“Os bancos brasileiros estão se preparando para novas fusões depois do anúncio da união entre Itaú e Unibanco”, destaca a edição desta sexta-feira do jornal britânico Financial Times.
De acordo com o periódico, as condições são propícias pois "o Brasil tem cerca de 150 bancos, muitos deles de pequeno porte e concentrados em uma única linha de negócios como empréstimos para a compra de veículos ou ligados a folhas de pagamento, áreas que cresceram depressa seguindo a criação de empregos e aumento de salários".
O artigo ressalta que o Banco do Brasil, que até antes da fusão Itaú / Unibanco era maior do país, e o Bradesco, que já foi o maior banco do setor privado, deverão buscar aquisições muito em breve.
Foto: Marcelo Valle
7 de nov. de 2008
Capitalismo selvagem II
5 de nov. de 2008
I have a dream
Se fosse uma cidadã estadunidense legalmente reconhecida pelo Estado, latina, também votaria em Obama. Não por ser ingênua a ponto de acreditar que o simbolismo de ter à frente da presidência um negro, descendente de imigrantes, mudará a política do Tio Sam com os países emergentes. Obama provavelmente não assinará o protocolo de Kyoto, não destruirá os muros (físicos e imaginários) que apartam os Estados Unidos do “resto” da América Latina, não deixará de pôr em prática a política imperialista na Amazônia, não vai retirar o apoio ao holocausto palestino.
Em todo caso, a eleição de Barack Obama é onde mais longe a sociedade americana conseguiu chegar.
4 de nov. de 2008
Capitalismo selvagem
14 de out. de 2008
Economia do Pânico
13 de out. de 2008
Parem as rotativas! A crise chegou
11 de set. de 2008
11 de setembro
- Mamãe, o que é comunismo?
- América Latina, minha filha, comunismo é quando você se descobre que seus mortos não estão menos mortos que os mortos deles.
VÉU – Breves errâncias da mente de uma noiva 15 dias antes
sou concatenação de saudades
que paira
sobre o ventre
com duplicidade única
debulhada em teu sexo em flor
15 de ago. de 2008
Notícias Latinas - 13/8/2008
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Censo americano revela que, em 2042, negros, latinos, asiáticos e outras minorias vão suplantar a população branca nos Estados Unidos. Em 2050, de acordo com a pesquisa estadunidense, serão 46% brancos não-hispânicos, 30% hispânicos, 13% negros, 8% asiáticos e 5% de outras origens residentes no país.
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A CNI (Confederação Nacional da Indústria) argumenta que a ampliação da licença-maternidade para seis meses "sacrificará" a competitividade da indústria brasileira. "Não é dureza de coração, mas quatro meses de licença-maternidade estão de bom tamanho", afirmou o presidente do Conselho de Relações do Trabalho da entidade empresarial, Francisco Gadelha.
7 de ago. de 2008
Maldita
no início achava que brincava
mas me perdi entre gretas
e hoje sou sua escrava
no início maldita escrava
me perdi com as letras
essa mania de trabalhar entre gretas
achava hoje que brincava
e me achava entre gretas
mas hoje perdi sua escrava
mania de trabalhar e brincava
no início sou maldita entre letras
24 de jul. de 2008
Brincadeira com Clarice
“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é.”
De Felicidade Clandestina, Clarice Lispector. Rocco, 1971.
E eu que, plena de arrogância, achava que já tinha lido tudo de Clarice, há exatos sete dias descobri o visceral conto “Perdoando Deus”. Desde então, rezo para dar de cara com um rato de esgoto.
22 de jul. de 2008
Coordenadas
13 de jul. de 2008
VÉU – Breves errâncias da mente de uma noiva, 75 dias antes
Quando homem e mulher dormem juntos, entrelaçados, os sonhos pairam frenéticos sobre os corpos, sem saber onde pousar.
3 de jul. de 2008
Semente de conto - O LIBERTADOR
Enquanto a multidão tricolor se equilibrava sobre os braços das cadeiras, maldizendo o pescoço pequeno demais para alcançar o gramado, ele permanecia sentado, cabisbaixo, com as mãos espalmadas sobre o chão. Sentiu o cheiro da fumaça dos fogos de artifício, brincou com o vapor de pó de arroz que envolveu sua nuca, segurou o peito ao ouvir o forte apito inicial. As cadeiras todas rangiam ao mesmo tempo, com o incansável trotar de 160 mil pés. Se agarrava como podia ao chão já lavado de suor e cerveja, rei absoluto da área do Maracanã que se via desde abaixo do joelho. Apesar de extasiada com o espetáculo tricolor, uma força maior, quase mágica, atraía meus olhos em direção a ele. Trinta segundos antes do gol adversário ser anunciado, ele soltou um urro de desespero. Logo em seguida, a multidão o acompanhou. Na tentativa de driblar a dor pela inesperada ameaça de derrota, afastei os olhos do gramado e comecei a assistir ao espetáculo pelos olhos dele. E vibrei, em insana euforia, trinta segundos antes do primeiro gol tricolor e outros trinta antes do segundo. Emocionada, lancei-me também ao chão, que se movia tal qual mar revolto. Esperava com a ansiedade da criança que aguarda o presente de Natal o celebrar precipitado daquele humilde profeta, coberto por uma bandeira rasgada e quase incolor. Trinta segundos antes do terceiro, chorei de felicidade, abraçada aos meus, pedindo a Deus um último vibrar profético daquele santo libertador. Mas trinta segundos antes da partida terminar, ele tirou os óculos escuros e exibiu duas pupilas enxarcadas e tão brancas quanto a sigla do Fluminense estampada na velha bandeira.1 de jul. de 2008
Semente de conto - O CAPITAL
Onze da noite e ela ali, depois do turno de oito horas oficiais e duas extras. Úlcera dormindo tranqüila do lado esquerdo do estômago, biscoitos amanteigados, nona xícara de café do dia. Digita. Digita. Digita. Lá pela décima oitava página do relatório, sentiu a ponta dos dedos pesarem. Levantou, as costas doíam. Fez e refez os exercícios para a tendinite que o fisioterapeuta lhe ensinara. Pulso pra cima, pulso pra baixo. Pulso pra baixo, pulso pra cima. Digita. Digita. Digita. Sentiu os dedos ainda mais pesados, e quando arriscou uma tecla, as letras afundaram todas de uma vez. Quis esconder as mãos gigantescas atrás das costas, mas os dedos avançaram pelas pernas, desceram pelas coxas e tocaram o chão. Ainda assim, passou desapercebida entre os colegas hipnotizados pela tela do PC. Boa noite. Boa noite. Boa noite. Decidiu voltar caminhando para casa, uma bolsa de água quente certamente amenizaria o inchaço. Ou talvez devesse ir ao médico no final da semana, faltavam ainda muitas páginas do relatório para concluir. Atravessou a rua o mais rápido que pode, mas lhe faltaram as forças para carregar o mindinho. O dedo foi atropelado por um motoqueiro, que o confundiu com uma lombada. Se um cara manda no Brasil com nove dedos, pensou, eu posso muito bem bater um relatório sem um mindinho. Faltavam apenas duas ruas para chegar ao apartamento, onde ninguém lhe esperava, mas mal conseguia se locomover. Um vira-lata ladrou assustado com o polegar que destruía o asfalto por onde avançava. Logo vieram os outros cães que se fartaram com a carne exposta da palma das mãos. Caiu na esquina, entre latões de lixo e muros grafitados. Acordou rodeada por populares, que com facões e tesouras arrancavam o que faltava da mão, que crescera durante a madrugada e já ocupava todo o bairro. Dez mil novas barraquinhas de churrasco foram armadas em toda a cidade. Não sentia dor, apenas agonia por não ter acesso ao PC. Pediu uma caneta e um bloco de papel a um senhor que cortara a terceira falange do seu indicador. Arriscou um E, logo um P, e em menos de duas horas já aprendera a escrever o alfabeto todo com o pé direito. Trigésima terceira página do relatório, o dedão do pé começou a inchar. Escreve. Escreve. Escreve. O asfalto da rua logo cedeu, caíram os populares, as barraquinhas de churrasco, as casas, os prédios e as lápides. 24 de jun. de 2008
Indiferença
Compa, chegou o inverno. Parece que a saudade tem termômetro, aumenta sempre que a temperatura cai. Saudade das suas idéias rasuradas sobre os restos do café da manhã, que costumavam tomar todo o apartamento, como cheiro de pão fresco no forno. Desde que te escrevi pela última vez, Ernesto ganhou sete centímetros. Está cada vez mais inquieto, como nós quando jovens. E tem aquele quê de temerosidade, que faz bem a todo revolucionário que não entrega a vida à toa. Não sei se por precoce sabedoria ou mania de perseguição, o menino inventou agora que uma nova ofensiva estadunidense está por vir. Diz ele que depois que levou bomba no Iraque, os americanos do Norte perceberam que tinham deixado os americanos do Sul livres de mais. Tão livres, que o inimaginável aconteceu: os movimentos sociais, com forte poder de persuasão popular, chegaram ao poder por via democrática. E parece que só agora Bush se deu conta de que os índios estão no poder. Ouviu bem, compa? Os índios estão no poder! A TV transmite, o jornal alardeia, mas não é curioso como exatamente quando conseguimos aquilo pelo qual lutamos há séculos, não temos forças nem para comemorar? Ou estão todos surdos ou não estão mesmo entendendo os avanços que conquistamos nos últimos anos. Talvez não seja – não é – exatamente como pensamos, mas, o menino está certo, melhor uma democracia construída por nós que uma outra imposta por eles. Há quem diga que o que está acontecendo aqui em baixo, no quintal, é fascismo. Acho que fascismo foi só um termo reinventado para dar nome aos esquemas de controle latino-americanos. Quando são os estadunidenses quem controlam, o fascismo recebe nome de democracia. Mas não tem jeito. Ernesto está com medo da contra-ofensiva e por isso tenho enjoado mais. Tento acalmá-lo, dizendo que não é a primeira vez, mas o menino está inconsolável. Quando o temor aumenta, rezo muito, para não sermos engolidos pelo fantasma da indiferença, nem sermos levados por esse discurso de que os nossos líderes indígenas são neoterroristas. Aí chegam as notícias sobre os confrontos diretos com as oligarquias na Bolívia? Falam de confrontos militares pesados, com prenúncio de um novo massacre, que certamente não será noticiado. Nunca sei em quem acreditar, não se escreve mais nas entrelinhas. Não sou mais a favor das armas, vou ser mãe. Mas também não acredito em democracia real sem luta, nem em comunhão com o neoliberalismo. Trata-se de tornar o mundo desconfortável para eles, assim como estou agora.18 de jun. de 2008
16 de jun. de 2008
Desesperançar
6 de jun. de 2008
Semente de Conto - EPIFANIA TRICOLOR
Quatro minutos do primeiro tempo. As oitenta mil cabeças submersas na forma oval assistiam, extasiadas, ao vaivém de bolas amarelas no gramado. As mãos se encontraram na tentativa de alcançar o balão vermelho. Veio a nuvem de arroz e ele lhe ofereceu a camisa para proteger o rosto. O suor brotou farto pela testa até alcançar a virilha. A bandeira tricolor desceu inteira sobre os dois, protegendo-os de si mesmos. Doze minutos do segundo tempo. Inconsolável, ele caiu. Ela lhe devolveu a camisa, cobriu suas costas com as mãos. Os seios roçaram o braço direito. As pernas trepidaram e as línguas se encontraram. Dezoito minutos, gol de Washington. Os mamilos encontraram o peito de frente. Morderam-se os lábios em profano silêncio. Nova nuvem de arroz e o corpo inteiro ficou anestesiado. Vinte e seis do segundo. Conca, Conca, Conca, e as mãos encobriram toda a cintura, dedos já na altura do ventre. O espaço entre o vão das pernas dele ganhou forma, ela ardia por dentro. Faltou-lhes o ar. Quarenta e sete. Dodô! O manto tricolor caiu sobre as cabeças e se amaram ali, na íntima comunhão de um Maracanã lotado.
3 de jun. de 2008
Caso Jornal O Dia 3
Enquanto a maioria alardeia, mui justamente, a tortura sofrida pelos nossos bravos colegas do jornal O Dia por inescrupulosos policiais, peço vênia para desviar um pouco o olhar para dentro de casa; mais especificamente para os aquários, onde engravatados comandantes da comunicação lançam, diariamente, centenas de operários das letras na cova dos leões. Com redações cada vez mais enxutas e a necessidade crescente por pautas sensacionalistas, a nobre função de ser “os olhos e ouvidos da sociedade” se converteu em uma atividade suicida.
Jornalismo investigativo de qualidade requer tempo, dinheiro, infra-estrutura e profissionais preparados. Mas os comandantes, que certamente nem por um milhão de euros se embrenhariam em uma favela dominada por milícias, optam sempre pelo caminho mais rápido: convencer apaixonados pela profissão a conseguir a manchete do próximo domingo em troca do pão no fim do mês. É isso ou rua.
Há quem diga que práticas como essa são inevitáveis em uma atividade como a reportagem. Mas nem o mais cruel comandante enviaria um soldado sozinho e sem suporte para o campo de batalha. O que se questiona aqui não é, em absoluto, a realização de matérias investigativas, que denunciem os algozes da sociedade. Mas a falta de segurança profissional para quem ainda tem coragem e paixão para exercitar o que, de fato, é jornalismo.







