30 de mai de 2008

Cu-curitibando...

Desta vez não teve Durski, olho do Niemeyer e outros passatempos da primeira vez que Sassaricando foi a Curitiba, em março do ano passado.

Mas teve minha irmã, ilustríssima curitibana, pela primeira vez na cidade desde que saiu de lá, cinco dias depois de ter nascido, pra ser o que há de mais carioca na minha família. Muito, muito bacana participar da viagem rebobinada da Aninha.

Por causa dela, do jeitão despachado, das gargalhadas frouxas, do gosto pela Mangueira e pelas lantejoulas, nunca engoli o que se diz do povo curitibano: gente fria, sisuda, séria e outros impropérios.

Pra mim, Curitiba está mais para a paisagem de Carlos Careqa em Não dê pipoca ao turista, nos anos 90, que ele cantava com Arrigo Barnabé:

“Eu gosto de Cu!
...ritiba
Eu quero ir fundo
No meio do mundo
Aqui é o lugar”

Ou para a cena que vi no domingo de manhã, tremendo sol no Batel (bairro fino em que nos hospedaram), com senhorinhas de alta fidúcia saindo da igrejinha presbiteriana do século 19. Todas muito maquiadas, laqueadas, empinadas... E o mendigo de camisa do Coritiba, canequinha não mão, nem aí para a esmola. Ou não estaria berrando: “Paaaaau no cuuuu do Atléticooooo! Cuzão!” Impagável a cara das velhotas quando entendiam (ou não) o moço.

Dali saí pr’uma boa caminhada até a feirinha de artesanato do Centro Histórico, não sem antes fazer uma parada no bom Café Avenida, na Boca Maldita (onde manadas de titios discutem política, futebol, meteorologia e outros temas importantes).

Do Centro Histórico, a lembrança mais feliz é do filé aperitivo do Bar do Alemão (Schwarzwald é o nome oficial), que seria a priori um mero acompanhamento pras canecas de chope que vertíamos, eu, Aninha e Luiz - meu cunhado y companheiro de arquibancada.

O diabo do filé era tão bom (com um molho adocicado) que pedimos que chamassem o cozinheiro, para descobrirmos os ingredientes. “Vai dar não senhor, ele não vai falar”, respondeu o garçom, pro nosso espanto. Insistimos e o cabra foi mais incisivo: “Deixa eu explicar melhor pra vocês: é que o cozinheiro é mudo.” Mais um chope, então.

Outra boa comilança foi no Babilônia, onde conseguimos entrar graças à habilidade de Eduardo Dussek. Não fosse nosso anfitrião em Curitiba (onde tem um apê, família e um fusca) ficaríamos com a estupidez do moço da porta (coisa rara por lá) e no frio do lado de fora.

Frio, aliás, foi o que fez o tempo todo dentro da Ópera de Arame - belo espaço em que nos apresentamos (praticamente um iglu de vidro). Sabe lá o que é cantar marchinha a 10 graus, com vapor saindo da boca...?

Pois funcionou. Tanto que voltaremos em julho, pr’um evento fechado, só que desta vez dentro de um teatro (ufa!).

9 comentários:

Gugu disse...

Bela viagem, PP. Sempre bom ler o que você conta aqui, a gente acaba embarcando junto. Marchinha com fumacinha na boca deve ser curioso & divertido. Qual a próxima parada do Sassaricando?

Pedro Paulo Malta disse...

Salve, Gu.

Tô meio defasado no meu diário de bordo... Depois de Curitiba já teve Porto Alegre e agora tô em Vitória (enfim, sol!).

Quando der, posto as anotações de PoA.

Abraço grande, querido.

Cláudia Lamego disse...

Quando conheci essa loura linda e esfuziante, a primeira frase dela foi: "Se cunhada fosse bom, não começava com CU." Depois, deu uma gargalhada e um abraço daqueles! Pronto, eu já estava conquistadíssima!

Gardênia Vargas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gardênia Vargas disse...

Ai que delícia Pepê!
Sabe, não sou Paranaense por uma aventura geográfica de meus pais: "fugir" para o Rio de janeiro! São todo do Paraná, todos! Só euzinha nasci aqui, por tanto, sou um exemplar raro na família, sou carioca :o)

Sendo assim, o Paraná é meu quintal. É família por todo lado. É Maringá, Londrina, Borrazópolis, Rolândia, Apucarana, Paranaguá - Ilha do Mel, e por que não, Curitiba. Tenho tias, tios e primos por lá. Sem esquecer da minha irmã querida, com seu marido mais que gente boa, e meu sobrinho que é um fenôoooomeno!

Sou contra os que falam mal de Cu-ritiba e dos cu-ritibanos. Povo inteligente da porra! E sabem receber muito bem também. Já foi em Santa Felicidade (bairro só de restaurantes)? Você sai de lá a pessoa mais alegre do mundo, e com uma bela pança cheia - risos. A cu-mida é boa demais! :o)

Salve Cu-ritiba, terra de Leminski e Arrigo Barnabé :o)

Gugu disse...

Caramba, amigo, sua quilometragem está bombando! Não deixe de atualizar o diário de bordo. Abraço e boa sorte em Vitória!

Pedro Paulo Malta disse...

Gu: se a companhia aérea fosse Tam, inda daria pra acumular umas milhas. Como não é, tô é ficando expert em barrinhas de cereal. :)

Gardênia: sim, sim! Já fui em Santa Felicidade, o bairro de nome auto-explicativo onde o povo come sai rolando... Ô, coisa boa!

Amor: lembro disso, foi no Carioca da Gema. Ela também elogiou seus coloridos, hehehe.

Besos.

Olívia Bandeira de Melo disse...

Oi, Pepê. Achei o seu melhor relato de viagem até agora. Deu vontade de ir a Curitiba.
Beijos!

Cláudia Lamego disse...

Lili, acho que vai ser difícil para ele, a partir de agora, superar a história do cozinheiro mudo e das marchinhas com fumaça!

Mas, vamos aguardar Porto Alegre... e os sertões da Bahia e do Ceará, onde ele passará os dias que seguem...