
22 de set. de 2008
Um dia...

13 de set. de 2008
Na sola dos meus pés
22 de ago. de 2008
Obituário de um sobrevivente
Tudo bem gente, confesso que nasci no então Estado da Guanabara, nos Anos de Chumbo e na meia-vida do AI-5. Assisti a Máquina Tricolor em ação e me tornei Fluminense ao ver o Rivelino entortar a zaga do Vasco. No Maraca, a gente bebia Coca-Cola de máquina e Mate Leão naqueles latões, e ainda comia cachorro quente do Genial, cuja salsicha ficava exposta ao calor de 40 graus. Tudo sem qualquer fiscalização da Vigilância Sanitária. Lembro-me de quando Elvis morreu (mas será que ele morreu mesmo?). Lembro-me quando Cartola, Carmem Miranda, Vinícius de Moraes, Elis Regina, Cecília Meirelles e Garrincha morreram...
Vi pela televisão o Brasil ser campeão moral da Copa da Argentina e o ursinho Micha chorar nas Olimpíadas de Moscou. Joguei Telejogo (o primeiro videogame vendido no Brasil, da Telefunken!) e tomei Ki-Suco, um suco em pó mais artificial que Tang. E chupava balas Banda e Soft, que tinha um formato condenado e amaldiçoado por médicos, pois grudava no meio da garganta e fechava a glote. Mesmo assim, era vendida em qualquer cantina de escola ou barraquinha. Acompanhei o noticiário sobre as bombas na OAB e do RioCentro e comecei a achar que o SNI me vigiava e tinha minha ficha completa.
Comia sem medo os quitutes que a gente ganhava de desconhecidos no Dia de Cosme e Damião. Vivi a expectativa de uma Terceira Guerra Mundial e me assustei com o filme “The Day After”. Lembro da inauguração do Sambódromo... Freqüentei o Circo Voador quando ainda era no Arpoador e me amarrava nos shows “fumaçentos” do Celso Blues Boy. Era rato do “original” Noites Cariocas, no Morro da Urca, onde assisti um monte de bandas de BRock começarem e por onde me entranhei na mata para tentar chegar ao morro sem ter de pagar. Assisti ao Bernard dar o saque Jornada nas Estrelas, no Maracanã. Voltei várias vezes a pé para casa sozinho, às três da matina, na maior inocência e tranqüilidade.
Passei e levei cristal japonês no olho, que fazia a gente chorar e, por um milagre, ninguém ficou cego. Usei calça amarelo ovo com camisa de manga comprida vinho da OP e dancei new wave peitando os outros na Mamão com Açúcar, Robin Hood Pub, Mistura Fina e Help (antes de virar um puteiro). Vi pessoas dançarem com as paredes no Crepúsculo de Cubatão. Saí na porrada um sem número de vezes no Maracanã, levei bomba de gás lacrimogênio e cacetete da PM. Brinquei com mercúrio puro (que os dentistas davam para a gente brincar!) e essa porra deve estar no meu sangue até hoje. Dei calote em ônibus. Fumei Salem, um cigarro de menta 300 vezes mais cancerígeno que qualquer outro normal, enquanto meus amigos que não tinham dinheiro nem culhão para comprar loló ou maconha, cheiravam benzina e vomitavam depois.
Joguei pedras em ônibus na manifestação popular na Central do Brasil, em 1988. Bebi vodka Natasha, cerveja Malt 90, uísque Passport e caninha Pitu (sim, menor conseguia comprar bebida e cigarros sem problemas). Fui a todos os comícios do Lula no Rio de Janeiro e votei pela primeira vez para presidente, em 1989, sem medo de ser feliz. Chorei com a vitória do déspota de Maceió, com a queda do Muro de Berlim e com a Coca-Cola na China.16 de ago. de 2008
26 de jun. de 2008
Muito mais que um sonho

Parecia um sonho. Mas felizmente foi real. Um governo genuinamente socialista encheu de esperança um país e a América do Sul. À frente, coincidentemente mais um médico. Um líder que desejava um governo voltado para a educação, um país independente do capital estrangeiro exacerbado, uma "via chilena para o socialismo". O sonho se tornou mais real quando ele nacionalizou as minas de cobre, que eram brinquedinho de multinacionais, e os bancos. E o incrível: dividia os lucros com os funcionários.
Em sua breve passagem, mais realidades: a inflação caiu, o poder aquisitivo aumentou, a economia também. Tudo em um âmbito democrático e limpo. Foi demais para o império do norte. Na seqüência de horror, corrupção, roubalheira, imundice e assassinatos que varriam o continente, o sonho real se tornou pesadelo. A onda paranóica para servir a interesses do outro hemisfério se fez presente com bombas e homicídios dele, de 7 mil conterrâneos, de um país, de um continente.
Hoje, Allende faria aniversário. A lembrança desta data e deste homem em jornais e sites, porém, comprova que, sem dúvida, não foi um sonho. Foi real. E pode ser real novamente. E está sendo real por aí. Basta não deixar o pesadelo que vem lá de cima fazer crer que tudo não passa de sonho.
18 de mai. de 2008
Quem poderá intervir?
“Planeta: a Terra.
Cidade: Tóquio.
Como todas as metrópoles deste planeta, Tóquio está hoje em desvantagem na sua luta contra o maior inimigo do homem: a poluição. E, apesar dos esforços de todo mundo, pode acontecer que – um dia – a terra, o ar e as águas venham se tornar letais para toda e qualquer forma de vida.
Quem poderá intervir?
SPECTREMAN!!!!”
Era assim que sempre começava um episódio do Spectreman, depois daquela abertura que tinha uma música muito legal (e sobre a qual eu sempre falava: “Quando tiver uma banda, vou fazer uma versão dessa música...”).
Eu devia estar sentado no sofá, tirando meleca e coçando o saco ainda moleque.
Acho que passava na TVS (hoje SBT), ou também passou na extinta TV Manchete... não sei.
Monstros gigantes, cenários toscos, a inconfundível vitória do Bem contra as forças do Mal.
Doutor Gori e sua risada ameaçadora, no fundo, não ameaçavam ninguém.
Nosso herói, Spectreman, trajando seu coletinho mal passado, era mais do que um super-herói. Pela introdução, ele já assumiria a responsabilidade de um ambientalista ferrenho, a defender o planeta da louca voracidade da industrialização.
Em Kyoto, anos mais tarde, Spectreman, com sua identidade humana de Joji Gamu, estava na platéia. Já com uns 50 e poucos, bem acabadaço, não teve forças para reagir. Sua história de bons serviços à Divisão de Pesquisa e Controle de Poluição não foi considerada. Ele pediu a palavra, mas foi solenemente ignorado pelos chefes de Estado presentes. Caiu na real e viu que o jogo estava perdido.
Desesperançoso, Spectreman pegou um trem-bala até Tóquio e seguiu a viagem acompanhando um show de bizarrices na TV em frente de sua poltrona. Quando desceu, resolveu comprar calcinhas usadas de colegiais nipônicas numa dessas lojas para japas de meia idade que se amarram em calcinhas suadas de colegiais nipônicas.
Em casa, jogou os sapatos para longe e ligou a TV. Ficou vendo alguns desses desenhos japoneses. A luta, agora, se colocava em mundos paralelos, distantes do cof-cof, dos engarrafamentos, das buzinas, das colegiais. Um mundo fantástico e asséptico.
Ele se sentiu um panaca, um palhaço a serviço de um país que mata baleias em nome de “valores culturais”.
Ele foi até o quarto. Abriu o armário e pegou uma caixinha. Tirou lá de dentro um pouco do haxixe que um amigo filipino havia descolado com um conhecido indiano que fazia hora-extra numa fábrica que fazia peças para aparelhos da Sony. Preparou o fumo e tocou fogo.
Pegou uma fita VHS empoeirada e colocou no videocassete.
Ele se sentou no sofá.
Começou a viajar no episódio em que ele pegou uma barata gigante pela antena e atirou longe, indo cair naqueles prédios toscos feitos de papelão, ou coisa parecida.
Deu uma boa risada. Depois, tirou uma meleca e coçou o saco velho.
E pensou alto:
- E agora? Quem poderá intervir?
12 de mai. de 2008
É coisa nossa...
2 de mai. de 2008
Em Lisboa, de braços dados com Pessoa
17 de abr. de 2008
Tapete Vermelho 1
16 de abr. de 2008
Esbarrei nela
Um dia esbarrei nela, linda, toda-toda, cheia de salamaleques e olhares sedutores. Fisgou-me na mesma hora. Aquele carnaval foi memorável. Linda, linda, purpurina tilintando nos olhos. Um aperto no peito. Ela sumiu. No meio daquela multidão. Um vazio. De repente, um par de pernas, todo trançado de branco. Filó vermelho escondia as coxas, e a bunda, que bunda. A barriguinha saliente denunciava as gordurinhas, daquelas que se pode pegar e apertar até cansar de tanta gostosura. Seios pequenos. Podia fechar os olhos e dizer que cabiam nas palmas das minhas mãos. Os braços acompanhavam as pernas, longilíneos, desses que te abraçam até quase sufocar. Fingi que não vi. Passei, olhei pra trás e lá estava ela, a nuca fogosa. Cabelos longos, desciam pelos ombros magros e recortavam o rosto fino da mais bela visão da festa do Rei Momo. Seus olhos castanhos me fitaram num sorriso fechado, de um lado parado, do outro puxado. Vi a covinha. Linda. Senti que já estava no papo. Eu, claro. Me tremi inteiro. Ela sorriu. Agora por inteiro. Olhou pra frente e seguiu devagar...
14 de abr. de 2008
O importante é que emoções eu vivi
7 de abr. de 2008
Rod Stewart provocou sessão nostalgia
Foto: Antônio Teixeira / CPDoc JB












