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22 de out. de 2008
2 de jul. de 2008
Mostra de vídeos sobre Direitos Humanos
O grupo de produção audiovisual Nós na Fita, assessorado pela Bem Tv, realiza um cineclube mensal, no Sesc Niterói. A próxima exibição será uma mostra de vídeos selecionados da Internet, com a temática Direitos Humanos, no dia 25/07, às 14h. Segue o convite pra quem quiser participar dessa "brincadeira".
Este ano, o grupo já exibiu os documentários "Meninas", de Sandra Werneck, "Pro dia nascer feliz", de João Jardim e "Ônibus 174", de José Padilha. Todas as sessões são seguidas de debates.
Assuntos:
* Olívia Bandeira de Melo,
cinema,
Direitos Humanos,
tecnologia
1 de mai. de 2008
9 de abr. de 2008
Sobre Caveirão, leite Parmalat e moradores de rua
Nas páginas 14 e 15 do jornal O Globo de hoje, menores foram tratados como objetos e a notícia, como mercadoria
As referidas páginas do jornal O Globo de hoje dão uma aula sobre o que o jornalismo não deveria fazer. Na matéria “Choque de ordem em Ipanema e Copacabana”, não encontramos diferenças entre o que foi recolhido (sic) das ruas pelos fiscais das operações Ipa-Total e Copa-Total, mesmo se tratando de “coisas” tão díspares quanto cadeiras e seres humanos. Nas operações realizadas pela Secretaria estadual de Governo, com apoio da Polícia Militar e o objetivo de “combater a desordem urbana” nesses digníssimos bairros da Zona Sul do Rio, “cadeiras de praia, sofás, caixas de isopor, restos de mesas e outros objetos que ocupavam as calçadas na esquina das ruas Teixeira de Melo e Barão da Torre” foram “recolhidos” da mesma maneira que “22 moradores de rua, entre eles sete menores, encaminhados à Fundação para a Infância e a Adolescência (FIA)”.
Qual o destino desses moradores de rua? Não temos idéia. O importante é dar a sensação de que os moradores desses bairros da Zona Sul poderão caminhar por algum tempo sem ter de desviar os olhos e se trancar na indiferença a que ficamos cada vez mais acostumados diante da miséria, da má distribuição de renda e do abandono, principalmente, da infância.
Na outra página, uma notícia que já esperava há cerca de um mês: “Estado comprará dez novos blindados [os famosos Caveirões] para a PM”, além de um helicóptero também blindado. A licitação para a compra dos veículos de guerra (oito serão produzidos no Brasil e dois, “mais sofisticados”, virão de Israel ou da Rússia), veio pouco tempo depois de o jornal publicar uma pesquisa reveladora (para quem simplifica pesquisas, é verdade) do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social: 47,9% dos moradores de favelas apóiam o uso do Caveirão pelo polícia e acredita que o Exército deveria atuar na segurança pública. Pronto, está legitimado o uso do Caveirão!
Pesquisas são sempre um perigo. Esta deve ter provocado muito arrependimento em quem a encomendou, Celso Athayde, da Central Única de Favelas, militante da causa do negro e das populações de favelas. Em primeiro lugar, nós não ficamos sabendo como foram feitas as perguntas, se as perguntas foram bem formuladas e se as pessoas que responderam entenderam as questões. Em segundo lugar, os dados resultantes da pesquisa não foram bem analisados.
Uma análise superficial dos dados pode nos levar a outras conclusões. 47,9% dos moradores disseram ser a favor do caveirão, mas os outros 52,1% estavam divididos entre os que são contra e os que não responderam à pergunta, porque estavam com medo ou porque não entenderam a questão. Um número tão grande de pessoas que se recusam a responder não põe em cheque a pesquisa, mas indica que há problemas com ela, com o modo como foi feita e analisada e/ou com o tema de que ela trata. Não se pode legitimar a utilização de um veículo de guerra em comunidades de baixa renda a partir de uma simples pesquisa de opinião.
Essas duas notícias, assim como as outras encontradas nas páginas 14 e 15 do jornal, são ilustradas com produtos da Parmalat. Leite, iogurte, suco, não estão no espaço destinado à publicidade, mas nos espaços das matérias, concorrendo com elas pela atenção do leitor. A Parmalat acha que seu marketing é mais forte do que as notícias? O Globo acha que as notícias são mais fortes do que o marketing? Ou ambos acham que os leitores/consumidores são bobos?
Assuntos:
* Olívia Bandeira de Melo,
Direitos Humanos,
mídia,
violência
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