –, audiências e atos de rua serão momentos para a sociedade fazer a sua avaliação sobre como as empresas vêm utilizando estas concessões públicas".

Fonte: Intervozes (www.intervozes.org.br)

14 de out. de 2008

Economia do Pânico

A edição do New York Times de hoje traz uma matéria interessante sobre a atual crise capitalista. Os tradicionais monstrinhos e bruxas do Halloween, usados amplamente para vender, vender e vender tralhas da economia do pânico, foram substituídos por frases de efeito conclamando os estadunidenses a, quem diria, continuarem comprando em plena bolha imaginária de crédito. Sentenças como “Faça uma economia monstruosa” e “Ofertas assustadoras”, de acordo com a reportagem, são as preferidas dos anunciantes.

13 de out. de 2008

Parem as rotativas! A crise chegou

Cento e oitenta jornalistas acabam de ser demitidos do jornal mexicano El Centro. Notícia fúnebre fresquinha, que chegou há cinco minutos via tecnologia yankee, direto da redação latina que vai fechar as portas. Do aquário veio a sentença: como resultado da crise estadunidense, o jornal já não tem recursos para comprar papel – artigo de luxo para bolsos latinos pilhados, cujo preço disparou nas últimas semanas.

10 de out. de 2008

La misionera




Esta semana tive o imenso prazer de ter alguns (pouquíssimos) minutos de conversa com a cantora Mercedes Sosa, uma das mais importantes divas da América Latina. Que figura doce, cheia de amor para dar ao mundo, nos olhos uma sabedoria profunda da realidade que a contorna. Jamais esquecerei o abraço que ela me deu, seu cheirinho de avó com talco. Público abaixo matéria publicada ontem no Jornal do Brasil, para o qual trabalho. A matéria foi escrita com a ajuda precisa de amigos deste blog, com destaque para informações de Pedro Paulo Malta.


Ícone da canção de protesto, Mercedes Sosa recebe Ordem do Mérito Cultural e defende com veemência líderes controversos como o boliviano Evo Morales


Monique Cardoso


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez lobby para sua condecoração e até escolheu pessoalmente o repertório que a diva argentina Mercedes Sosa cantaria, anteontem à noite, na cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural, na qual foi uma das homenageadas. Mas não a viu cantar. Por razões meteorológicas, seu avião não pôde decolar e o presidente não compareceu à festa. Em entrevista ao Jornal do Brasil antes da cerimônia, que durou cerca de três horas no Teatro Municipal, Mercedes rasgou elogios ao líder petista, a quem conheceu durante a reunião de Cúpula do Mercosul em Tucumán, norte da Argentina, sua terra natal e de onde tirou inspiração para suas mais importantes canções. Apesar da saúde frágil, que faz com que se apresente sentada, a cantora, 73 anos, cumpre este mês longa agenda em países da Europa e em Israel. Em novembro, volta ao Brasil para show no dia 28 de novembro, no Vivo Rio.


– É um orgulho muito grande receber esse prêmio do Brasil. – exalta Mercedes, confirmando a escolha do repertório pelo fã ilustre: – Ele pediu para eu cantar Gracias a la vida e Misionera.


Elo forte do país, desde os anos 60, com a cultura dos povos indígenas e o folk argentino, aspectos culturais de sua sagrada Tucumán, Mercedes Sosa continua a levar ao palco, mescladas a músicas de amor, letras que falam das mazelas da América Latina. Resquícios do movimento Nueva Canción, cujas músicas de protesto influenciaram a MPB nos anos 70, principalmente nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, entre outros.


– Minha vida é sacrificada. Continuo viajando com freqüência, mas as pessoas querem me ouvir. O que eu sofro não é nada. Este continente é enorme, muita coisa mudou desde as ditaduras, mas onde quer que eu vá sempre vai haver aquela gente pobre, humilde, que não tem o que dar de comer aos filhos, que não tem onde tomar um banho ou fazer sua higiene, que não tem trabalho. Então eu não posso abandonar esta temática. Esta é a realidade.


Vítima da repressão durante a ditadura argentina, La Negra, como é chamada carinhosamente por causa do tom dos cabelos, tornou-se respeitada ativista de esquerda. Hoje não pode mais liderar panelaços e protestar com as Mães da Praça de Mayo. Por isso, não dispensa o noticiário.


– Acompanho tudo o que posso pela TV. Sei exatamente o que está se passando no Brasil, no Chile, no Uruguai. De todos os países, o Brasil sem dúvida é o que conseguiu estabelecer uma democracia mais forte nos últimos 20 anos e não pode deixar que crises econômicas a enfraqueça – aconselha.


Mais recentemente, seu discurso político voltou com toda a força para apoiar a presidente Cristina Kirchner. A cantora também defende as posturas adotadas pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia. – Defendo a Cristina, Michele Bachelet (presidente do Chile) e demonstrei meu apoio quando Chávez ofereceu enviar tropas para a Bolívia – conta. – É um absurdo tentarem boicotar o Evo, esse homem não merece o que estão fazendo com ele, que foi eleito democraticamente. É um menino muito bom. Em Tucumán estava lá, com toda a simplicidade, jogando bola com as crianças.


A cantora lançou seu último disco, Corazón libre, há três anos. Se, nas décadas de 70 e 80, estabeleceu parcerias com Milton Nascimento, Fagner e gravou diversos compositores brasileiros, como Chico e Caetano, hoje conta com o acordeonista gaúcho Luiz Carlos Borges (autor de Misionera), que a acompanha em turnês pela Europa. – Amo tudo o que vem do Brasil. Continuo cantando Coração vagabundo, de Caetano Veloso em meus shows, mas num portunhol que nunca termino de aprender.

8 de out. de 2008

Diálogos de campanha (ainda no 1º turno) - e uma pergunta

No sacolão volante, estacionado na Pacheco Leão, Horto.

_ Esse Crivella não pode ganhar.
_ Ah, não mesmo. Não voto nele de jeito nenhum, aquele povo evangélico...
_ Você vai votar em quem, então?
_ Ah, eu voto naquele menino, ele é muito bom, honesto.
_ Quem, o Eduardo Paes?
_ Não, no Gabeira, ué.


Numa janela da São Clemente. Uma carreata do Molon passava na rua, com quase ninguém atrás. E a menina Sofia, de 2 anos e 10 meses, pergunta:

_ Mamãe, o que aquele moço tá fazendo em pé no carro, dando tchau?

*****

A pergunta: vocês acham que as fotos do "menino" Gabeira de sunga podem tirar votos do candidato verde?

Eduardo Paes e a milícia



via Pedro Doria.

5 de out. de 2008

Cesar Maia acha que vai dar Gabeira

Se a campanha eleitoral foi morna, o dia de votação está quente no Rio de Janeiro. Daqui a pouco começam a sair as pesquisas de boca de urna. Apressadinho, o prefeito-internauta Cesar Maia já botou seu data-blog na rua. Previsões - baseadas em quê, Deus!!!??? - são favoráveis ao candidato Fernando Gabeira. reproduzo na íntegra o conteúdo que ele publica em forma de newsletter, conhecida como ex-blog.

DATA-BLOG VAI AS RUAS NO SÁBADO E GARANTE GABEIRA FÁCIL NO SEGUNDO TURNO!

1. Gabeira chegará aos 20% e Crivella ficará nos 14%, aliás, previstos desde o início da campanha por este Ex-Blog.

2. O Ibope -confessando os erros- fez um gigantesco ajuste em uma semana. A diferença de 14 pontos passou a ser de 2 (19% a 17%). Mas para fazer essa mágica e se justificar, o Ibope disse que fez uma pesquisa com 1.200 entrevistas durante três dias: quinta, sexta e sábado. Com isso dirá que havia uma curva ascendente de Gabeira e que os três dias mitigaram esse resultado.

3. O Data-Folha fez a pesquisa entre sexta e sábado e deu Gabeira na frente: 18% a 17%, com 2 mil entrevistas.

4. Mas os experimentados entrevistadores do Data-Blog foram para a rua no sábado e entrevistaram 1.200 pessoas por toda a cidade. Na quinta-feira haviam apontado 17% para o Gabeira e 15% para o Crivella projetando pelo menos 3 pontos de diferença no hoje.

5. Mas ontem o Data-Blog fez primeiro uma pesquisa efetivamente espontânea. Gabeira teve 17% e Crivella 10%. Paes teve 22%. Ainda tinham 36% de não-voto (brancos-nulos-indecisos).

6. Na pesquisa de ontem, de intenções de voto induzidas, Gabeira teve 20% e Crivella 14%, numa enorme vantagem muito além da margem de erro. A curva ascendente de Gabeira traduz um movimento de contaminação de voto que pode ampliar esta diferença.

25 de set. de 2008

Ary e o Maracanã


O Gustavo escreveu sobre a Cidade da Música e a Monique lembrou, em comentário, a polêmica sobre a construção do Maracanã, no Rio. Então, aproveito a oportunidade para publicar um texto que tinha escrito para o jornal, mas que não foi publicado, numa série sobre os vereadores do país. Nele, está citada a briga sobre o Mário Filho, defendido na Câmara por ninguém menos que o nosso ilustre Ary Barroso, e atacada pelo controverso Carlos Lacerda. No livro do Sérgio Cabral, há mais detalhes sobre o debate. Aliás, o capítulo que trata de Ary como vereador é o mais saboroso da biografia escrita pelo primeiro-pai do estado sobre o compositor. Segue o texto:



Em tempos de mensaleiros, sanguessugas e fichas-sujas, é curioso lembrar que, no passado, os políticos ofendiam uns aos outros com xingamentos mais, digamos, ideológicos, do tipo “integralista”, “comunista” e até “sambista”. Esse último é o caso do compositor Ary Barroso, que, na legislatura de 1947/1951 na Câmara de Vereadores do Rio, foi “acusado” por um colega de não ter experiência como funcionário público, mas viver de tocar e cantar — como conta o jornalista Sérgio Cabral na biografia “No tempo de Ari Barroso”.


“Sr. Presidente, qual o defeito, qual a culpa, qual o erro, qual o castigo que mereço pelo simples fato de ser sambista? (...) Ser sambista, sr. Presidente, é muito difícil. Nunca pertenci ao quadro de funcionários (da prefeitura) e, se pertencesse e conseguisse chegar ao mais alto grau da carreira, nunca viria à tribuna do Legislativo com a pretensão de atirar contra um colega a pecha ‘infamante’ de sambista. Conclamo os sambistas a prestarem atenção nestas palavras: fui apontado, em tom pejorativo, nesta Casa, como sambista.”


Na época em que Ary ocupou uma das cadeiras da Câmara Municipal do Rio, a ideologia ainda definia posições e projetos. Polêmico, o compositor de “Aquarela do Brasil” foi um vereador atuante, se envolveu em várias discussões e dividiu a tribuna com nomes como Carlos Lacerda, seu colega de UDN. O estilo irreverente e irônico que trouxe de seus programas de rádio, entre eles o “Calouros em desfile”, e da narração de jogos de futebol foi uma de suas marcas na Casa.


Na briga pela aprovação da construção do Maracanã, Ary Barroso defendia que grande parte das despesas seria paga com a venda de cadeiras cativas. Lacerda era contra o estádio, preferia que ele fosse construído num terreno em Jacarepaguá. Tito Lívio, outro udenista, defendia que a prioridade do Rio era a saúde pública. Numa resposta ao colega Tito, Ary usou do deboche:


“Vossa Excelência, que combate com tanta veemência a aquisição de ‘cadeiras cativas’ nos estádios de futebol e que defende com tanto ardor os hospitais, deveria propor a compra de ‘leitos cativos’ para os doentes, já que eles se acham tão necessitados de morar dentro dos hospitais” (“Risos”, registrou a taquigrafia).


Ainda na polêmica sobre o estádio, Lacerda, um dos grandes oradores da casa, respondeu à altura. Uma de suas justificativas era de que o Brasil não tinha cimento suficiente para a construção.


“O Brasil vai importar cimento da Inglaterra para que o nosso colega, o sr. vereador Ary Bar-roso, possa irradiar jogos de futebol”, acusou o futuro go-vernador da Guanabara.


Na Câmara, Ary defendeu os interesses de seu bairro, apresentando projetos para melhorar a ladeira do Leme, onde morava, e os dos compositores brasileiros. Democrata, discursou contra a cassação do mandato dos vereadores do Partido Comunista. Conservador, reclamou da autorização para que banhistas circulassem nos bondes da Light:


“O Rio de Janeiro está se transformando numa cidade de homens seminus, uma vez que os banhistas se intrometem nas ruas distantes da praia, em trajes, positivamente, atentatórios à moral. (...) Assistimos ao desfile crítico e inédito de bondes, em plena Capital da República, carregados de banhistas em trajes menores e atitudes imorais, num desrespeito integral à família carioca, em gestos e esgares que depõem sensivelmente contra os nossos foros de civilização”.


Ao mesmo tempo, ao criticar um projeto que isentava o Clube Militar de impostos, Ary usou argumentos nada conservadores para defender que o teatro é que merecia tal benefício. Num aparte no plenário, defendeu o Teatro Recreio, acusado de imoralidade:


“V. Excia. acha que exibir ao público mulher de corpo bonito é deseducar o povo? V. Excia. desejaria talvez que, pela platéia do Teatro Recreio, desfilassem aleijões e monstruosidades físicas? (...) A pornografia bem disfarçada deixa de ser pornografia. (...) A malícia transforma-se em pornografia desde que o espectador seja pornográfico”.


Em tempos de gastos escandalosos nas câmaras e no Congresso Nacional, Ary Barroso, que já tinha o seu carro importado, foi contra um movimento para que a Câmara importasse automóveis para servir aos vereadores.

“Não vejo, sr. presidente, que, pelo simples fato de me transformar em representante do povo, valha-me dessa prerrogativa para superar o próprio povo, que está enfileirado, esperando a vez de comprar o seu carro. Seria preferível, sr. presidente, abandonar tais questiúnculas de privilégio, de prioridades e defendermos, exclusivamente, os reais interesses do povo.”

24 de set. de 2008

Debate dos candidatos à prefeito do Rio no JB

Os que votam no Rio podem acompanhar, em tempo real, o único debate entre os candidatos à prefeito da cidade realizado no primeiro turno, que acontece agora no Jornal do Brasil.

www.jb.com.br

A transmissão está limpinha. Depois, o vídeo poderá ser assistido no site.

21 de set. de 2008

Domingo é dia de campanha eleitoral

É incrível como o carioca é blasé em relação à política. A campanha na capital carioca, comparada a outras capitais brasileiras, está mais fria que pão de queijo em balcão de padaria. Nem nos subúrbios a coisa está realmente sendo debatida na rua. Os cabos eleitorais, contratados, é claro, só sabem dormir debaixo das placas. Nos municípios da região metropolitana, porém, os votos parecem estar realmente disputador.

Na Baixada Fluminense, onde Deus e a Justiça Eleitoral passam longe, a campanha está animadíssima. Não há um só poste sem galhardete; E todo mundo acorda cedo: às oito horas começa a passar o carro de som, e pelos autofalantes, jingles dos candidatos em todos os ritmos, do axé ao funk, passando pelo forró e pelo pagode, acordam o pobre do eleitor. Os candidatos à prefeito começam o corpo-a-corpo nas padarias de maior movimento, acomapnhados do candidato à vereador do bairro, ou da rua. Os comitês abrem as portas.

Depois do almoço é a ves das carreatas. Trinta, quarenta, até cinquenta carros, ônibus, trios elétricos, botam gente pelo ladrão. As moças que trabalham na campanha, de shortinho e camiseta baby look com a foto do candidato sentam na jabela, com o bumbum para fora. É mas fácil hastear a bandeira. Nas motocicletas, os cabos eleitorais dispensam o capacete. É que deve atrapalhar a hastear a bandeira. Sim, não há campanha sem bandeira!!!

O dia termina com a rua forrada de panfletos, com as mais variadas fotos, que ninguém lê. Acho que os candidatos não tem nenhuma noção de ecologia. Ainda faltam duas semanas para o primeiro turno.

16 de set. de 2008

Punk e dark


Minha vida é punk e dark.

Dois opostos complementares.

Pequena fatia do dilema universal, do duplo universal, do yin-yang fundamental.

O punk do essencialmente coletivo, do ruidoso, do raivoso, do irado, do realista, do revolucionário, do consciente, do iconoclasta, do histórico, do crítico, das utopias, dos libertários, do fraterno, do social.

O dark do essencialmente subjetivo, silencioso, mórbido, pessimista, fim de século, cínico, cético, triste, frio, blue, romântico, poético, idealista, místico, individual.

Mas não consigo deixar de ver características partilhadas entre ambos, demonstrando a imensa complementaridade, não oposição.

A estética punk é visceral, plasticamente energética, mostrando em geral imagens coletivas, de “massas”: os shows, as rodas, o pogar (o modo de “dançar”), o mosh (o subir e saltar do palco)... Tudo até parece, em alguns momentos, uma batalha encenada, uma revolução lúdica. A música punk pode ser tosca em “termos técnicos”, mas é trilha sonora perfeita para atos de rebeldia, revolução, enfrentamento, ódio ao autoritarismo, ao nazi-fascismo, ao preconceito de raça-gênero-sexualidade...

Já a estética dark é extremamente fascinante e inegavelmente tributária de uma longa tradição, que remonta aos tempos mais distantes: a tradição da melancolia. Mas acho que tal estética melancólica finca raízes mais sólidas a partir do século XIX – o ultra-romantismo trágico, Baudelaire, os comedores de ópio. É um filho dileto do mal-estar do capitalismo, do louco crescer da modernidade.

No mesmo solo, utopias e distopias, otimismo e pessimismo, crença e descrença no potencial humano – como dizer que tais dilemas estão definitivamente adormecidos?

Punk e dark.

De Black Flag a Joy Division.

Da bandeira negra da revolução libertária ao traje negro em sinal de luto.

Luto e luta.

Lótus e lúmpen.

Dark e punk.

15 de set. de 2008

Receita para quatro pães caseiros

Ter na dispensa:

4 saquinhos de fermento biológico em pó seco (40g)
1,5 copo de leite morno
1 colher de sopa de açúcar
150g margarina
sal, um punhadinho
6 ovos batidos
1kg de farinha de trigo dona benta
1 ovo batido para pincelar

Disposição para sovar a massa por pelo menos 20 minutos:

Por a farinha na tijela, colocar o fermento, misturar bem. leite morninho, açucar, sal, margarina, comece a misturar. é beeem nojento, grudento. abre um espação dentro, põe o ovo batido. mistura, mistura. a massa vira um chiclete. mexa com vontade, até o braço cansar! numa superfíce limpa e lisa, espalhe um pouco de farinha, ponha o bolo de massa lá e comece a sovar. precisa entrar ar na massa e ela precisa ficar macia. é mais ou menos como lavadeira batendo a roupa na pedra do tanque.
A massa vai ficar linda. Não sei quanto aos amigos leitores. Mas adoro massas caseiras. Esta tem de estar lisa, uniforme. Parta em quatro partes semi iguais. Em breve você terá quatro pães feitos por você mesmo. Não é bíblico isso!!! depois de tanto apanhar, a massa precisa descansar. vai, misteriosamente, dobrar de tamanho. Ah! tire uma bolinha de massa pequenina de um dos pedaços.
Num copinho dágua, mergulhe a bolinha. Quando ela boiar, o que leva uma meia hora, a massa terá crescido o suficiente. em seguida, acenda o forno pra pré-aquecer.
Eu recheei os pães com mussarela e presunto picadinhos, com orégano. é só abrir a massa com a ajuda de uma faca. ou se abre bem e espalha o recheio para depois emrolar, como um rocambole mais grosseiro, ou abre, recheia e faz como um sanduíche, fechando em cima. pincele com ovo. beeem espanhadinho, pra dourar e ajudar a grudar. o forno já estará quente o suficiente e você poe por os pães para assar. em meia hora está pronto, talvez um pouquinho mais.
o resultado é de dar orgulho.
bem, a receita eu meio que tirei do livro da ofélia, qualquer coisa sobre "cozinha maravilhosa". mas fiz várias adaptações. mania de quem está acostumado às alquimias da cozinha e a aproveitar o que tem na dispensa e na geladeira.
saboreiem. compartilhem.

Ouvido por aí, em época de campanha

_ Tenho vontade de dar uma coça em quem inventou o horário de verão.
_ ...
_ É mesmo. Se eu fosse autoridade, mas dessas autoridades que podem fazer qualquer coisa, e descobrisse quem inventou, mandava dar uma coça. Meu filho acorda às 4h pra trabalhar. No horário de verão, é 3h. Não pode.

Segue o papo, mas agora sobre política.
_ Ah, eu não anulo meu voto não. Não vou votar no Crivella, vou de Eduardo Paes, esse aí apoiado pelo governador. Porque eu sou democrata! _ diz a senhora que falava há cinco minutos em bater em quem inventou o horário de verão.
_ Eu vou votar em branco. Não acredito em ninguém.
_ Ah, não pode fazer isso não. O povo tem que ser inteligente: votar no candidato de quem já está no governo. Porque aí, eles não vão poder brigar e depois dar desculpa de que não fizeram nada por causa disso. Aliás, eu não votei nesse Sérgio Cabral não.
_ Esse Sérgio Cabral só tá na política por causa do pai dele, né? O pai dele é político.
_ Nada, o pai dele é jornalista. Nunca soube que ele se candidatou antes. Ele é jornalista político, escreve muito bem. Eu gosto de política, sabe? Gosto muito. Minha antiga patroa era casada com o prefeito da cidade, lá no interior. Essa de agora, não é dona Maria, me deu um livro sobre o Juscelino. Sei tudo sobre o Juscelino. Só não virei professora porque não tenho paciência com marmanjo. Mas sou muito inteligente. "Catuco" muito a vida deles. Já votei muito naquele Nelson Carneiro, o que inventou o divórcio.

11 de set. de 2008

11 de setembro

- Mamãe, o que é comunismo?

- América Latina, minha filha, comunismo é quando você se descobre que seus mortos não estão menos mortos que os mortos deles.