2 de mai de 2008

Em Lisboa, de braços dados com Pessoa

No último fim de semana, dedicado ao repouso por causa de uma virose ou suspeita de dengue e de sinusite, fui a Lisboa. Explico. Está saindo no Brasil, pela Companhia das Letras, um guia turístico escrito por ninguém menos que Fernando Pessoa, lá pelos idos dos anos 20. Escrevi um texto para o caderno Idéias, do JB, que sai hoje, a respeito. A cada página virada, o poeta me dava a mão e me levava de volta à cidade branca, que conheci há um ano. Percorri o caminho sugerido por Pessoa: o terreiro do paço, os arcos, a Rua Augusta, o Rossio, o elevador da Santa Justa, a subida de elétrico até o Chiado, o Bairro Alto, a Rua do Diário de Notícias, a Av. da Liberdade, depois o parque Eduardo VII. Depois busquei o roteiro que eu mesma fiz, e confesso que fui a alguns lugares justamente seguindo os passos do poeta. O café A Brasileira. A assorda no almoço econômico no Martinho da Arcada, bem ali ao lado da Alfândega, onde ele, o próprio, comeu de graça tantas vezes, me contou o neto do dono. Era lá que colocava as idéias em ordem...me contou. Pessoa escreveu o guia em inglês mas não há muitas informações sobre a publicação do mesmo na época. A intenção era divulgar os encantos de sua cidade amada no estrangeiro. No livro, o poeta exalta grandes momentos históricos do país. Tenta seduzir seu turista acidental para dentro de todas as bibliotecas. De forma quase inocente dá, "aos leitores que entendem português", um panorama completo dos jornais da cidade, comentando a orientação editorial e fornecenedo até o endereço de cada um. Curiosidades a parte, é encantador perceber no texto, deveras datado, romantismos dos idos tempos. As pessoas chegavam à cidade de navio pelo Tejo! As preferências turísticas também mudaram. Na época, pelo que dá a entender, o delicioso bairro de Alfama, muito procurado pelos turistas por conservar um clima século 19-alternativo-roots, não fazia qualquer sucesso: era um bairro de pobres. Talvez a vocação do bairro não seja, mesmo, a de receber visitantes inoportunos. Nos muros brancos da Alfama irmortalizada pelos fados de Amália Rodrigues há várias mensagens estampadas em stencil expoulsando os baderneiros: Turistas, respeitem os moradores ou vão para a Espanha!

Um comentário:

Anônimo disse...

Tem nome?