8 de abr de 2008

Um dragão em Santa

Ontem foi o aniversário da minha mãe. Como ela tinha sido convidada para uns comes e bebes na inauguração de um restaurante asiático ali em Santa Teresa, decidiu ficar por lá mesmo. Quando cheguei a moçoila estava toda sorridente com uma tacinha de vinho branco na mão e um petisco tailandês na outra. Entrei de mansinho. Fui apresentada ao organizador do evento, que pediu desculpas por não podermos chamar os amigos para comemorar a data festiva por ali, pois “essa noite é só para convidados”. Sei... Olhei bem o restaurante, no coração de Santa Teresa. Reparei que era coisa de gringo, e claro, acertei na mosca! Lá vem o tailandês com cara de japonês falar em INGLÊS com a gente: “Excuse me, sweet darling. What you think about? Where's your drink? Hey! Bring sometihng to her”. Fique meio sem graça. Tinha vontade de falar: “O que qui é cara, num tenho que entender sua língua, não, pô! Se esforça aí ô da Tailândia”. Mas arrisquei um inglês tupiniquim e aceitei a bebida. (me vendi – glupt!)

Minha mãe só ria. Enquanto meu mau-humor crescia. Decidi dar uma voltinha e, sair dos ares-condicionados e do tumulto daquela gente estranha e esquisita. Encontramos Mavi, a Argentina (mais uma gringa!) quase dona de todo comércio de Santa Teresa, com suas e nossas amigas. Não sei se concordo com ela, mas quando me mostrou a fachada da antiga casa, agora quadrada de cimento sem qualquer pintura, bem ao estilo arquitetônico moderno de ser, fiquei pensando... É, nada a ver com Santa Teresa. Concordei.

Aliás, ninguém em Santa Teresa pode mexer nas fachadas casas do bairro histórico. É Patrimônio Cultural. Paga-se caro por tentar fazê-lo. Nem uma janela moderna escapa de um processo bem grosso. Hummm... Quantos dólares compraram aquele concretão à la Leblon. Tô pra ver o que o dinheiro não compra!

Mas quando eu já estava achando tudo muito sem graça e blasé, eis que surge a grande surpresa: a dança do dragão! Estão se perguntando o que seria isso... Pois é. Eu também não entendi aquela performance constrangedora até agora. Dois caras com uma fantasia de dragão chinês/tailandês aparecem pulando. Um tambor fora do ritmo os acompanha pelos salões chiques do restaurante repleto de gente querendo beber e comer de graça. Uns gritos de “hú” “há” acompanhavam os brasileiríssimos no mico do dia. Olha! Foi incrível! Podia dormir sem essa. Ah! Claro, os gringos adoraram. Todos aplaudiram com sorrisos de ponta a ponta. Eles adoram “coisas exóticas”. Sabe, fiquei imaginando a inauguração de um restaurante brasileiro na Tailândia e eles lá arrumam duas tailandesas pra sambar e uns outros tantos para tocar samba. Foi a mesma catástrofe. Risos.

Mas pra dizer que não sou tão mal humorada a comida estava ótima. Mas não indico aos vegetarianos. Nenhum dos petiscos servidos se livrou do sabor (bem bom) das carnes suínas, bovinas e do mar. Tudo muito condimentado. Uma delícia. Os garçons muito simpáticos e bem treinados. Vê-se de longe que não é coisa da velha Santa Teresa. E da nova, novíssima! Preparem-se, esse mesmo grupo vai inaugurar um baita hotel de luxo, conservando a fachada do castelinho desta vez, bem em frente ao restaurante, claro!

Vida nova à Santa Teresa, mas com cuidado e muito amor...

9 comentários:

Cláudia disse...

Qual o nome do restaurante, Garden? Adorei essa crônica sobre Santa Teresa, seus costumes e desvios. :)

Gardênia Vargas disse...

risos! O nome é ASIA
Nossa, quanta criatividade - risos!

Luciana Gondim disse...

Adorei, JArdim! Me deu fome

Deia Vazquez disse...

Tem fotos?? Mas em Santa tem que ser mesmo para agradar gringos. Acho que o bairro compete com Londres em numero de estrangeiros por habitantes.

ANTROPOLÓGICAS disse...

Santa Teresa, Paraty, Tiradentes, os gringos dominam vários locais históricos brasileiros, conservando o nosso patrimônio que é tão mal cuidado e deixando os brasileiros nível médio e baixo - que, afinal, provincianos, não merecem! - de fora da festa.

A Ásia está em Santa Teresa como está em qualquer metrópole do mundo. Mas nada se compara a Paraty: na última vez que fui lá, há três anos, havia um bar super cosmopolita e caro com o nome e o rosto de Che Guevara estampados.

ANTROPOLÓGICAS disse...

Gente, me desculpe, mas publiquei com o nome do Marcelo. O comentário anterior (e este) são meus, Olívia.
Beijos!

Cláudia Lamego disse...

Lili, você também postou a melancia? :)

Eu não sou contra os restaurantes cosmopolitas. Essas cidades precisam da grana dos turistas pra sobreviverem. Mas ainda encontramos nelas a boa e velha comida da terra.

Olívia Bandeira de Melo disse...

Não, a Melancia foi o Marcelo. O blogger estava aberto com o login dele, eu esqueci e comentei sem fazer o meu login.

Gugu disse...

Santa Teresa rende muitas crônicas, Garden. Por favor, continue.