29 de abr de 2008

Uma noite, hum, digamos, inesperada

Depois de um dia cheio, almoço em família, jogo de futebol (sem comentários), acarajé e táxi pra casa, já se passava das 20h do domingão, e de repnte meu telefone tocou. Era Priscila, uma amiga querida que me chamou para fazer companhia a um show na Lapa, do ladinho da minha casa. Fiquei na dúvida, pois já estava preparada psicologicamente para ficar em casa vendo filme do Jim Jarmusch, maaaaas como sou uma pessoa, hum, digamos, impulsiva, lá fui eu. Quando chegamos ao Teatro Odisséia dei de cara com o look da galera e, percebi, que eu era, hum, digamos, diferente. Estava de vestidinho rosa floridinho, com uma bolsinha de mão também florida. Todos, eu disse, t-o-d-o-s os presentes estavam de preto ou cinza beeem escuro. Mas tudo bem, sou do tipo que faz tipo, então me fiz de distraída, deu certo.
Entrei ao som de Mostros do Ula Ula, que abriu a noite de lançamento do DVD do Matanza, lançado pela MTV e Deck Disc. Guitarra, baixo e bateria anunciam a “porrada”. Comecei a sentir meus joelhos dobrarem e minha cabeça mexer. Algo parecido com o que o funk faz com as cadeiras. Não dá pra se conter. A banda é boa, rapá! Eles são os pais do Contrycore - mistura de Jonhy Cash com Hardcore. Pesado e bom. A platéia foi ao delírio. Jimmy, o vocalista ruivo barbudo de quase dois metros, entrou calado. Ele faz cara de mal. Eles gritam. Ele olha. Eles gritam. Ele começa. Eles começam. A roda se abre no meio da platéia e uns se jogam contra os outros numa “dança” quase tribal. Difamação, xingamento. Esculhambação, palavrões. Os versos das músicas na voz rouca e grave do irlandês, eram quase inaudíveis. Mas eu fiz leitura labial e entendi pelo menos 70%.
E por falar em porcentagem, pelo menos 85% dos espectadores eram homens. As poucas meninas ficavam pelos cantos, em cima de cadeiras, amparadas pelos namorados, ou até aclamando a banda na frente do palco. Contudo, a pista era mesmo deles. Um me chamou a atenção, devia ter uns 1,80 cm de largura, tinha cabeça raspada e um bigode a lá “seu Leôncio – do pica-pau”. Ele só empurrava quem chegasse perto. Um deles subiu no palco e se jogou. Seu Leôncio, com toda sutileza, deu-lhe um chega-pra-lá que o moçoilo só foi aparecer de novo lá no finzinho da música, e lá atrás, bem longe do el bigodon. Me-do!

Foi uma noite, no mínimo, peculiar. Me diverti e dancei bastante. Recomendo. Ah! Nessa tal rodinha, ninguém se machuca, não viu. Eles estão lá por que querem, só se empurram. Sei lá por que. Me lembrou aqueles bailes funks de antigamente (será que existe até hoje?) que o povo ia pra brigar, lado A x lado B. Porém, o hardcore me pareceu ser mais, hum, digamos, leve.
:o)

E fica aí um dos versos que não me sai da memória:

Quanto mais feio, quanto mais sujo
Quanto mais forte o bafo
Mais ela gosta de mim
Quanto mais feio, quanto mais sujo

6 comentários:

Deia Vazquez disse...

Eu ja achei as rodinhas de show de rock bem legais, apesar de nunca ter participado. dava pra ver de longe que rolava um respeito entre os participantes e em especial com as meninas. Hoje acho que a coisa ta mais vandala. Ou eu to ficando velha. Ou as duas coisas ;)

Andre disse...

Gardênia! Quem diria que você se tornaria uma cabrocha headbanger! Já comprou sua moto e jaqueta de couro? Só falta me dizer que também está curtindo uma onda EMO... hehehe. Tô brincando. Viva o ecletismo! Beijos rockeiros, André.

Gugu disse...

Experiência, digamos, hum, excitante. Coisas aparentemente desconexas com o nosso modo de ser são as mais legais de viver e contar. Adoraria ter estado lá pra ver. Beijos.

GERSON disse...

Grande Carocilda...Gostei do texto, da leveza com que você descreveu sua experiência. Fiquei imaginando você, ali, no meio da pista, com o tal vestidinho florido...rs, deve ter sido a atração dos "homens de preto"...
Bj e parabéns pelo Caroço. Este, fácil de engolir.
GF.

Monique Cardoso disse...

Flor de pimenteira, Você foi a um show do Matanza desavisada? é muita vontade de sair de casa. Mas confesso: adoro o Jimmy London. Figura ímpar. Assistia aos campeonatos de futebol na MTV, no programa Rockgol, e ele sempre se destacava. Recentemente fez um Quebra-galho, também na MTV e sua tarefa, com R$100, era fazer a transformação de uma patricinha em um machão (a menina cor-de-rosa escreveu a MTV e pediu que a emissora a ajudasse a saber como é ser um machão, e tal transformação é a proposta do programa, que sempre rende resultados hilários).
Jimmy não só travestiu a garota, como a ensinou a dirigir caminhão, a levou num jogo de futebol da segunda divisão, a fez paquerar, comer costela assada com a mão e, é claro, ir a um show deles. Tudo na maior simpatia que aquela figura ogra pode expressar. A-do-rei.

Gardênia Vargas disse...

Ai que legal Nique!
Queria muito ter visto.
Eu já conhecia o Matanza, mas não tinha ido a show. Saí de casa para fazer companhia a uma amiga e tal. Mas acabei amando!! Vamos combinar de ir a um show e bater cabeça juntas - risos. Conheci o Jimmy, muito simpático e bonito. Aquela coisa ogra é fofa! (ah! se ele me ouve falar isso - socorro) HAHAHAHA