Li este post hoje no Player, um dos blogs do Globo Online, assinado por Rodrigo Pinto, parece que é editor de cultura lá. E como a temática Cultura nos é cara aqui, vai a análise do jornalista. O candidato é Eduardo Paes e o tema é, mais uma vez, mas não só, a Cidade da Música.
http://oglobo.globo.com/blogs/mpb/default.asp#132066
13 de out. de 2008
Continuando a campanha eleitoral...
25 de set. de 2008
Ary e o Maracanã
“Sr. Presidente, qual o defeito, qual a culpa, qual o erro, qual o castigo que mereço pelo simples fato de ser sambista? (...) Ser sambista, sr. Presidente, é muito difícil. Nunca pertenci ao quadro de funcionários (da prefeitura) e, se pertencesse e conseguisse chegar ao mais alto grau da carreira, nunca viria à tribuna do Legislativo com a pretensão de atirar contra um colega a pecha ‘infamante’ de sambista. Conclamo os sambistas a prestarem atenção nestas palavras: fui apontado, em tom pejorativo, nesta Casa, como sambista.”
Na época em que Ary ocupou uma das cadeiras da Câmara Municipal do Rio, a ideologia ainda definia posições e projetos. Polêmico, o compositor de “Aquarela do Brasil” foi um vereador atuante, se envolveu em várias discussões e dividiu a tribuna com nomes como Carlos Lacerda, seu colega de UDN. O estilo irreverente e irônico que trouxe de seus programas de rádio, entre eles o “Calouros em desfile”, e da narração de jogos de futebol foi uma de suas marcas na Casa.
Na briga pela aprovação da construção do Maracanã, Ary Barroso defendia que grande parte das despesas seria paga com a venda de cadeiras cativas. Lacerda era contra o estádio, preferia que ele fosse construído num terreno em Jacarepaguá. Tito Lívio, outro udenista, defendia que a prioridade do Rio era a saúde pública. Numa resposta ao colega Tito, Ary usou do deboche:
“Vossa Excelência, que combate com tanta veemência a aquisição de ‘cadeiras cativas’ nos estádios de futebol e que defende com tanto ardor os hospitais, deveria propor a compra de ‘leitos cativos’ para os doentes, já que eles se acham tão necessitados de morar dentro dos hospitais” (“Risos”, registrou a taquigrafia).
Ainda na polêmica sobre o estádio, Lacerda, um dos grandes oradores da casa, respondeu à altura. Uma de suas justificativas era de que o Brasil não tinha cimento suficiente para a construção.
“O Brasil vai importar cimento da Inglaterra para que o nosso colega, o sr. vereador Ary Bar-roso, possa irradiar jogos de futebol”, acusou o futuro go-vernador da Guanabara.
Na Câmara, Ary defendeu os interesses de seu bairro, apresentando projetos para melhorar a ladeira do Leme, onde morava, e os dos compositores brasileiros. Democrata, discursou contra a cassação do mandato dos vereadores do Partido Comunista. Conservador, reclamou da autorização para que banhistas circulassem nos bondes da Light:
“O Rio de Janeiro está se transformando numa cidade de homens seminus, uma vez que os banhistas se intrometem nas ruas distantes da praia, em trajes, positivamente, atentatórios à moral. (...) Assistimos ao desfile crítico e inédito de bondes, em plena Capital da República, carregados de banhistas em trajes menores e atitudes imorais, num desrespeito integral à família carioca, em gestos e esgares que depõem sensivelmente contra os nossos foros de civilização”.
Ao mesmo tempo, ao criticar um projeto que isentava o Clube Militar de impostos, Ary usou argumentos nada conservadores para defender que o teatro é que merecia tal benefício. Num aparte no plenário, defendeu o Teatro Recreio, acusado de imoralidade:
Em tempos de gastos escandalosos nas câmaras e no Congresso Nacional, Ary Barroso, que já tinha o seu carro importado, foi contra um movimento para que a Câmara importasse automóveis para servir aos vereadores.
Desafinação

Com inauguração prevista para dezembro, a Cidade da Música (Barra da Tijuca), que teve o custo total estimado em mais de R$ 460 milhões (em vez dos R$ 80 milhões previstos inicialmente), está causando polêmica. Além dos gastos considerados excessivos, que representam 20% do orçamento de investimentos da Prefeitura, e do atraso na obra – o cronograma inicial previa a entrega para 2004 - teve o estudo de viabilidade realizado apenas no ano passado, seis anos após o lançamento do projeto. Em março, uma CPI, idealizada pelo vereador Roberto Monteiro (PCdoB), foi instaurada para investigar o suposto mau uso do dinheiro público na obra.
Prometendo ser um dos mais imponentes centros de cultura da América Latina, a Cidade da Música tem também contornos nebulosos: o estudo de viabilidade realizado pela Ernst & Young, por exemplo, mostra que as receitas não serão suficientes para cobrir as despesas. A programação (concertos de música clássica, de ópera e dança, e sessões de cinema), garantirá uma receita estimada em R$ 21,2 milhões com uma despesa apurada em torno de R$ 21,01 milhões ao ano. A manutenção custará R$ 12 milhões anuais, valor que poderá ficar sob responsabilidade da Prefeitura, caso nenhuma empresa interessada em assumir a Cidade da Música venha a ser licitada.
A confusão está armada. De um lado os que consideram o empreendimento o mais ambicioso projeto público das últimas décadas – e um marco no cenário cultural brasileiro. Do outro, os que acreditam que o equipamento será um grande elefante branco, alegando a falta de interesse da população pela música clássica e desconfiando dos preços dos ingressos a serem vendidos. Na CPI, os vereadores se perguntam por que, em vez de gastar R$ 400 milhões na Cidade da Música, o Prefeito não implementou o programa estabelecido em 2000 de construção de bibliotecas e teatros nos bairros.
Projetada por Christian de Portzamparc, marroquino que estudou na École National de Beaux Arts (Paris), e idealizou projetos semelhantes em Paris e Luxemburgo, a Cidade da Música, que será a sede da Orquestra Sinfônica Brasileira no Rio, conquistou, junto com outras 146 obras ou projetos arquitetônicos de 38 países, no início de setembro, o Prêmio de Arquitetura Internacional 2008, oferecido pelo Chicago Athenaeum - Museu de Arquitetura e Design, em parceria com o Metropolitan Arts Press e a revista italiana “Abitare”. A única obra brasileira a ser premiada.
Terá 1.755 lugares na Grande Sala - que servirá para os concertos da OSB -, 1.250 lugares na Sala de Ópera, sete salas de ensaio, dez salas de aula e três cinemas de arte. O contrato de concessão prevê uma orquestra residente com no mínimo 70 músicos que fará dez apresentações em dois anos, regida por maestro com no mínimo cinco contratos internacionais. A concessionária a ser licitada deve ter, no mínimo, três anos experiência na gestão de equipamentos culturais. O complexo cultural contará ainda com midiateca e estacionamento para mais de 800 carros.
16 de set. de 2008
Iggy Baggins

Depois de ler o (muito bom) texto do JH logo abaixo, fui procurar na uiquipédia o nome de um álbum lançado pelo Iggy Pop. Lá, esbarrei na notícia de que deverá ser lançado no fim deste ano um filme-biografia sobre ele e que Elijah Wood (ele mesmo, o Frodo) faria o papel principal.
Calmaí.
Iggy Pop é um louco perigoso. Nos primeiros shows, ele rolava sobre cacos de vidro, vomitava no palco e entrava na porrada com os outros músicos ou com a platéia. Ainda hoje, mesmo sendo uma caricatura de si mesmo, ele incendeia (não literalmente) a multidão.
Pra terem uma idéia do que estou falando, eis um vídeo -- não sei exatamente de quando, mas com o Iggy já meio coroa:
Não consigo imaginar de jeito nenhum o cara que fez o Frodo Bolseiro e o moleque otário que o Macaulay Culkin (antes mesmo de ser um junkie barra pesada) sacaneava em O Anjo Malvado sendo o Iggy Pop. O Ewan McGregor, na época em que fazia filmes bons, interpretou um personagem baseado em Iggy Pop, com bastante fidelidade, em Velvet Goldmine:
Mas, pensando bem, até que uma música do Iggy se encaixa com a história do Senhor dos Anéis, pelo menos no título: Search & Destroy.
30 de jul. de 2008
Juca tanto fez que está lá, é ministro
Não me cabe aqui fazer milhares de críticas, boas ou ruins, à atuação do cantor e compositor Gilberto Gil como ministro da Cultura. Não pararia de escrever nunca. Aliás, os comentários podem trazer a percepção de vocês sobre o reinado dele.
A novidade - velha - é que ele vai sair. Já havia anunciado dúzias de vezes, só faltava dizer em que data apagaria a luz. Por seu elogiado e aguerrido trabalho à frente da Funarte, Antônio Grassi havia sido apontado, há um ou dois anos, pelas classes política e artística, como nome adequado para substituir o ministro, que desde que chegou fala na finitude de seu cargo. O tapete de Grassi, tanto na funarte como no governo foi puxado por uma pessoa, Juca Ferreira, que agora será...o ministro. No lugar de Grassi entrou o inoperante Frateschi, que há um ano ou mais ninguém sabe a que veio. Ser ministro é tudo o que Juca sempre quis. Sempre pôs palavras na boca do ministro Gil. É daquela turma cuja alcunha "ex-militante estudantil exilado"pesa como um sobrenome real.
A maior bandeira de Juca é a mudança da Lei Rouanet. Alega que ela está engessada mas ninguém entende qual é a real proposta. Sei lá viu. Estas coisas me desencantam. Isso não me cheira bem.
Aberto o debate sobre a política cultural brasileira dos últimos cinco anos e os dois que vêm por aí...
19 de jun. de 2008
Promiscuidade machadiana
18 de jun. de 2008
O clássico pode ser pop e bem vagabundinho...
Este boyzinho oriental aí ao lado é o pianista chinês Lang Lang. Tem 25 anos, é mundialmente famoso (ok, a fama na música clássica é relativa) e já está rico. Particularmente gosto dele, e aqui não vai nenhuma consideração crítica, mas adorei conversar com ele, numa entrevista há dois anos e seu concerto aqui no Rio foi bem interessante, embora não tenha sido considerado 100% pela crítica.
Chegou hoje às minhas mãos, distribuído pela Universal Music, o novo CD do astro lançado pela Deutsch Grammophon. Diferentemente da música pop, os artistas clássicos não saem com discos de inéditas assim tão fácil. A música dos compositores vivos é um capítulo à parte no meio. Por isso é preciso sempre caprichar na performance para o novo álbum não seja considerado apenas mais uma gravação, entre tantas, de concertos de Tchaikovsky, Beethoven, Mozart, etc. Apesar de Lang Lang ser uma estrela - sim, ele é - e apesar de sua gravadora ser a mais bem conceituada para este gênero musical, o disco não passa de uma coletânea bem safada, mal-cuidada. Este selo gasta os tubos em marketing, com contratos com artistas importantes, a falta de capricho com o produto é desnecessária. Uma atochação. Traz peças curtas ou parte de obras maiores, como concertos para piano e orquestra, de compositores de diversos estilos e épocas. Tudo misturado, sem qualquer unidade artística, a não ser exibir a virtuose do intérprete. Tem música para todos os gostos. Nas faixas em que o pianista está acompanhado de orquestra, não é possível saber com qual orquestra está tocando - se é a Filarmônica de Berlim ou algum conjunto obscuro do leste europeu - nem que maestro está regendo. É como comprar um disco de um cantor e não encontrar nenhuma informação sobre a banda que o acompanha no encarte.
Talvez nem todo mundo preste atenção nestas informações, mas não é por isso que a gravadora vai omitir. Além disso, o disco traz uma gravação caça-níquel de Lang-Lang com Andrea Bocelli!. Não há nada mais picareta - e brega - que Andrea Bocelli, vamos combinar que nem bom cantor ele é. Não se justifica para mim ele ter se tornado quase um Pavarotti em termos de prestigio, vendagem... Por isso, vamos tirar os saltos altos na hora de falar de música clássica e seus representantes, principalmente os estrangeiros, achando a maior erudição do mundo, coisa de intelectual. É uma indústria com suas particularidades, mas como o pop, o rock, o r&b, também pode servir ao entretenimento e ao apelo fácil do mercado.
9 de jun. de 2008
De volta ao Pantanal!!!
16 de mai. de 2008
Adeus, Dinha
23 de abr. de 2008
O maioral




