Mais um baque na economia globalizada. Mais uma vez, o mundo vira refém dos papéis. Malditos papéis na mão de investidores que brincam de banco imobiliário ao seu bel prazer, sem gerar emprego ou qualquer outro benefício. É a sociedade moderna, dizem, indispensável para a sobrevivência dos países. Mas que país pode sobreviver com especuladores ávidos por lucros que deixam de colocar suas peças de monopólios em determinados lugares de uma hora para outra e são capazes de quebrar um país inteiro?
Ah, os neoliberais verborrágicos de plantão dirão que a economia hoje é assim mesmo, que o mundo não consegue mais viver de outra forma, que a globalização é inevitável, nhém-nhém-nhém bem ao estilo das aves emplumadas brasileiras. Muito cômodo para eles, que fazem três refeições por dia, possuem um belo carro na garagem, não precisam contar os níqueis no fim do mês, os filhos têm planos de saúde e escola particular...
Enquanto o capital e o lucro continuarem com privilégios, esse panorama de ansiedade financeira e revés econômico vai acontecer, com mais freqüência. E alguns vão ficar cada vez mais ricos e
um bilhão de pessoas no mundo terão cada vez mais fome. É esse o preço que temos de pagar para eu ter um perfume importado, um carro na garagem, comer no palhaço vermelho e amarelo, beber soda cáustica e ter uma roupa moderna?
Tudo bem, sou utópico. Vou já colocar meu dinheiro sob o colchão.
17 de set. de 2008
Globalização é isso aí
11 de set. de 2008
Aqui se faz...
A mídia só lembra do 11 de setembro como o dia dos atentados ao World Trade Center, do horror dos prédios caindo e da morte de 3.500 pessoas. Um fato que convenientemente ofuscou uma outra tragédia, que sempre foi tratada com menos importância pela mídia, ainda mais a nossa, que adora "chupar" o que se fala lá fora, sem qualquer visão crítica.
Há 35 anos, nessa mesma data, o Chile foi devastado covardemente. Em vez de aviões em prédios, tanques disparando incessantemente contra La Moneda. Um presidente morto, milhares caídos. Iguais aos projetos e ao desenvolvimento social do país que foram abortados. No lastro desse terror oficial, mais de 7 mil mortes estimadas.
Coincidentemente, uma onda de terror que veio do Pacífico Norte e avançou sobre todo o continente sul-americano. O número de afogados? Oficialmente, nem se sabe, mas deve ultrapassar 30 mil.
Hoje, a maré continua agitada, em outros mares, em outros continentes, mas sempre com a mesma origem.
Já as ondas de lágrimas só relembram do 11 de setembro mais recente.
Não deixemos de chorar os outros milhares de 11 de setembros instaurados mundo afora...
22 de ago. de 2008
Obituário de um sobrevivente
Tudo bem gente, confesso que nasci no então Estado da Guanabara, nos Anos de Chumbo e na meia-vida do AI-5. Assisti a Máquina Tricolor em ação e me tornei Fluminense ao ver o Rivelino entortar a zaga do Vasco. No Maraca, a gente bebia Coca-Cola de máquina e Mate Leão naqueles latões, e ainda comia cachorro quente do Genial, cuja salsicha ficava exposta ao calor de 40 graus. Tudo sem qualquer fiscalização da Vigilância Sanitária. Lembro-me de quando Elvis morreu (mas será que ele morreu mesmo?). Lembro-me quando Cartola, Carmem Miranda, Vinícius de Moraes, Elis Regina, Cecília Meirelles e Garrincha morreram...
Vi pela televisão o Brasil ser campeão moral da Copa da Argentina e o ursinho Micha chorar nas Olimpíadas de Moscou. Joguei Telejogo (o primeiro videogame vendido no Brasil, da Telefunken!) e tomei Ki-Suco, um suco em pó mais artificial que Tang. E chupava balas Banda e Soft, que tinha um formato condenado e amaldiçoado por médicos, pois grudava no meio da garganta e fechava a glote. Mesmo assim, era vendida em qualquer cantina de escola ou barraquinha. Acompanhei o noticiário sobre as bombas na OAB e do RioCentro e comecei a achar que o SNI me vigiava e tinha minha ficha completa.
Comia sem medo os quitutes que a gente ganhava de desconhecidos no Dia de Cosme e Damião. Vivi a expectativa de uma Terceira Guerra Mundial e me assustei com o filme “The Day After”. Lembro da inauguração do Sambódromo... Freqüentei o Circo Voador quando ainda era no Arpoador e me amarrava nos shows “fumaçentos” do Celso Blues Boy. Era rato do “original” Noites Cariocas, no Morro da Urca, onde assisti um monte de bandas de BRock começarem e por onde me entranhei na mata para tentar chegar ao morro sem ter de pagar. Assisti ao Bernard dar o saque Jornada nas Estrelas, no Maracanã. Voltei várias vezes a pé para casa sozinho, às três da matina, na maior inocência e tranqüilidade.
Passei e levei cristal japonês no olho, que fazia a gente chorar e, por um milagre, ninguém ficou cego. Usei calça amarelo ovo com camisa de manga comprida vinho da OP e dancei new wave peitando os outros na Mamão com Açúcar, Robin Hood Pub, Mistura Fina e Help (antes de virar um puteiro). Vi pessoas dançarem com as paredes no Crepúsculo de Cubatão. Saí na porrada um sem número de vezes no Maracanã, levei bomba de gás lacrimogênio e cacetete da PM. Brinquei com mercúrio puro (que os dentistas davam para a gente brincar!) e essa porra deve estar no meu sangue até hoje. Dei calote em ônibus. Fumei Salem, um cigarro de menta 300 vezes mais cancerígeno que qualquer outro normal, enquanto meus amigos que não tinham dinheiro nem culhão para comprar loló ou maconha, cheiravam benzina e vomitavam depois.
Joguei pedras em ônibus na manifestação popular na Central do Brasil, em 1988. Bebi vodka Natasha, cerveja Malt 90, uísque Passport e caninha Pitu (sim, menor conseguia comprar bebida e cigarros sem problemas). Fui a todos os comícios do Lula no Rio de Janeiro e votei pela primeira vez para presidente, em 1989, sem medo de ser feliz. Chorei com a vitória do déspota de Maceió, com a queda do Muro de Berlim e com a Coca-Cola na China.24 de jul. de 2008
Dois pesos, duas medidas
A Justiça condenou o MST a desembolsar R$ 5,2 milhões à Vale, outrora Companhia Vale do Rio Doce. O processo movido pela mineradora se refere à ocupação e interdição da ferrovia de Carajás, ocorrido em abril, pelo movimento (impressionante como a Justiça é rápida para condenar movimentos sociais).
E logo surgem os porta-vozes da "ordem" e da "legalidade" para condenarem as ações do MST. O discurso é quase sempre o mesmo: o movimento não conhece vias democráticas, ou prefere o uso da força, ou não respeita a livre propriedade e outros argumentos típicos do sistema neoliberal que nos é enfiado goela abaixo.
E isso não é exclusividade do MST ou dos outros movimentos agrários. Qualquer passeata no Centro do Rio, seja de funcionários públicos, de sem-tetos, de motoristas de ônibus, de bancários, de carteiros, é logo execrado pelos formadores de opinião de plantão. É comum ouvir a hipócrita frase: "A reivindicação deles é até justa, mas por que atrapalhar o resto da sociedade, o trânsito, os trabalhadores?".
A resposta é simples: porque no Brasil e na devastadora sociedade liberal que vivemos, só mesmo parando o trânsito, gritando alto do carro de som, interrompendo a ferrovia, a estrada, a rua, é que se tenta roubar um pouco a atenção de um povo forçadamente alienado pelo próprio sistema. Pois as mazelas e feridas desse país precisam competir com a preferência pelo Big Brother, pela Xuxa, pela Ana Maria Braga, pelo futebol, pelo Carnaval...
E por que trabalhadores não têm o direito de fazer sua manifestação e o Estado atrapalha nossa vida a todo momento? Afinal, o incompetente prefeito desta cidade é o primeiro a atrapalhar a vida dos cariocas. Todo verão tem um deslizamento de terra em uma favela, uma enchente em uma comunidade esquecida, uma epidemia de dengue. E em todo ano de eleição, o trânsito piora porque o Napoleão dos Trópicos resolve fazer todas obras ao mesmo tempo para mostrar serviço.
Disso, ninguém reclama. Ou não quer reclamar.
8 de jul. de 2008
Prepare-se!
Mais um crime bárbaro resultou na morte de uma criança de 3 anos de idade. Menos de 12 horas depois, cartazes de políticos invadiam as ruas da cidade. Um deles me chamou a atenção pelos dizeres: "Quero o meu Rio de volta". Ironicamente, uma política que fazia parte do grupo que destrói o município há quase duas décadas. Fiquei imaginando, que cartazes os pais dessa criança estariam empunhando. Talvez algo como "Quero meu filho de volta".
À tarde, o secretário e o governador dizem que a polícia está despreparada. Logo eles, que são os responsáveis pela polícia, dizem que ela está despreparada. Mas a cidade, o estado, o país estão preparados para quê? Como exigir preparo de um PM se o comandante dele não é preparado, visto que o secretário responsável por sua corporação não tem qualquer preparo, já que o chefe executivo do secretário também não está preparado para o cargo.
Nesse meio tempo, outra pessoa, desta vez uma dona de casa, morria dentro da sua própria residência na Vila Cruzeiro, vítima de mais uma malfadada bala perdida. Ela podia estar preparando uma comida, quem sabe, ou se preparando para sair.
O despreparo é uma espécie de instituição enraizada e viciada no país, uma vez que no cargo máximo da nação também se encontra um despreparado. E sabe-se lá quantos despreparados ainda estão por vir. Eles já estão por aí, espalhados pelos cartazes.
O cidadão, é claro, este tem de estar sempre preparado. Preparado para ser explorado no trabalho, para ser amarrotado no ônibus, para ser alvejado na rua. Os pais dessa criança, agora, estão preparados para enterrá-la. E os filhos daquela senhora precisam se preparar para sepultar mais um número, mais uma estatística.
O crime de todos? Nascer no Brasil.
Desculpem a pieguice e a dramaticidade. É apenas o desabafo de um pai e de um filho que não está preparado para nada disso.
7 de jul. de 2008
Prepare-se!
Mais um crime resultou na morte de uma criança de 3 anos de idade. Menos de 12 horas depois, cartazes de políticos invadiam as ruas da cidade. Um deles me chamou a atenção pelos dizeres: "Quero o meu Rio de volta". Ironicamente, uma política que fazia parte do grupo que destrói o município há quase duas décadas. Fiquei imaginando que cartazes os pais dessa criança estariam empunhando. Talvez algo como "Quero meu filho de volta".3 de jul. de 2008
A batalha
Ninguém mais do que eu gostaria de escrever hoje sobre glórias e vitórias. Sobre conquistas e comemorações. Só que a realidade cruel e injusta do futebol quer me forçar a lamuriar a angústia de uma noite trágica. Mas isso seria injusto. Injusto com os guerreiros do dia 2 de julho. Focar apenas alguns minutos de cobranças infelizes de pênaltis seria desmerecer os bravos tricolores, vivos e mortos, em campo, nas arquibancadas, nos bares e nas casas. Foi uma luta árdua, uma noite mágica para dizer a verdade.
Seria ainda mais injusto esquecer as batalhas vencidas anteriormente e as alegrias proporcionadas. Quando todos nos davam como vencidos e mortos, provamos nosso brio e superamos inimigos considerados imbatíveis pela opinião geral. Calamos os críticos, matamos em campo, avançamos no front.
Veio a noite de 2 de julho. E os guerreiros foram mais guerreiros do que nunca. A torcida foi mais torcida do que nunca. O verde da esperança foi mais verde do que nunca. O destino cruel, que, sabe-se lá quem traça, porém, atravessou o caminho da glória. Pesou nas chuteiras dos melhores lutadores daquela batalha na hora decisiva. Caiu de forma fria nas mãos do arqueiro. Caiu como a água que desceu dos rostos de 80 mil testemunhas vivas de uma batalha épica. Caiu como uma face vermelha em braços confortantes.
A batalha estava perdida, é verdade. Mas lançando mão do lugar-comum mais comum que existe, outras batalhas virão e a guerra perdura. E os guerreiros se postarão novamente para calar adversários e cicatrizar os corações tricolores. É o que movimenta o orgulho e a paixão pelas três cores. É o que torna o sangue mais encarnado, o verde mais esperançoso e o branco mais harmonioso. É o que nos faz ter orgulho de ser tricolor. É o que nos faz amar eternamente esse clube.
Obrigado Fluminense. Obrigado por proporcionar momentos eternos. Momentos que reforçam a nossa paixão e nossa lealdade pelo manto tricolor. Onde buscamos força para superar a dor. Onde buscamos força para as próximas batalhas. Onde buscamos força para as futuras glórias e alegrias. Que venha o próximo...
26 de jun. de 2008
Muito mais que um sonho

Parecia um sonho. Mas felizmente foi real. Um governo genuinamente socialista encheu de esperança um país e a América do Sul. À frente, coincidentemente mais um médico. Um líder que desejava um governo voltado para a educação, um país independente do capital estrangeiro exacerbado, uma "via chilena para o socialismo". O sonho se tornou mais real quando ele nacionalizou as minas de cobre, que eram brinquedinho de multinacionais, e os bancos. E o incrível: dividia os lucros com os funcionários.
Em sua breve passagem, mais realidades: a inflação caiu, o poder aquisitivo aumentou, a economia também. Tudo em um âmbito democrático e limpo. Foi demais para o império do norte. Na seqüência de horror, corrupção, roubalheira, imundice e assassinatos que varriam o continente, o sonho real se tornou pesadelo. A onda paranóica para servir a interesses do outro hemisfério se fez presente com bombas e homicídios dele, de 7 mil conterrâneos, de um país, de um continente.
Hoje, Allende faria aniversário. A lembrança desta data e deste homem em jornais e sites, porém, comprova que, sem dúvida, não foi um sonho. Foi real. E pode ser real novamente. E está sendo real por aí. Basta não deixar o pesadelo que vem lá de cima fazer crer que tudo não passa de sonho.
26 de mai. de 2008
Sem filtro

Tradicionalmente, os impostos levam a culpa do alto preço dos carros brasileiros. A indústria costuma usar a alta carga tributária como uma espécie de biombo. A voracidade do Estado brasileiro, é fato, beira a indecência. Mas as taxas sobre os produtos não são os únicos vilões dessa história. Ao se comparar diretamente os automóveis brasileiros com seus similares na Europa e nos Estados Unidos, descontados os impostos, a constatação é só uma: carro no Brasil é muito, muito caro. E isso em números absolutos, dólar a dólar ou euro a euro, sem relativizar o poder aquisitivo médio, muito maior em países desenvolvidos.
Um exemplo: Volkswagen Polo Sportline 1.6, com ar, trio, ABS e airbag equipamentos típicos encontrados na Europa , custa R$ 60.095. Sem ICMS, IPI e PIS/Cofins, cai para R$ 42.668, equivalentes a 15.800 euros. Um Polo similar na Europa, sem impostos, sai por 12.768 euros, 23% a menos. Foram procuradas para falar sobre o assunto Renault, Volkswagen, Citroën, Fiat, Honda e General Motors. Nenhuma quis se pronunciar.
O tema, deve se reconhecer, é mesmo espinhoso. Sem a desculpa da carga tributária, sobram poucos argumentos para justificar porque um Fiat Punto ELX 1.4 com ABS e airbag feito em Betim custa 18,5% a mais que o similar europeu, que ainda por cima tem uma plataforma mais moderna. Aqui ele sai a R$ 48.399, ou R$ 34.064 sem os tributos, o que representa 12.616 euros. Na Alemanha, o Grande Punto 1.4 Active, com os mesmos recursos, sai por 10.645 euros. A única explicação que sobra é a velha teoria de formação de preço: “o preço de um produto é o valor máximo que o mercado aceita pagar”.
Na falta dos impostos, o culpado da vez passa a ser o enigmático “custo Brasil”. “Temos um custo geral que ainda é muito alto. Isso afeta diretamente o preço final de qualquer produto”, argumenta Carlos Thadeu Gomes, economista chefe do Conselho Federal de Contabilidade e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, que ficou surpreso ao saber que o carro brasileiro é mais caro. Não se pode desprezar, no entanto, o custo dos “favores” que as montadoras costumam ganhar. Estados que querem abrigar novas fábricas acenam com as mais diversas regalias, que vão desde a doação de terrenos até isenção de ICMS e IPTU.
Estudos do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, Ibmec, estimam que 10% do valor de um automóvel seja do famigerado “custo Brasil”. Embora países como a França e Alemanha tenham obrigações sociais até mais altas que no Brasil, aqui se agregam os ônus da falta de infra-estrutura de transporte e até custos administrativos. Um exemplo: para cada R$ 1 bilhão faturado por uma empresa na Europa é necessário um funcionário para cuidar das questões tributárias. No Brasil, a proporção é de 20 funcionários para cada R$ 1 bilhão. “Esta burocracia também faz parte do “custo Brasil”, pondera Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec.
Por outro lado, um funcionário europeu recebe, em média, 3 mil euros, contra 500 euros médios de um operário brasileiro. Sem contar que no chão da fábrica, a produtividade das plantas brasileiras é bem parecida com as obtidas em países desenvolvidos. Fábricas modernas, como a da General Motors em Gravataí, no Rio Grande do Sul, e a da Ford, em Camaçari, na Bahia, produzem cerca de 100 automóveis/ano por empregado, índice considerado altíssimo.
Mas não há como negar que os impostos exercem um papel nefasto neste jogo. Por isso mesmo, as diferenças ficam ainda mais gritantes se a referência for os preços nos Estados Unidos, um dos países com menor oneração de taxas no mundo. Enquanto um Honda Civic EX no Brasil custa sem impostos R$ 45.027 ou US$ 22.500 , para os americanos ele custa US$ 15 mil. Ou seja: aqui é 50% mais caro. “O mercado americano tem ganhos de escalas e custos mais baratos, nosso mercado ainda é muito menor”, tenta justificar Miguel José de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade.
Aparentemente, há muitos motivos para esta escalafobética diferença de preços entre um país com renda percapta de US$ 5 mil, como o Brasil, e outros com renda percapta de US$ 30 mil para cima, como Alemanha, França, Itália, Espanha ou Estados Unidos. E os lucros são certamente um deles. No ano passado, a Fiat do Brasil lucrou nada menos que R$ 804 milhões líquidos. No primeiro semestre deste ano, a divisão da General Motors para América Latina, Ásia e Oriente Médio auferiu US$ 414 milhões de lucro 67% das vendas deste braço são da América Latina. E a Ford alcançou US$ 255 milhões de lucro apenas no segundo trimestre deste ano no Mercosul. O tal do “custo Brasil” aparentemente ainda deixa uma margem muito simpática para as empresas.
Instantâneas
# Estudos apontam que um metalúrgico custa, em média, cerca de R$ 1.300 mensais para a indústria. Na Europa, um trabalhador custa o correspondente a R$ 8 mil reais por mês.
# Na França, 16% do valor de um carro é de impostos. Na Alemanha e na Espanha os índices são de 13% cada. No Japão, 9%, enquanto nos Estados Unidos a fatia tributária média é de 6,1% - varia de estado para estado.
# No Brasil, a média de tributos é de 29% do preço final de um automóvel.
Os preços aqui e lá
# Volkswagen Polo 1.6 Sportline - Brasil
Preço sugerido: R$ 60.095 (com ABS e airbag).
Sem os impostos: R$ 42.668.
Conversão: 15.803 euros.
# Volkswagen Polo 1.6 - Alemanha
Preço sugerido: 14.675 euros.
Sem os impostos: 12.768 euros.
Diferença: 23,7%.
# Renault Logan Privilége 1.6 16V
Preço sugerido: R$ 42.790 (completo).
Sem impostos: R$ 30.090.
Conversão: 11.144 euros.
Dacia Logan 1.6 16V - Alemanha
Preço sugerido: 10.550 euros.
Sem impostos: 9.175 euros.
Diferença: 21,4%
# Honda Civic EX - Brasil
Preço sugerido: R$ 63.515.
Sem impostos: R$ 45.027.
Conversão: US$ 22.513.
# Honda Civic Sedan - Estados Unidos
Preço sugerido sem impostos: US$ 14.990 mil.
Diferença: 50,1%.
# Citroën C3 Exclusive 1.6 16V - Brasil
Preço sugerido: R$ 53.410.
Sem impostos: R$ 37.922.
Conversão: 14.040 euros.
# Citroën C3 1.6 16V - Espanha
Preço sugerido: 13.500 euros.
Sem impostos: 11.637 euros.
Diferença: 20,6%.
# Peugeot 206 Presence 1.4 - Brasil
Preço estimado: R$ 43.750 (com ABS e airbag duplo).
Sem impostos: R$ 31.063.
Conversão: 11.505 euros.
# Peugeot 206 Urban 1.4 - Alemanha
Preço sugerido: 12.100 euros.
Sem impostos: 10.431 euros.
Diferença: 10,3%.
# Fiat Punto ELX 1.4 - Brasil
Preço sugerido: R$ 48.399.
Sem impostos: R$ 34.064.
Conversão: 12.616 euros.
# Fiat Grande Punto Active 1.4 Alemanha
Preço sugerido: 12.140 euros.
Sem impostos: 10.645 euros.
Diferença: 18,5%.
# Toyota Corolla XEi - Brasil
Preço sugerido: R$ 63.944.
Sem impostos: R$ 45 401.
Conversão: US$ 22.700.
# Toyota Corolla CE Estados Unidos
Preço sugerido sem impostos: US$ 14.400.
Diferença: 57,6%.
# Chevrolet Vectra GT - Brasil
Preço sugerido: R$ 59.990.
Sem impostos: R$ 45.593.
Conversão: 15.575 euros.
# Opel Astra - Alemanha
Preço sugerido: 16.360 euros.
Sem impostos: 14.234 euros.
Diferença: 9,4%.
# Ford Fiesta 1.6 - Brasil
Preço sugerido: R$ 50.360 (com ABS e airbag).
Sem impostos: R$ 35.756.
Conversão: 13.242 euros.
# Ford Fiesta 1.6 - França
Preço sugerido: 15.100 euros.
Sem impostos: 12.684 euros.
Diferença: 4,4%.
1 euro = R$ 2,70.
1 dólar = R$ 2,00.
(Matéria publicada pela agência de notícias Auto Press em setembro de 2007)


