4 de jun de 2008

O menino do violino

Mais um dia ela corre afoita. Quase perde o das 9h35. Chega, se arruma no banco, põe as bolsas e casaco de lado para poder achar o pente , o espelho e o batom. Se arruma depressa e agradece o pequeno trânsito causado pela chuva fina. Deu tempo. Ela está pronta. A condução pára e lá está ele, o menino do violino. Entra meio desajeitado, arruma o cabelo molhado, sacode a capa do instrumento e paga para passar da roleta. Eis o grande instante. Ele passa por ela, olha pra frente, procura um acento vazio. Lisbela contempla o momento e reconhece o ar agitado. Ela não olha mais pra trás. A viagem é regida pelos desenhos do vento entre seus dedos. Mãos na altura do lábios. Seus olhos fitam o nada, sempre de lado. Ela quer que ele a veja em seu melhor ângulo. Jura que é observada e que ele corre para encontrá-la todos os dias. Seguem assim os minutos. De repente a hora de saltar. Arruma o cachecol, afofa a bolsa para não parecer cheia demais, coloca os óculos escuros e levanta. Olha em volta a procurar o violino. Não acha. Ele já desceu. Ela segue pelas ruas torcendo para o dia passar... Amanhã ela o verá novamente.

7 comentários:

Cláudia Lamego disse...

Humm, violino é uma coisa tão romântica, né? A menina é loira?

Gugu disse...

Adorei, Garden. Mas imaginei esse coletivo na Itália, não sei por quê...

Olívia Bandeira de Melo disse...

Lindo, Garden! E a menina se parece com você.

Anônimo disse...

Aguardo a segunda parte...

Isabel disse...

Amei! Agora vou ler sempre!
Em algum dia, só vai ter o lugar ao lado dela vazio no ônibus. Eles com certeza vão se conhecer.

Gardênia Vargas disse...

O-ba! Seja muito bem vinda, sempre!
A leitura por aqui é sempre muito divertida. Enjoy!

Luciana Gondim disse...

Que singeleza, Jardim...