30 de set. de 2008

Find a Grave

Não sei a que ponto isso é necrofilia intelectual, mas, para aqueles que sonham em visitar os túmulos de Cortázar em Montparnasse e de Jim Morrison no Père Lachaise, o site Find a Grave (sim, você está lendo direito...) dá, perdoe-me o trocadilho, o caminho das pedras. Confesso que achei deprimente demais para o meu gosto, mas, caso alguém queira saber onde está o túmulo de Tom Jobim, não precisa mais procurar.

29 de set. de 2008

Diálogo entre pais e filho

- Pai, quero ser rico e famoso.
- Pra que, meu filho? - responde o pai, desanimado.
- O Zico é rico e famoso.
A mãe escuta ao longe e se mete na conversa:
- Filho, pra que ser rico e famoso se tem tanta gente pobre, tanta desigualdade nesse mundo?
- Ah, então tá, mãe. Quero ser pobre e famoso.
...

28 de set. de 2008

25 de set. de 2008

Ary e o Maracanã


O Gustavo escreveu sobre a Cidade da Música e a Monique lembrou, em comentário, a polêmica sobre a construção do Maracanã, no Rio. Então, aproveito a oportunidade para publicar um texto que tinha escrito para o jornal, mas que não foi publicado, numa série sobre os vereadores do país. Nele, está citada a briga sobre o Mário Filho, defendido na Câmara por ninguém menos que o nosso ilustre Ary Barroso, e atacada pelo controverso Carlos Lacerda. No livro do Sérgio Cabral, há mais detalhes sobre o debate. Aliás, o capítulo que trata de Ary como vereador é o mais saboroso da biografia escrita pelo primeiro-pai do estado sobre o compositor. Segue o texto:



Em tempos de mensaleiros, sanguessugas e fichas-sujas, é curioso lembrar que, no passado, os políticos ofendiam uns aos outros com xingamentos mais, digamos, ideológicos, do tipo “integralista”, “comunista” e até “sambista”. Esse último é o caso do compositor Ary Barroso, que, na legislatura de 1947/1951 na Câmara de Vereadores do Rio, foi “acusado” por um colega de não ter experiência como funcionário público, mas viver de tocar e cantar — como conta o jornalista Sérgio Cabral na biografia “No tempo de Ari Barroso”.


“Sr. Presidente, qual o defeito, qual a culpa, qual o erro, qual o castigo que mereço pelo simples fato de ser sambista? (...) Ser sambista, sr. Presidente, é muito difícil. Nunca pertenci ao quadro de funcionários (da prefeitura) e, se pertencesse e conseguisse chegar ao mais alto grau da carreira, nunca viria à tribuna do Legislativo com a pretensão de atirar contra um colega a pecha ‘infamante’ de sambista. Conclamo os sambistas a prestarem atenção nestas palavras: fui apontado, em tom pejorativo, nesta Casa, como sambista.”


Na época em que Ary ocupou uma das cadeiras da Câmara Municipal do Rio, a ideologia ainda definia posições e projetos. Polêmico, o compositor de “Aquarela do Brasil” foi um vereador atuante, se envolveu em várias discussões e dividiu a tribuna com nomes como Carlos Lacerda, seu colega de UDN. O estilo irreverente e irônico que trouxe de seus programas de rádio, entre eles o “Calouros em desfile”, e da narração de jogos de futebol foi uma de suas marcas na Casa.


Na briga pela aprovação da construção do Maracanã, Ary Barroso defendia que grande parte das despesas seria paga com a venda de cadeiras cativas. Lacerda era contra o estádio, preferia que ele fosse construído num terreno em Jacarepaguá. Tito Lívio, outro udenista, defendia que a prioridade do Rio era a saúde pública. Numa resposta ao colega Tito, Ary usou do deboche:


“Vossa Excelência, que combate com tanta veemência a aquisição de ‘cadeiras cativas’ nos estádios de futebol e que defende com tanto ardor os hospitais, deveria propor a compra de ‘leitos cativos’ para os doentes, já que eles se acham tão necessitados de morar dentro dos hospitais” (“Risos”, registrou a taquigrafia).


Ainda na polêmica sobre o estádio, Lacerda, um dos grandes oradores da casa, respondeu à altura. Uma de suas justificativas era de que o Brasil não tinha cimento suficiente para a construção.


“O Brasil vai importar cimento da Inglaterra para que o nosso colega, o sr. vereador Ary Bar-roso, possa irradiar jogos de futebol”, acusou o futuro go-vernador da Guanabara.


Na Câmara, Ary defendeu os interesses de seu bairro, apresentando projetos para melhorar a ladeira do Leme, onde morava, e os dos compositores brasileiros. Democrata, discursou contra a cassação do mandato dos vereadores do Partido Comunista. Conservador, reclamou da autorização para que banhistas circulassem nos bondes da Light:


“O Rio de Janeiro está se transformando numa cidade de homens seminus, uma vez que os banhistas se intrometem nas ruas distantes da praia, em trajes, positivamente, atentatórios à moral. (...) Assistimos ao desfile crítico e inédito de bondes, em plena Capital da República, carregados de banhistas em trajes menores e atitudes imorais, num desrespeito integral à família carioca, em gestos e esgares que depõem sensivelmente contra os nossos foros de civilização”.


Ao mesmo tempo, ao criticar um projeto que isentava o Clube Militar de impostos, Ary usou argumentos nada conservadores para defender que o teatro é que merecia tal benefício. Num aparte no plenário, defendeu o Teatro Recreio, acusado de imoralidade:


“V. Excia. acha que exibir ao público mulher de corpo bonito é deseducar o povo? V. Excia. desejaria talvez que, pela platéia do Teatro Recreio, desfilassem aleijões e monstruosidades físicas? (...) A pornografia bem disfarçada deixa de ser pornografia. (...) A malícia transforma-se em pornografia desde que o espectador seja pornográfico”.


Em tempos de gastos escandalosos nas câmaras e no Congresso Nacional, Ary Barroso, que já tinha o seu carro importado, foi contra um movimento para que a Câmara importasse automóveis para servir aos vereadores.

“Não vejo, sr. presidente, que, pelo simples fato de me transformar em representante do povo, valha-me dessa prerrogativa para superar o próprio povo, que está enfileirado, esperando a vez de comprar o seu carro. Seria preferível, sr. presidente, abandonar tais questiúnculas de privilégio, de prioridades e defendermos, exclusivamente, os reais interesses do povo.”

Desafinação



Com inauguração prevista para dezembro, a Cidade da Música (Barra da Tijuca), que teve o custo total estimado em mais de R$ 460 milhões (em vez dos R$ 80 milhões previstos inicialmente), está causando polêmica. Além dos gastos considerados excessivos, que representam 20% do orçamento de investimentos da Prefeitura, e do atraso na obra – o cronograma inicial previa a entrega para 2004 - teve o estudo de viabilidade realizado apenas no ano passado, seis anos após o lançamento do projeto. Em março, uma CPI, idealizada pelo vereador Roberto Monteiro (PCdoB), foi instaurada para investigar o suposto mau uso do dinheiro público na obra.

Prometendo ser um dos mais imponentes centros de cultura da América Latina, a Cidade da Música tem também contornos nebulosos: o estudo de viabilidade realizado pela Ernst & Young, por exemplo, mostra que as receitas não serão suficientes para cobrir as despesas. A programação (concertos de música clássica, de ópera e dança, e sessões de cinema), garantirá uma receita estimada em R$ 21,2 milhões com uma despesa apurada em torno de R$ 21,01 milhões ao ano. A manutenção custará R$ 12 milhões anuais, valor que poderá ficar sob responsabilidade da Prefeitura, caso nenhuma empresa interessada em assumir a Cidade da Música venha a ser licitada.

A confusão está armada. De um lado os que consideram o empreendimento o mais ambicioso projeto público das últimas décadas – e um marco no cenário cultural brasileiro. Do outro, os que acreditam que o equipamento será um grande elefante branco, alegando a falta de interesse da população pela música clássica e desconfiando dos preços dos ingressos a serem vendidos. Na CPI, os vereadores se perguntam por que, em vez de gastar R$ 400 milhões na Cidade da Música, o Prefeito não implementou o programa estabelecido em 2000 de construção de bibliotecas e teatros nos bairros.

Projetada por Christian de Portzamparc, marroquino que estudou na École National de Beaux Arts (Paris), e idealizou projetos semelhantes em Paris e Luxemburgo, a Cidade da Música, que será a sede da Orquestra Sinfônica Brasileira no Rio, conquistou, junto com outras 146 obras ou projetos arquitetônicos de 38 países, no início de setembro, o Prêmio de Arquitetura Internacional 2008, oferecido pelo Chicago Athenaeum - Museu de Arquitetura e Design, em parceria com o Metropolitan Arts Press e a revista italiana “Abitare”. A única obra brasileira a ser premiada.

Terá 1.755 lugares na Grande Sala - que servirá para os concertos da OSB -, 1.250 lugares na Sala de Ópera, sete salas de ensaio, dez salas de aula e três cinemas de arte. O contrato de concessão prevê uma orquestra residente com no mínimo 70 músicos que fará dez apresentações em dois anos, regida por maestro com no mínimo cinco contratos internacionais. A concessionária a ser licitada deve ter, no mínimo, três anos experiência na gestão de equipamentos culturais. O complexo cultural contará ainda com midiateca e estacionamento para mais de 800 carros.

A divina Elizeth, rainha da bossa


Um amigo meu disse que, ouvindo novamente Canção do amor demais, para muitos o disco inaugural da bossa nova, notou como era estranha a combinação das músicas inovadoras de Tom e Vinícius e o violão de João Gilberto com aquela cantora à moda antiga, com seus vibratos e seu "errrre", típico dos cantores da primeira metade do século XX. Eu me pergunto: que outra cantora poderia estar ali? Era, com certeza, a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa, a mais versátil de sua época, capaz de ir de Villa-Lobos a "Eu bebo sim". (Mais do que saber se a Divina era a Sarah Vaughan ou a Ella Fitzgerald brasileira, chego mesmo a me perguntar: qual das duas fois a Elizeth deles?)
Um exercício rápido é, em vez de ouvir algum de seus melhores discos, escolher uma coletânia, como esta. Escutando com atenção, parece uma seleção de cantoras, ou de estilos de cantoras que iriam se desenvolver nas décadas seguintes (estilo Elis Regina, estilo Clara Nunes, estilo Gal, etc.).

Outro exercício interessante é comparar os pout-porris do disco A bossa eterna de Elizeth e Cyro com os do Dois na bossa de Elis e Jair Rodrigues. É só substituir o regional do Caçulinha por um grupo se samba-jazz, o grande Cyro por um sucedâneo mais limitado (Jair Rodrigues) e pronto. Até o figurino é igual.



24 de set. de 2008

Ainda os ingressos para a Material Girl Tour

Alô Vocês!

Ninguém aguenta mais falar disso. Mas vai que há leitores interessados. Depois da confusão para compra dos ingressos para o show da Madonna, em que os fãs, mais uma vez, foram vítimas da falta de estrutura das empresas de venda de ingressos pela internet, a equipe de promoção dos shows de Madonna no Brasil, em dezembro, anuncia a venda dos ingressos cujos processos de compra eletrôncia não foram efetivados. Dá para acreditar? Cadê o Procon minha gente!!!

De qualquer maneira, aos interessados, a venda começou hoje, às 15h. Release com todas as infos abaixo:

Shows de Madonna nos dias 14 (Rio de Janeiro), 18 e 20 (São Paulo) terão ingressos re-disponibilizados para venda ao público hoje.

Vendas para todos os setores começam a partir das 15 horas A Time for Fun, produtora brasileira responsável pelos cinco shows de Madonna no país, informa que, a partir das 15h de hoje, quarta-feira, dia 24 de setembro, serão recolocados à venda ingressos para os shows que acontecem nos dias 14 de dezembro (Rio de Janeiro) e 18 e 20 de dezembro (São Paulo).

Estes ingressos fazem parte da reserva técnica criada pela empresa para atender a clientes que tiveram problemas ao comprar ingressos pela Internet e não tiveram sua compra finalizada ou confirmada. Como não foi necessário o uso de toda a reserva, a empresa está re-disponibilizando estes ingressos para venda hoje.

As vendas serão feitas pelo site da Ticketmaster, call center, bilheterias oficiais e pontos-de-venda. Serão disponibilizados ingressos para todos os setores no show do Maracanã e nos shows do Morumbi. A Time For Fun também informa que a partir do dia 1º de novembro será colocado à venda o saldo de ingressos referente as cadeiras cativas do Morumbi, para os três shows de São Paulo.

Locais de Vendas:

Internet – www.ticketmaster.com.br - Serão aceitos todos os cartões de crédito. Sujeito a taxa de conveniência.
Call center - Serão aceitos todos os cartões de crédito. Sujeito a taxa de conveniência. (11) 4004-1007 (custo de uma ligação local para as cidades atendidas pela Embratel, demais localidades custo de uma ligação interurbana): aberto das 9h às 21h de segunda-feira à sábado. Pontos-de-venda - Serão aceitos todos os cartões de crédito e dinheiro. Sujeito a taxa de conveniência.
Rio de Janeiro - Rampa externa Via Parque Shopping (Avenida Ayrton Senna, 3000): aberto todos os dias das 12h às 20h;
Modern Sound (Rua Barata Ribeiro, 502): aberto todos os dias das 9h30 às 18h. (AOS DOMINGOS ESTARÁ FECHADO)
São Paulo - Teatro Abril (Av. Brigadeiro Luiz Antônio, 411): aberto todos os dias das 12h às 20h; Al. dos Jamaris, 213: aberto todos os dias das 12h às 20h.
Bilheteria oficial - Serão aceitos todos os cartões de crédito e dinheiro.
Rio de Janeiro - Maracanãzinho (Rua Prof. Eurico Rabelo, s/n): aberto todos os dias das 10h às 18h.
São Paulo - Av. das Nações Unidas, 17.981, aberto todos os dias das 12h às 20h.

Os clientes dos cartões de crédito Bradesco e cartões American Express® Membership Cards, emitidos pelo Banco Bradesco ou Banco Bankpar S.A. poderão comprar os seus ingressos em duas vezes sem juros no cartão.

Será permitida a compra de no máximo 6 ingressos por CPF/Pessoa

Classificação Etária: 12 e 13 acompanhados dos pais ou responsáveis legais. Maiores de 14 anos desacompanhados.

Já visitaram o Blog do Saramago?

Recomendo (se é que eu posso recomendar alguma coisa):
http://blog.josesaramago.org/#

Debate dos candidatos à prefeito do Rio no JB

Os que votam no Rio podem acompanhar, em tempo real, o único debate entre os candidatos à prefeito da cidade realizado no primeiro turno, que acontece agora no Jornal do Brasil.

www.jb.com.br

A transmissão está limpinha. Depois, o vídeo poderá ser assistido no site.

23 de set. de 2008

Próxima parada: ônibus 174


Ai. Preguiça. A programação do Festival do Rio começa na sexta, dia 26, e só de pensar na fila da central de ingressos perco a paciência. Horas e horas escolhendo, combinando os horários, tudo anotado numa listinha para ouvir da mocinha do guichê: "acabou", ou " ainda não foi liberado pela alfândega".

É claro que acho maravilhoso ter um festival de cinema abrangente na minha cidade, com mil filmes que não entrarão em cartaz. Sou eu que não consigo encarar a maratona nem levá-la tão à sério. Um filme, porém, pretendo fazer todo esforço do mundo para ver: "Última parada, 174", de Bruno Barreto. Não se trata de querer saber como o cineasta, cujos filmes nem sou fã, contou a história do cara que seqüestrou o ônibus em frente ao Parque Lage e marcou pela tragédia da inoperância policial carioca diante de centenas de câmeras de televisão. Estou curiosa para ver Michel Gomes, ator que interpreta Sandro do Nascimento.


Conversei outro dia com o moleque e ele me pareceu muito maneiro. A frase, escrita assim, é referência à maneira como ele fala. Típico carioca suburbano, nascido e criado em Padre Miguel, Michel, de 19 anos, teve sua atuação elogiada por quem já viu o longa, indicação brasileira à Academia Americana de Cinema para concorrer à uma das cinco indicações ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Amparado pela preciosa ajuda dos irmãos Rogério e Ricardo Blat, feras no teatro, cinema e televisão, o garoto, que coleciona pequenos papéis e pontas em filmes e programas - sempre dentro do estereótipo "de comunidade" - está predestinado à se tornar a nova bola da vez. É aguardar e pagar - o ingresso - para ver.