19 de mai de 2008

Quem? O Super-Minc!!


Quem trabalha em redação, conhece algumas figurinhas tarimbadas da mídia. Logo, aprendemos que fulano, sicrano e beltrano são fontes certas, que nos atendem a qualquer hora do dia e da noite e sempre, sempre nos dão lide (há os contrários, como o Marco Maciel, por exemplo, o maior anti-lide da história do jornalismo). Pior, ou melhor: às vezes, nem precisamos ligar. A fonte-notícia sempre dá um jeito de nos achar na redação para revelar o furo, não importa se você é ganhador de Prêmio Esso ou um mero foca. Esses personagens não almejam falar só com os grandes nomes.


Narizes de cera à parte, estou falando do nosso quase-coleguinha Carlos Minc, que acaba de chegar ao Ministério de Lula e já nos rendeu frases, polêmicas, manchetes e muitas páginas de jornal. No dia em que foi anunciado, a grande piada da redação era: justo hoje ele não atende à imprensa! Ironia! Mas, o "ambientalista de Copacabana", segundo os ruralistas, estava apenas querendo confirmar se tinha sido convidado mesmo e se seria liberado por Sérgio Cabral Filho para aceitar o que classificou como um "grande desafio". "Se não aceitasse, seria covardia política", disse, sem esconder o desconforto por ter que deixar o certo, no Rio, pelo duvidoso, em Brasília.


Eu me lembro do primeiro dia que fui à Assembléia Legislativa do Estado do Rio (a popular Alerj) e de dois choques: o figurino do Minc, com suas gravatas coloridas, coletes, ternos que não combinam e colares indígenas; e o discurso do Chico Alencar, que me cativou pelas metáforas, conhecimento de causa e boa prosa. Já vi Minc em ação, embora nem estivesse trabalhando no dia. Ele estava em Camboinhas fazendo uma de suas diligências para salvar o meio ambiente. Também ganhei uma de suas cartilhas com leis aprovadas e por aprovar, idéias simples e criativas, mas que a gente nunca deu a devida importância.


Minc é assim: liga para a redação, não faz distinção de cargos, posição ou veículo em que o repórter trabalha, é simpático, se veste como um hippie brega, freqüenta a Lapa, é gente como a gente, gosta de aparecer, parece mesmo um Minc Leão Dourado. Agora, a curiosidade que me assola é saber como será sua passagem pela Esplanada e seu desfile pelo Imprensa que eu Gamo no próximo ano. Será que ele vai? No bloco dos coleguinhas em Laranjeiras, já o vi dançando e sambando como se não houvesse amanhã! Definitivamente, é um dos nossos.

7 comentários:

Olívia Bandeira de Melo disse...

Clau, fiquei me perguntando o que realmente levou o Minc a aceitar o convite, além do argumento da "covardia política". A Marina Silva passou aperto no cargo, não sei como aguentou tanto tempo. Deve estar frustrada e, quem sabe, se sentindo "covarde" por não ter saído antes.
O Minc vai conseguir fazer alguma coisa? Ou será mais um brigado com o governo Lula?

Cláudia Lamego disse...

Lili, esse é um argumento mais que verdadeiro. É super delicado não aceitar promoção no local onde trabalhamos. Pode passar a impressão de covardia, medo de desafio, enfim.

Não vejo assim. Pra mim, a Marina deve ter orgulho de ter ficado tanto tempo, porque ela ganhou muitas batalhas também. Pro ministério, foi muito importante a passagem dela. A causa dela é muito maior que os apertos que passou, tenho certeza. E ela continuará na luta, que tem um preço. O desgaste é um preço, mas ela deve achar que valeu a pena. Essa é minha impressão.

Gardênia Vargas disse...

Lamego, lamiguinha, lamegão... risos! Adoro seus textos. E aposto que Minc não estará mais tão perto de nós. Pode até continuar a ser "um de nós", mas chegou em Brasília, foi engolido pelo leão... ou pelo mico-leão.
:o)

Beijinho

Deia Vazquez disse...

Imagina que lindo seria se o proprio comentasse aqui?

Luciana Gondim disse...

Ai que medo da mosca azul!

Cláudia Lamego disse...

Ih, Déia. Agora ele vai andar muito ocupado.

Lu, também tenho medo. A primeira coisa que essas pessoas fazem é não atender mais os celulares antigos. O Lupi era um que a gente podia falar toda hora. Mas, entendo. O cargo de ministro deve ser punk.

Gugu disse...

Clau, o Minc é mesmo um cara legal. Almoçava quase todos os dias do meu lado, ali na Graça Aranha. Agora, já era... E quando me atendeu na casa dele, agia com a maior naturalidade em relação à família. Aparecia um filho pedindo dinheiro, ele fazia brincadeira. A empregada perguntava do cardápio do almoço, ele dava pitaco... Isso tudo na minha frente, como se eu fosse de casa.