18 de jun de 2008

O clássico pode ser pop e bem vagabundinho...

Este boyzinho oriental aí ao lado é o pianista chinês Lang Lang. Tem 25 anos, é mundialmente famoso (ok, a fama na música clássica é relativa) e já está rico. Particularmente gosto dele, e aqui não vai nenhuma consideração crítica, mas adorei conversar com ele, numa entrevista há dois anos e seu concerto aqui no Rio foi bem interessante, embora não tenha sido considerado 100% pela crítica.

Chegou hoje às minhas mãos, distribuído pela Universal Music, o novo CD do astro lançado pela Deutsch Grammophon. Diferentemente da música pop, os artistas clássicos não saem com discos de inéditas assim tão fácil. A música dos compositores vivos é um capítulo à parte no meio. Por isso é preciso sempre caprichar na performance para o novo álbum não seja considerado apenas mais uma gravação, entre tantas, de concertos de Tchaikovsky, Beethoven, Mozart, etc. Apesar de Lang Lang ser uma estrela - sim, ele é - e apesar de sua gravadora ser a mais bem conceituada para este gênero musical, o disco não passa de uma coletânea bem safada, mal-cuidada. Este selo gasta os tubos em marketing, com contratos com artistas importantes, a falta de capricho com o produto é desnecessária. Uma atochação. Traz peças curtas ou parte de obras maiores, como concertos para piano e orquestra, de compositores de diversos estilos e épocas. Tudo misturado, sem qualquer unidade artística, a não ser exibir a virtuose do intérprete. Tem música para todos os gostos. Nas faixas em que o pianista está acompanhado de orquestra, não é possível saber com qual orquestra está tocando - se é a Filarmônica de Berlim ou algum conjunto obscuro do leste europeu - nem que maestro está regendo. É como comprar um disco de um cantor e não encontrar nenhuma informação sobre a banda que o acompanha no encarte.

Talvez nem todo mundo preste atenção nestas informações, mas não é por isso que a gravadora vai omitir. Além disso, o disco traz uma gravação caça-níquel de Lang-Lang com Andrea Bocelli!. Não há nada mais picareta - e brega - que Andrea Bocelli, vamos combinar que nem bom cantor ele é. Não se justifica para mim ele ter se tornado quase um Pavarotti em termos de prestigio, vendagem... Por isso, vamos tirar os saltos altos na hora de falar de música clássica e seus representantes, principalmente os estrangeiros, achando a maior erudição do mundo, coisa de intelectual. É uma indústria com suas particularidades, mas como o pop, o rock, o r&b, também pode servir ao entretenimento e ao apelo fácil do mercado.

2 comentários:

Gugu disse...

Nique, não sabia que a música clássica tinha essas peculiaridades. Muito bom o seu texto. Beijo.

clarinetadas disse...

Adorei a parte que fala que a música clássica é uma indústria cultural como as outras. Dá até pra ouvir os ossinhos do Adorno se debatendo embaixo da terra. É por aí que eu sigo também, nique, show de bola!