6 de jun de 2008

Semente de Conto - EPIFANIA TRICOLOR



Quatro minutos do primeiro tempo. As oitenta mil cabeças submersas na forma oval assistiam, extasiadas, ao vaivém de bolas amarelas no gramado. As mãos se encontraram na tentativa de alcançar o balão vermelho. Veio a nuvem de arroz e ele lhe ofereceu a camisa para proteger o rosto. O suor brotou farto pela testa até alcançar a virilha. A bandeira tricolor desceu inteira sobre os dois, protegendo-os de si mesmos. Doze minutos do segundo tempo. Inconsolável, ele caiu. Ela lhe devolveu a camisa, cobriu suas costas com as mãos. Os seios roçaram o braço direito. As pernas trepidaram e as línguas se encontraram. Dezoito minutos, gol de Washington. Os mamilos encontraram o peito de frente. Morderam-se os lábios em profano silêncio. Nova nuvem de arroz e o corpo inteiro ficou anestesiado. Vinte e seis do segundo. Conca, Conca, Conca, e as mãos encobriram toda a cintura, dedos já na altura do ventre. O espaço entre o vão das pernas dele ganhou forma, ela ardia por dentro. Faltou-lhes o ar. Quarenta e sete. Dodô! O manto tricolor caiu sobre as cabeças e se amaram ali, na íntima comunhão de um Maracanã lotado.

3 comentários:

bruno zornitta disse...

ai, que delícia!!!

Anônimo disse...

Ms. Gondim, você é fascinante e envolvente

Miragaya disse...

Delícia mesmo é ser o personagem principal do conto...